Militares são denunciados por assassinatos e ocultação de cadáver na Guerrilha do Araguaia

Sete militares são acusados, entre eles o major Curió citado em todas as três ações

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Jornal GGN – O Ministério Público Federal (MPF) denunciou à Justiça Federal sete militares por assassinatos cometidos na repressão à Guerrilha do Araguaia, durante a ditadura. O coronel da reserva Sebastião Curió Rodrigues de Moura, conhecido como major Curió, foi acusado nas três ações, além de ser citado em outras denúncias. 

Os militares são denunciados por homicídio qualificado e ocultação de cadáveres dos opositores do regime militar Lúcia Maria de Souza, Dinaelza Soares Santana Coqueiro e Osvaldo Orlando da Costa.

Segundo o MPF, as penas pelos crimes podem chegar a 33 anos de prisão para cada assassinato, uma vez entendido que os atos foram cometidos por motivo torpe, emboscada, emprego de tortura, abuso de poder e contra vítimas que estavam sob proteção das autoridades. 

A Força-Tarefa (FT) Araguaia, do MPF, também solicitou à Justiça que os acusados sejam obrigados a indenizar as famílias das vítimas e que percam as aposentadorias e condecorações recebidas durante a carreira. Requereu, ainda, a oitiva antecipada das testemunhas, em decorrência da idade avançada das vítimas.

A Guerrilha do Araguaia foi um movimento do Partido Comunista do Brasil contrário ao regime militar, que atuou entre os anos de 1967 e 1974. A guerra entre ativistas e militares aconteceu entre a divisa dos estados de Goiás, Pará e Maranhão. O combate deixou mortos 67 opositores à ditadura. Até hoje, 58 corpos continuam desaparecidos.

Major Curió foi denunciado nas três ações do MPF. Pelo assassinato e ocultação de cadáver de Lúcia Maria de Souza, conhecida como Sônia, Curió é denunciado junto com Lício Augusto Maciel e José Conegundes do Nascimento. 

Já no caso da morte e ocultação do corpo de Osvaldo Orlando da Costa, o Osvaldão, Curió é acusado ao lado de João Lucena Leal, João Santa Cruz Sacramento, Celso Seixas Marques Ferreira e Pedro Correa dos Santos Cabral. 

No processo de investigação da morte de Dinaelza Soares Santana Coqueiro, a Maria Dina, a acusação recai apenas sobre Curió.

Com as novas ações, o MPF soma nove denúncias oferecidas à Justiça desde 2012 por crimes na Guerrilha do Araguaia. São seis denúncias pelos assassinatos de nove opositores, duas denúncias pelo sequestro e cárcere privado de seis vítimas e uma denúncia por falsidade ideológica. Sebastião Curió foi acusado em seis denúncias e Lício Augusto Maciel em três.

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1 comentário

  1. Não vai dar nada,tantos imbecis cairam na lábia da Anistia,como me disse um amigo quando fui visita-lo na prisão:-“Essa porcaria só interessa aos exilados e aos militares,nós estamos presos,condenados e prestes a sair”.

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