21 de maio de 2026

GGN-Covid: as fantasias estatísticas de Osmar Terra

A quantidade de inverdades que soltou sobre a situação da Suécia foi vergonhosa.

No início do Covid-19, o deputado bolsonarista Osmar Terra sustentou que se tratava de um gripezinha, que mataria menos pessoas do que a H1V1. E o pico da pandemia ocorreria em meados de maio.

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As apostas foram desmoralizadas pelos fatos. Mas o deputado federal Osmar Terra tornou-se prisioneiro de seus erros de avaliação. É impressionante sua insistência em repisar os argumentos e insistir nas mesmas avaliações.

Ontem, em entrevista à CNN Brasil mostrou sobejamente seu estilo de argumentar. Levanta muitos dados, dados de toda ordem, afirmações taxativas sobre todos os temas. Se os interlocutores não são especialistas do tema, por melhor que sejam em outros temas, acabam sufocados pela enxurrada de sofismas despejadas por terra, sempre com ar professoral e mencionando estatísticas e supostas constatações científicas em defesa de todas suas afirmações. Obviamente, no embate de uma entrevista ao vivo, torna-se difícil levantar dados que desmintam suas afirmações.

Vamos a alguns dos sofismas.

Sofisma 1 – A maioria das pessoas morre em casa, logo o local mais perigoso para contrair a doença é na própria casa.

É uma afirmação fantástica. Como argumentou dias atrás o ex-governador e médico Geraldo Alckmin, o vírus sobe de elevador para casa.

Ora, morte em casa é indicação de falta de vaga em hospitais e prontos socorros, apenas isso. O fato de morrer em casa não é a menor indicação de que contraiu a doença em casa. E se contraiu foi de alguém que a trouxe da rua.

É tão escandalosamente falacioso seu argumento, que sustentou que, flanando nas ruas sem máscara, Jair Bolsonaro corre menos riscos do que uma pessoa resguardada em casa.

Sofisma 2 – Estados que fizeram isolamento tiveram o mesmo desempenho que estados que liberaram tudo.

Seu exemplo é Manaus que, depois do pico do Covid-19, viu as curvas de novos casos cair. As imagens de enterros coletivos ficaram na memória de todos que assistiram aquela tragédia.

O Supremo não isentou o Executivo de nada. Apenas facilitou aos estados e municípios a palavra final sobre a oportunidade do isolamento, devido à diversidade do país. 

Bolsonaro, pelo contrário, dificultou o quanto pode o isolamento, impôs um aumento brutal na epidemia em algumas capitais, como em Fortaleza – ao impedir a fiscalização dos passageiros desembarcados em aeroporto federal – e em nenhum momento montou uma estratégia objetiva para sustentar a flexibilização do isolamento.

Questionado, Terra afirmou que o caminho alternativo seria a liberalização acompanhada de testagens e mapeamento das pessoas infectadas. O próprio Ministério da Saúde dizia ser impossível a testagem em massa – sendo que há anos o país já dispunha de uma estrutura do SUS para esse trabalho.

Sofisma 3 – O Brasil já experimenta a queda nos novos casos.

Confira os gráficos abaixo. O primeiro quadro é do Brasil. Os demais, de estados relevantes. É evidente que a doença está longe de ser domada e deve recrudescer com o relaxamento do isolamento.


Sofisma 4 – O sucesso da Suécia

A quantidade de inverdades que soltou sobre a situação da Suécia foi vergonhosa.
Segundo ele, a Suécia não aderiu ao isolamento e ficou em condições de saúde e de economia muito melhores do que Itália, França e Inglaterra.

A comparação é indevida. França, Itália e Inglaterra têm dimensões muito maiores do que a Suécia e estão muito mais expostas ao turismo internacional, de passeio e de negócios.

A comparação correta seria com os demais países nórdicos. E, pelos gráficos, se percebe o rotundo fracasso da Suécia.

Esta é a situação atual da Suécia. Depois de um período de alta, um assentamento e a volta da pandemia, obrigando a uma revisão de toda a estratégia inicial.

Compare, agora, com outros países nórdicos, com um indicador de preferência de Terra – a conta per capita, número de casos por 100.000 habitantes. A Suécia está destacadamente à frente dos demais países nórdicos.

Se analisar a curva de crescimento dos casos de 1o de junho em diante, o quadro fica mais dramático

 

 

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
luis.nassif@gmail.com

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11 Comentários
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  1. jcordeiro

    12 de julho de 2020 2:09 am

    Nassif: concordo. As estapafurdias ideias do Osmar foram por “Terra”. Mas ele não liga. Matreiro e tinhoso, só quer tá na mídia. O resto que se lasque…

  2. Carlos Elisio

    12 de julho de 2020 6:44 am

    Que a cnn o entrevistaria dando voz, e não contestando(*), a algum apoiador do desgoverno é aceitável apesar de deplorável. Afinal, esta é a “truta” entre os dois, cnn e desgoverno do brasil. Quiçá tres, se incluir o traste americano.
    Por isso é tão Importante, apesar da perda de energia, que algum grupo jornalístico independente, assim como aqui no GGN, as refute.

    (*) Nassif, como as falácias desta ameba do o.terra são do conhecimento até das pedras, discordo deste trecho: “Se os interlocutores não são especialistas do tema, por melhor que sejam em outros temas, acabam sufocados pela enxurrada de sofismas…”.
    Afinal, como fazem a triagem, ou como se preparam, os entrevistadores?
    Numa análise rasa e sem falácias envolvidas, será que alguem com responsabilidade de montar uma equipe de entrevistas, em se tratando de um assunto sensível e relevante selecionaria um engenheiro para entrevistar um fisico teórico, apesar do sólido conhecimento de fisica que um engenheiro necessariamente teria?

  3. Vladimir

    12 de julho de 2020 8:44 am

    Quem é esse?

  4. Eduardo

    12 de julho de 2020 8:51 am

    No texto o Nassif escreveu “impressionante”. Corrija, por favor, quando é relacionado a essas figuras o correto é “imprecionante”.

  5. Fábio Gomieiro

    12 de julho de 2020 10:39 am

    Bom dia!
    Vi uma pequena trecho da entrevista. Não dava para aguentar.
    Mente e inventa dados.
    A CNN/Brasil parece que gosta em dar espaço para esse tipo de pessoas.

  6. Fernando Saling

    12 de julho de 2020 11:13 am

    Se observarmos, mesmo em grandes jornais, o analfabetismo funcional chegou há alguns anos.

  7. Fabio

    12 de julho de 2020 6:06 pm

    Mas Luis Nassif prognosticou 85 mil óbitos ………. para o final de maio !
    Será que é de 2021 ?

    1. Sabio

      12 de julho de 2020 7:20 pm

      Hoje estamos em >72 mil mortos na “Pátria Amada”.
      Mantida a média atual > 1000/dia, chegaremos certamente aos 85 mil antes do final deste mês.
      Ou ainda, mais de 100 mil até o final do mês que vem.
      Tá bom pra você ou tanto faz 60 mil, 72, 85 ou 100 mil?
      O que te preocupa mesmo?

    2. Flics

      12 de julho de 2020 8:44 pm

      É uma pandemia que chegou com grande imprevisibidade. Errou, como quase todos os que fizeram previsões, mas só na data. Aos 85 mil mortos estamos chegando, se isso lhe serve de consolo. Agora, se o amigo acredita no Osmar Terraplana…

      1. Fabio

        13 de julho de 2020 11:03 pm

        Parece que em termos de qualidade de previsões , as duas linhas de análise não fazem muita diferença , não é verdade ?

  8. FALCON XENIX

    13 de julho de 2020 10:11 am

    Em todos os lugares que leio reportagens sobre o tema “Covid19”, os comentários são sempre os mesmos. Parece até que a pandemia é só no nosso querido Brasil, parece que as pessoas só veem o desgoverno porque o time dele não está com a tocha na mão. Acordem ! É uma pandemia MUNDIAL !!! Parabéns Luis Nassif

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