4 de junho de 2026

Lula devolveu a Moro uma importância que já não existe mais, por Luis Felipe Miguel

Deixado à própria sorte, ele terminará seus anos de senador despontando para o anonimato, como diria Nelson Rodrigues.
Reuters

Lula devolveu a Moro uma importância que já não existe mais

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por Luis Felipe Miguel

Lula errou feio em suas últimas falas sobre Sérgio Moro. Errou na entrevista ao 247, ao expor a compreensível raiva que sentia por ter sido vítima da desonestidade do juiz, sem levar em conta o uso que a direita daria de suas palavras. E errou mais ainda ao dizer que o plano assassino do PCC era provavelmente uma armação do próprio Moro, reconhecendo, na própria fala, que não tinha provas para fazer a acusação.

O timing da operação é estranho? Sim. A juíza paranaense, cúmplice de Moro, que está tocando o processo não teria competência para tal? É o que dizem os juristas.

Mas não cabe ao presidente da República levantar especulações sobre o caso. Lula podia ter dito apenas que, no seu governo, é prioridade garantir a integridade física de todas as pessoas, que a Polícia Federal age sem viés político ou que esperava que a investigação fosse levada até o final.

O problema não é que ele tenha permanecido com “discurso de palanque”, como disseram alguns jornalistas.

É que ele devolveu a Moro uma importância que ele não tem mais. Como se um senador medíocre pudesse ser antagonista do presidente.

Hoje, todos sabemos quem é Sérgio Moro: um sujeito inculto, de poucas luzes, não muito inteligente ou articulado, capaz apenas de uma esperteza de fôlego curto.

Deixado à própria sorte, ele terminará seus anos de senador despontando para o anonimato, como diria Nelson Rodrigues.

Não cabe a Lula dar destaque a ele. Lula deve ser cioso da distância que hoje os separa.

E, se há mesmo suspeita de que houve armação, é melhor deixar a investigação andar, para, no momento certo, denunciar com provas, não apenas com convicções.

Luis Felipe Miguel é professor do Instituto de Ciência Política da UnB. Autor, entre outros livros, de O colapso da democracia no Brasil (Expressão Popular).

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. A publicação do artigo dependerá de aprovação da redação GGN.

Luis Felipe Miguel

Luis Felipe Miguel é professor do Instituto de Ciência Política da UnB. Autor, entre outros livros, de O colapso da democracia no Brasil (Expressão Popular).

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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2 Comentários
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  1. Paulo Dantas

    25 de março de 2023 11:51 am

    Falta ao Lula, creio eu, um “Grilo Falante” na equipe, pois parece ter somente clark, o pessoal mesmo do 247 bateu palmas para a fala desastrada.

    Falta alguém para trazê-lo de volta à realidade.

    Ele não pode repetir o cercadinho do seu Jair.

    https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Grilo_Falante

  2. Ernesto

    26 de março de 2023 11:56 am

    O ostracismo de Moro não interessa ao Brasil, assim como o esquecimento dos algozes nazistas não interessou às vítimas do holocausto. O estrago feito tem que ser rememorado como algo que não deve e não pode se repetir. Não se pode passar o pano sem arriscar q a farsa se repita.

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