Com ajuda de Moro, empresário pede ação por corrupção contra a Vale no Brasil

São duas notícias-crimes: uma pedindo que o MP do Rio investigue executivos da Vale por corrupção na Guiné. Outra, sobre fraude no mercado de capitais

Jornal GGN – O bilionário israelense Benjamin Steinmetz, ex-sócio da Vale na exploração de minério de ferro na Guiné, apresentou duas notícias-crimes contra a gigante brasileira no Brasil. É o que afirma o jornal Valor Econômico desta quinta (10).

Dentro de sua estratégia para não indenizar a Vale pelo negócio encerrado após um escândalo de corrupção no país africano, Beny, como é conhecido o magnata na mídia internacional, contratou pareceres jurídicos contra a Vale.

O GGN apurou que um deles, encomendado a Sergio Moro, trata apenas do aspecto do direito penal envolvendo o litígio. Outro, elaborado pelo jurista Pedro Serrano, é focado em direito administrativo.

Com os pareceres desenvolvidos a partir da tese defensiva do empresário, executivos da Vale envolvidos na negociação poderiam ser investigados criminalmente.

A empresa, que tem capital aberto e vende ações na Bolsa de Nova York, também poderia sofrer uma class-action – como aconteceu com a Petrobras em virtude da Lava Jato – ou processos ainda “mais graves”, disse uma fonte consultada pelo GGN.

Na Lava Jato, a Petrobras foi acusada de apresentar informações inverídicas ao mercado de capitais. Nos Estados Unidos, a estatal de petróleo enfrentou uma class-action – ação coletiva movida pelos acionistas – e aceitou um acordo para indenizar os investidores em quase 3 bilhões de dólares, em 2018.

A Petrobras também respondeu a uma ação na Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (a SEC), e outra no Departamento de Justiça (o DOJ). Saiba mais aqui.

A INVESTIDA CONTRA A VALE

Segundo o Valor Econômico, uma das notícias-crimes apresentadas pelo cliente de Sergio Moro pede justamente que o Ministério Público do Rio de Janeiro investigue a Vale por suposta corrupção de seus executivos. A outra notícia-crime requer apuração sobre eventuais crimes e violações no mercado de capitais.

A Vale ganhou, no ano passado, em uma corte em Londres, o direito de ser indenizada em 2 bilhões de dólares pelo empresário israelense, que recorre da decisão. Procurada pelo GGN, a Vale não quis dar detalhes do processo.

A ORIGEM DA DISPUTA JUDICIAL

Em 2010, a Vale e a BSGR, empresa de Beny, formaram uma joint venture para A exploração de minério de ferro em Simandou, região no sudoeste da Guiné. Anos mais tarde, quando um novo governo ascendeu, o ex-presidente que assinou a licença de exploração foi acusado de ter recebido 10 milhões de dólares em propina de Beny. O bilionário nega as acusações, mas passou a ser investigado na Guiné, na Suíça e nos Estados Unidos.

A Vale decidiu então ajuizar a ação para ser indenizada, alegando que foi atraída para o negócio de 2,5 bilhões de dólares sem saber que a licença fora obtida supostamente a partir de corrupção.

Beny alega que a Vale sabia dos rumores desde o início. Para provar sua tese, ele contratou uma empresa de espionagem israelense, a Black Cube, que fez uma “armação”, segundo a Vale, para gravar um ex-executivo da empresa admitindo suspeitar de que havia ago de errado no negócio. Na gravação, ele admitia que não tinha prova de qualquer irregularidade.

Procurada pelo GGN, a Vale não quis comentar a possibilidade de sofrer uma ação de classe de seus acionistas em decorrência das informações apresentadas por Beny. Limitou-se a dizer que as provas usadas pelo empresário israelense foram obtidas ilegalmente, através de uma “armação clandestina”.

Leia também:

Moro trabalha para bilionário israelense investigado por corrupção na Suíça e EUA

Provas usadas por cliente de Moro contra a Vale são fruto de “armação clandestina”

Para entender a disputa entre a Vale e o bilionário israelense

 

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora