Simbiose, por Mariana Nassif

nu - também estás tu perante tua própria vida.

Simbiose, por Mariana Nassif

Explodo.

não – implodo: trago a fumaça daquilo que ainda não sei sentir
vasculho os escombros de mim e mergulho de encontro àquilo que Freud explica:
me olhando sob teu prisma, esvaziei.

num trabalho árduo e quase invisível
retiro os elementos nocivos
reescrevo em papel infantil as verdades tenebrosas que sua (a)versão me fez calar

e me enxergo

nua, machucada, abarrotada de etiquetas manchadas de histórias que não me são exclusivas – perante minha própria existência existe mais reticência que comprovação
começo a lamber a feridas e o tempo também me dói: terei perdido? quanto? quando? é ainda ou estou em fato mutacional?

nu – também estás tu perante tua própria vida.

[procuro descanso num repouso assustador – a solidão sempre me deu medo, é ali que as piores coisas acontecem: pelo menos em minha mente que se habituou ao pior, como forma de adiantar o pesadelo e arquitetar planos mirabolantes para a salvação, quem sabe para fugir do agora, este que se confunde tão facilmente com quem eu era antes de não ser]

incrustada na floresta verto toda água que há
– hidropônicos são meus processos.

naquilo que foi dilacerado, vislumbro novidades
estudo para aprender raízes
confio para produzir as mais belas mudas que, agora, desejam falar

costuro tecidos que voam
amo sentindo cada pedaço do meu corpo, entregue por escolha
aguento aquilo que minha força, e não meu medo, aporta
transcrevo em palavras as sensações que submergiram para teu olhar

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não é mais a hora da espera, cansada, lesada, moldada:
o Tempo pede que me procure
distante de ti, que é meu rei
para então reanimar

trair aquilo que entrego como este eu construído, remoído
morrer de novo, quantas vezes for preciso
tirar proveito dos olhos do inimigo

criatividade, expansão e presença
cuidado, leveza, tudo intenso, meus sentidos: que estejam sempre comigo
nessa nova despedida de mim para me encontrar

com uma história reescrita, onde caibam as dores e mágoas
e os perdões e as palavras
os novos olhos, o resgate do que foi perdido
para que enfim sinta prazer em te adorar.

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