3 anos de golpe: Filme narra impeachment do ponto de vista do povo

"Tchau, Querida", uma produção do coletivo Jornalistas Livres, estreia nesta quarta, 17 de abril, dia em que o afastamento de Dilma Rousseff completa três anos. Em artigo, Dilma lembra: "Foi um dos momentos mais infames da história"

Por Cláudio Motta

Da RBA

Dia da infâmia: há três anos começava o ocaso da democracia do país

“O espetáculo político que dividiu o país e cassou o mandato de 54 milhões de brasileiros narrado por quem estava do lado de fora do Congresso Nacional.” O povo brasileiro é o protagonista do documentário Tchau, Querida, lançado nesta quarta-feira (17), às 19h, no Centro Universitário Maria Antonia (Rua Maria Antônia, 258/294, Vila Buarque). A partir da semana que vem, estará disponível no YouTube.

A data do lançamento do primeiro longa-metragem produzido pelo Cérebro Eletrônico e Jornalistas Livres “marca os três anos do início do fim do Estado democrático e de direito no país”, afirma o jornalista Vinícius Segalla, que divide a direção do documentário com Gustavo Aranda.

“Tínhamos mais de oito horas de gravação. A gente assistiu e reassistiu a esse material, mexeu muito para transformar em uma hora e dez minutos”, conta Segalla. “Mas o mais difícil era ver como boa parte da população do Brasil que estava representada ali pelas pessoas de verde amarelo se deixou levar por uma ilusão. Muita gente estava ali acreditando mesmo que estava combatendo a corrupção, quando estavam fazendo parte de um mecanismo maior, levando a gente para onde levou.”

Ainda mais difícil, ressalta o jornalista, é assistir hoje e ver que “o ovo da serpente” já estava lá. “Desde o início do processo de impeachment, eram as forças de extrema direita representadas por Bolsonaro, Moro e Olavo de Carvalho que mais estavam presentes naquele processo. E a gente não percebeu. A gente se deu conta do perigo que era Jair Bolsonaro para o país quando já era tarde demais”, lamenta Segalla.

Leia também:  A esquerda precisa mudar o discurso, por Daniel Dalmoro

Brasil envergonhado

“O golpe foi o episódio inaugural de um processo devastador que já dura três anos. Teve, para seu desenlace e os atos subsequentes, a estratégica contribuição do sistema punitivista de justiça, a Lava Jato, que sob o argumento de alvejar a corrupção, feriu a Constituição de 1988, atingiu o Estado democrático de direito e impôs a justiça do inimigo como regra.”

Em artigo publicado nesta quarta-feira, a presidenta Dilma Rousseff reafirma sua visão sobre a construção do golpe no Congresso, na mídia, em segmentos do Judiciário e no mercado financeiro. “Compartilhavam os interesses dos derrotados nas urnas e agiam em sincronia para inviabilizar o governo”, avalia.

“Faz três anos, hoje, que a Câmara dos Deputados, comandada por um deputado condenado por corrupção, aprovou a abertura de um processo de impeachment contra mim, sem que houvesse crime de responsabilidade que justificasse tal decisão. Aquela votação em plenário foi um dos momentos mais infames da história brasileira. Envergonhou o Brasil diante de si mesmo e perante o mundo.”

Para Dilma, o principal objetivo do golpe foi o enquadramento do Brasil na agenda neoliberal, que, por quatro eleições presidenciais consecutivas havia sido derrotada nas urnas. “Foi essa verdadeira sabotagem interna que tornou praticamente impossível, naquele momento, atenuar sobre o Brasil os efeitos da crise mundial.”

A ex-presidenta associa o que aconteceu há três anos ao que está acontecendo hoje. “Há razões mais do que suficientes para que a história registre o 17 de abril de 2016 como o dia da infâmia. Foi quando o desastre se desencadeou; se desencadeou ao barrar os projetos dos governos do PT que tinham elevado dezenas de milhões de pessoas pobres à condição de cidadãos, com direitos e com acesso a serviços públicos, ao trabalho formal, à renda, à educação para os filhos, a médico, casa própria e remédios. Interromperam programas estratégicos para a defesa da soberania e para o desenvolvimento nacional, projetos que colocaram o Brasil entre as seis nações mais ricas do mundo e retiraram o país do vergonhoso mapa da fome da ONU.”

Leia também:  Política, dissabor, esperança e bom humor. Reflexões do pós-golpe, por Luís Fernando Praga

Dilma clama pela liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Mesmo os que se opõem a Lula mas prezam a democracia se constrangem com o escândalo da sua prisão e condenação ilegal, e já perceberam que ele é um prisioneiro político… Lutar por sua liberdade plena significa enfrentar o aparato neofascista – militar, judicial e midiático – que está destruindo a democracia. Lula é a voz da resistência e carrega o estandarte da luta democrática… Lula mostrou ao povo brasileiro, em cada gesto seu que se tornou público, que é possível resistir mesmo nas piores condições. A sua força moral nos fortalece, a sua garra nos anima, a sua integridade nos faz lutar por sua liberdade, que representa também as liberdades democráticas para todos os brasileiros. Lula está do lado certo da história. #LulaLivre.”

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

1 comentário

  1. O povo brasileiro, sendo de esquerda ou direita, quer maior lisura na politica, para isso nada melhor que a
    Democracia absoluta
    Todo caos que vemos na politica, nacional e mundial, é por que tem pouca participação popular. Precisamos de uma reforma politica. O poder é corruptivo, quanto maior o poder maior a corrupção. Por isso que a politica tem que ter um controle maior do povo.
    Legislativo
    A primeira mudança seria no legislativo em seus vários níveis, onde os seus integrantes não seriam mais eleitos e sim sorteados entre os eleitores. Poderíamos começar com 50% do legislativo sendo nomeado desta maneira. A cada 2 anos haveria um novo sorteio para renovação do legislativo.
    Acredito que assim poderia aumentar o interesse do povo pela política.
    Por sorteio, este grupo de parlamentares seria bem heterogêneo, bem representativo da população brasileira.
    Com certeza, 50% destes parlamentares seriam de mulheres.
    Executivo
    Poderíamos eliminar as coligações partidárias. Cada partido apresentaria seu próprio candidato a Presidente, governador, prefeito e seus vices.
    50% do legislativo, o 50% não sorteado, seria eleito proporcionalmente aos votos dados aos candidatos do executivo.
    Para dar mais controle do executivo pelo povo, a cada dois anos haveria um plebiscito para confirmar ou não a permanência do mandatário no cargo. Caso o “não” vencesse seria feita uma nova eleição para aquele cargo.

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome