A tensão nas escolas pelo espelho do massacre de Suzano, por Luiz Claudio Tonchis

Instituições buscam formas para lidar com ameaças, várias delas já identificadas pelas autoridades escolares e policiais como trote de adolescentes.

Foto Correio24Horas

A tensão nas escolas pelo espelho do massacre de Suzano

por Luiz Claudio Tonchis

Nesta triste realidade, demos muita visibilidade aos assassinos que atacaram a Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano. Este tipo de “capa” tem seduzido muitos adolescentes aproveitarem da tragédia para espalhar o terror em várias escolas. Esses assassinos deveriam ser referidos sem grande destaque. Não falo em não contar o que houve. Refiro-me ao modo de contar. Um mesmo fato pode ser contado com diferentes formas e protagonismos.

Há uma onda de ameaças, por adolescentes, de ataques as escolas com armas de fogo ou brancas causando pânico e muita confusão.  Esse é um fenômeno de efeito “contágio”. Isso ocorre por meio da divulgação massiva pela imprensa ou pelos cidadãos nas redes sociais, informações sobre crimes, cujo os autores cometem em busca de notoriedade e inspiram outros jovens a buscarem uma certa visibilidade pelo espelho do massacre.

Existem vários registros deste tipo de ocorrência em todo país. Aparentemente, todos os casos registrados não passam de ‘brincadeiras’ de mal gosto que foram espalhadas rapidamente através de aplicativos como, por exemplo, o WhatsApp, provocando pânico. A maioria dos envolvidos são os próprios alunos.

O caso de Suzano recentemente, o de Realengo em 2011, entre outros, são motivos suficientes para gerar uma sensação de insegurança nas escolas e, com esse tipo de ameaças, através de imagens postadas na internet com armas ou réplicas delas, textos, vídeos, etc., potencializam ainda mais o mal-estar.

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Atualmente, o clima nas escolas tornou-se tenso. Diante dos acontecimentos é natural que os alunos, pais e educadores sintam-se inseguros. Esse passou a ser mais um problema a ser enfrentado pelos educadores nas escolas.

Agora que o pior aconteceu, os rastros e evidências devem ser levados a sério. Não é possível mensurar o volume de casos que representa um risco real ou é apenas alvo de trote por adolescentes, cuja trollagem pode levá-los à Justiça por ameaça e apologia ao crime. Todos devem ficar atentos, mesmo quando for identificado pela escola como brincadeira, o adolescente deve ser denunciado à polícia e responsabilizado.

É importante ficar atentos a tudo. Se uma pessoa diz que quer se matar, nunca pense que pode ser uma piada. Se uma pessoa anuncia que vai matar outras, jamais considere que pode ser de boca para fora. Convém levar a sério. Pensar no pior não é uma “forma negativa de lidar com a vida”, é a única forma capaz de talvez evitar males.

Além das medidas de segurança, é importante que a escola cumpra o seu papel educativo, através de projetos que trabalham as competências socioemocionais de maneira contínua como empatia, autocontrole, decisões responsáveis, autoconhecimento e habilidades sociais –, em maneiras de trabalhar o bullying e ampliar o debate e a difusão de informações, tanto como fator fundamental de prevenção como de promoção da cultura da paz.