Financial Times compara destruição em Gaza a cidades bombardeadas na 2ª Guerra Mundial 

Jornal inglês estima que 68% de Gaza foi destruída em menos de sete semanas, o que faz da cidade uma das mais bombardeadas na história

Destruição em Gaza é apontada como similar às que ocorreram durante a Segunda Guerra Mundial, aponta o Financial Times. Foto: Doaa Albaz/Anadolu

Para o jornal britânico Financial Times, a devastação causada por Israel no norte de Gaza, Palestina, em menos de sete semanas de ofensiva do governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, equipara-se à devastação das cidades alemãs após anos de bombardeamentos durante a Segunda Guerra Mundial.  

Segundo a avaliação de analistas militares ouvidos pelo jornal, com base nos danos às áreas urbanas, quase 68% das estruturas no norte de Gaza foram gravemente danificadas. 

Os especialistas estimam que entre 82.600 e 105.300 edifícios foram reduzidos a escombros em algumas áreas. Estes números estão próximos do nível de destruição das cidades alemãs pelos Aliados. 

Para efeito de comparação, a publicação lembra que 59% dos edifícios de Dresden, 61% dos de Colónia e 75% dos de Hamburgo foram danificados.

Autoridades palestinas na Faixa de Gaza informaram nesta terça-feira (5) que o número de mortos em Gaza subiu para 16.248. Entre eles estariam 7.112 crianças e 4.885 mulheres. Outras 7.600 pessoas foram declaradas desaparecidas e 43.616 ficaram feridas.

Gaza: das mais intensas campanhas de bombardeio 

“Dresden, Hamburgo, Colónia… alguns dos piores atentados a bombas da história do mundo são lembrados pelos seus nomes geográficos”, explica Robert Pape, um historiador militar americano. 

“Gaza também ficará para a história como o nome de uma das mais intensas campanhas de bombardeio convencional da história”, acrescenta o especialista ao Financial Times.

Conforme aponta a publicação, um dos principais motivos da grande destruição está nas munições utilizadas. A Força Aérea Israelense publicou fotos nas suas contas nas redes sociais mostrando que recorreu ao uso de bombas GBU-31 de 910 quilogramas.

De acordo com o Financial Times, as munições são quatro vezes mais pesadas do que as utilizadas pelas tropas norte-americanas na batalha pela cidade iraquiana de Mossul. 

A Anistia Internacional apelou esta semana a uma investigação sobre os crimes de guerra cometidos por Israel em relação à utilização destas bombas e apelou à comunidade internacional para parar de fornecer armas às partes no conflito.

Mais razões para a destruição 

A segunda razão para o elevado nível de destruição, segundo especialistas militares ouvidos pelo Financial Times, reside na velocidade e intensidade dos bombardeamentos israelenses. 

Nos primeiros dias do conflito, as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) lançaram cerca de 1 mil bombas por dia. O jornal compara esta estatística ao bombardeamento norte-americano de Mossul, onde foram utilizadas cerca de 600 bombas por dia durante os períodos mais intensos.

Os militares israelenses também reduziram o tempo necessário para coordenar um ataque, de modo que as tropas necessitam agora de menos de 10 minutos para identificar um alvo e lançar um ataque aéreo contra ele.

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Renato Santana

Renato Santana é jornalista e escreve para o Jornal GGN desde maio de 2023. Tem passagem pelos portais Infoamazônia, Observatório da Mineração, Le Monde Diplomatique, Brasil de Fato, A Tribuna, além do jornal Porantim, sobre a questão indígena, entre outros. Em 2010, ganhou prêmio Vladimir Herzog por série de reportagens que investigou a atuação de grupos de extermínio em 2006, após ataques do PCC a postos policiais em São Paulo.

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