10 de junho de 2026

Prudência e coerência, por Mário Ramos

Todas as lideranças responsáveis têm o dever de evitar manifestações de rua neste momento, para promover o prosseguimento da mobilização política por meios virtuais e através de iniciativas institucionais.
Foto Uol

Prudência e coerência

por Mário Ramos

Na minha humilde opinião, o momento atual exige máxima prudência.

Manifestações de rua na conjuntura presente implicam em grande risco de provocações e factóides serem usados para alavancar iniciativas golpistas.

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Os relatos sobre ocorrido na Avenida Paulista descrevem uma modalidade conhecida de abuso policial, em que a tropa da polícia lança bombas de gás, spray de pimenta e balas de borracha contra manifestantes pacíficos e a partir daí surgem várias provocações e vandalismo. Isto é algo visto desde 2012/2013, e tem se tornado recorrente.

Assim, não é recomendável abrir este flanco de vulnerabilidade, inclusive pelo fato de que no mundo de hoje, é mais eficaz e segura a militância virtual e alternativa.

A utilização organizada das redes sociais e demais meios de comunicação eletrônica, aliada a panelaços amplamente agendados podem gerar efeitos surpreendentes.

Além disso, a organização efetiva de uma frente democrática suprapartidária deve ir além das notas e manifestos, precisa mobilizar de fato as instituições democráticas para promover o amplo debate dos fundamentos que devem embasar o urgente afastamento do presidente da república, bem como a realização de novas eleições gerais.

As provas já formalizadas do uso de fake news nas eleições de 2018 são mais do que suficientes para decretação de nulidade do pleito e realização de novas eleições, os inúmeros crimes de responsabilidade de Bolsonero são graves o bastante para tornar inevitável o impeachment, e na medida em que exista pressão política, organizada e institucional, o legislativo e o judiciário vão perceber que o melhor para todos é a efetiva vigência da legislação e da constituição, para salvar a democracia.

Para tanto, é preciso preservar e ampliar a militância virtual, utilizar meios alternativos tipo campanhas de emails, e mobilizar as instituições representativas da sociedade com vistas a cobrar das instituições estatais o respeito às normas constitucionais.

Nesta medida, a fim de preservar meios adequados para o afastamento de Bolsonaro e para realização de novas eleições, todas as lideranças responsáveis têm o dever de evitar manifestações de rua neste momento, para promover o prosseguimento da mobilização política por meios virtuais e através de iniciativas institucionais.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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4 Comentários
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  1. jucemir r. da silva

    6 de junho de 2020 3:50 pm

    Todas as lideranças responsáveis, inclusos e principalmente os políticos que se dizem de esquerda, têm o dever de ir às ruas neste domingo.
    A presença deles na linha de frente, enquanto figuras de destaque, certamente seria um fator a dissuadir violências por parte do desgoverno Bolsonaro.
    Que mostrem serviço além de assinar manifestos que não passam de inócuas notinhas de repúdio.

  2. Paulo Robério Ferreira Silva

    16 de junho de 2020 6:59 am

    Dizer que o “compartilhamento de tradições moldadas durante século no país de origem (no cado do Brasil), é, na verdade, erguer outra estátua simbólica em homenagem aos genocidas. O ser humano está no território brasileiro há milhares de ano. No Vale do Rio São Francisco, por exemplo, a pelo meno 12.000 anos. E nossas tradições vêm, em expressiva medida, das sofisticadas formas de vida e tecnologias que criaram.

  3. Paulo Robério Ferreira Silva

    16 de junho de 2020 7:01 am

    Tenho acompanhado e gosto muito dos textos. No entanto, dizer que o “compartilhamento de tradições moldadas durante século no país de origem (no cado do Brasil), é, na verdade, erguer outra estátua simbólica em homenagem aos genocidas. O ser humano está no território brasileiro há milhares de ano. No Vale do Rio São Francisco, por exemplo, a pelo meno 12.000 anos. E nossas tradições vêm, em expressiva medida, das sofisticadas formas de vida e tecnologias que criaram.

  4. Leonardo Ramos

    21 de junho de 2020 1:15 am

    Bom texto, boa análise deste momento!

    O momento realmente requer cautela, no entanto mesmo com ações diárias na batalha virtual travada dia a pós dia em redes sociais, não reflete o impacto que tem o povo nas ruas, cobrando e querendo seus direitos, e a garantia primária a saúde e dignidade, principalmente neste momento de Pandemia pelo Cobid-19.

    Precisamos sim, respeitar o isolamento social, porém não podemos com isso nos esconder da batalha pela democracia atrás dos computadores e celulares.

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