O general Pazuello não é bobo, mas também não é esperto nem tem estatura, por Luis Nassif

Teria montado o Business Inteligence para uso pessoal, para estudar os melhores ângulos das notícias, inclusive como arma estatística a favor do governo federal e contra os governos estaduais. E se precipitou tirando o site antigo do ar, acatando a ordem de Bolsonaro.

Vamos compor  melhor o perfil do general Eduardo Pazuello.

Bobo, não é. Não é terraplanista como Abraham Weintraub, nem idiota como Ernesto Araújo.  O BI (Business Inteligence) que está montando no Ministério da Saúde é parrudo, pelo que se depreende da exposição feita na Câmara e na reunião factoide de Bolsonaro, para consumo público. 

Por tudo isso, sua desculpa para a crise dos dados – “problema de comunicação” –  não bate. Que problemas de comunicação o teriam motivado a suspender a página do Ministério da Saúde com os dados diários, tirando o Brasil do mapa da União Europeia e da Universidade de John Hopkins, gerando desconfianças universais sobre o sistema de saúde brasileiro? Ou divulgando a intenção de mudar o modo de contabilização do Covid-19, aguardando o registro final da morte, e não o dia da comunicação?

Explicou que o Ministério está desenvolvendo um novo sistema de informações, muito mais completo. Mas qual a razão, então, de suspender completamente os dados que eram apresentados anteriormente? Nenhuma.

Alguém poderia alegar que foi ordem de Jair Bolsonaro, para não dar destaque para anúncios de mais de mil mortes diárias. Lembre-se, a propósito, de Bolsonaro fazendo “fusquinha” como um moleque, do fato das informações passarem a ser divulgadas após o Jornal Nacional. Se foi isso, retire-se a marca de bobo da testa de Pazuello, e carimbe-se a de subalterno, do militar de baixa dimensão disposto a cumprir qualquer ordem, mesmo aquelas sem pé nem cabeça, pela incapacidade de se fazer ouvir pelo chefe.

Tivesse alguma envergadura, teria alertado Bolsonaro sobre as consequências:

  • escândalo mundial, comprometendo ainda mais a péssima imagem de Bolsonaro no mundo;
  • impossibilidade de esconder os dados, que são gerados pelas Secretarias Estaduais de Saúde;
  • facilidade de outras instituições substituírem o Ministério da Saúde, como referência de dados.

Antes que a semana começasse, o Supremo Tribunal Federal tinha ordenado a volta dos dados originais. 

Qual a hipótese mais plausível para essa trapalhada?

As informações são públicas e geradas pelas Secretaria do Estado. Se todo mundo tem acesso às informações, o diferencial é a maior ou menor capacidade de trabalhar os dados. Por isso, a hipótese mais plausível é que o general – que não é bobo, mas é submisso – teria montado o BI para uso pessoal, para estudar os melhores ângulos das notícias, inclusive como arma estatística a favor do governo federal e contra os governos estaduais. E se precipitou tirando o site antigo do ar, acatando a ordem de Bolsonaro.

Depois, para se defender, Pazuello foi obrigado a revelar todas as informações contidas no próximo Banco de Dados, com muito mais riqueza de detalhes. Revelando, não poderá voltar atrás: elas terão que ser públicas e disponibilizadas para o público.

Ou seja, bobo, Pazuello não é; mas esperto, também não.

 

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