Estudo avalia agroindústria formada por pequenos

Implantação de agroindústrias, formadas por agricultores familiares, é estratégia para desenvolvimento local, avaliam pesquisadores da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE). Foram analisadas quatro de dez agroindústrias familiares com foco na produção de açúcar mascavo, localizadas em Capanema, cidade paranaense com população pouco superior a 18 mil habitantes, e que se destaca na produção de derivados da cana-de-açúcar.

Os autores do trabalho explicam que em 1995 a coordenação Regional de Associações tomou uma decisão acertada ao iniciar, no Sudoeste do Paraná, o incentivo a produção e comercialização do açúcar mascavo – entre as décadas de 1970 e 1990 a produção de cana e fabricação de açúcar mascavo foi deixada de lado pelos agricultores pequenos. Desde então, a cultura tem sido responsável pela principal atividade econômica do município.

A renda média anual dos agricultores familiares pesquisados é de dez mil reais, igual à registrada nas demais unidades familiares, segundo dados da Empresa de Assistência Técnica e Rural (EMATER) do Estado do Paraná, de 2006.

Os resultados levantados revelam que não é economicamente viável investir apenas no açúcar mascavo, e sim na produção de derivados da cana-de-açúcar em geral.

Parcerias são fundamentais

Os agentes que atuam na valorização e comercialização dos produtos, isso é, organizações não-governamentais e instituições públicas, desempenham papel importante para manutenção da agroindústria local. As parcerias realizadas com a Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (SEAB), Instituto EMATER e com demais órgãos que atuam na agricultura orgânica, proporcionaram maior competitividade na comercialização.

Essas ações contribuem diretamente na diminuição do êxodo rural ao impulsionar o desenvolvimento. Mas além da simples produção agrícola existe outra atividade importante crescendo em Capanema: o Turismo Rural, também chamado de Ecoturismo, por ajudar na divulgação dos produtos.

Historicamente, a sociedade rural do Paraná foi formada por pequenos grupos familiares. Para se ter ideia, 85% das propriedades da Região Sudoeste do estado são familiares e 94% possuem áreas inferiores a 50 hectares. Características que favorecem a diversificação de culturas. Os pesquisadores ressaltam que o setor público e órgãos de assistência técnica e empresas do setor privado, contribuíram para promoção da agricultura familiar local.

Particularidades de Capanema

Quem realiza o trabalho de produção nas agroindústrias, sobretudo, são os casais, enquanto os filhos são empregados nas cidades, mesmo morando na região rural. E quando mais de uma família se uni, cada grupo contribui com o mesmo número de pessoas para trabalhar, além do mesmo fornecimento de cana-de-açúcar.

O sistema familiar é pouco mecanizado, logo exige maior número de mão-de-obra e consequente inclusão social. Em Capanema, foi unânime entre todos os agricultores entrevistados que a produção de açúcar mascavo contribuiu para melhorar as condições de vida das famílias. Na avaliação dos autores de trabalho, a integração e busca pelo desenvolvimento sócio-ambiental foram decisivos para essa percepção.

Leia a seguir trecho do estudo com avaliação de uma das agroindústrias observadas:

Agroindústria PIAMOLIN, possui uma área de 6,05 ha [hectares], é administrada pelo proprietário da terra e quatro pessoas da família estão envolvidas nas atividades de produção dos produtos derivados de cana-de-açúcar. Segundo o Sr. Ivo Piamolin, a agroindústria foi instalada em 2000 e, antes disso, as atividades desenvolvidas estavam relacionadas com a produção de leite, fumo, soja e milho. Atualmente, o açúcar mascavo é seu principal produto, seguido dos outros derivados da cana. Para essa família, após a implantação da agroindústria, os resultados foram positivos, pois construíram uma casa melhor, compraram um carro e conseguiram terminar de pagar o empréstimo feito para a construção do Galpão de fumo, além de ter de volta um dos filhos que trabalhava na cidade. Segundo o Sr. Ivo, os produtos são vendidos no mercado orgânico do município, a família participa da tradicional Feira do Melado que acontece a cada dois anos no município, vende nas cidades vizinhas e para os turistas que visitam a agroindústria por meio do convênio entre as agroindústrias e Prefeitura Municipal, o que ajudou bastante na comercialização dos produtos. Outro fato que tem contribuído com essa prática é o uso do selo Natural do Campo, que identifica os produtos da agricultura familiar elaborados no município. Os produtos mais vendidos são as bolachas e o melado, ele ressaltou ainda que a EMATER e a Prefeitura atuam na orientação e organização da produção. Mesmo assim, segundo o agricultor, a forma de comercialização ainda não atingiu níveis satisfatórios. A renda obtida com o açúcar mascavo fica acima de R$ 1.000,00/mensais.

Para acessar o estudo na íntegra, clique aqui.

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