Serra está equivocado quando fala da Petrobras, por Paulo César Lima

Por Paulo César Lima

Ao contrário do que o Senador José Serra disse em seu artigo “O petróleo e as moedas imaginárias” publicado hoje em dois jornais de grande circulação, a dívida por barril de petróleo produzido da Petrobras não é 360, mas 192,2, de acordo com o Relatório de 2014. Além disso, a média das outras três maiores empresas de capital aberta é maior que 60. A Shell, por exemplo, apresenta uma relação de 102,6, conforme mostrado na Figura 1 abaixo.

Figura 1

A dívida por barril de petróleo produzido da Petrobras é mais alta porque, ao contrário dessas empresas, foi a única que aumentou sua produção entre 2006 e 2014, conforme mostrado na Figura 2. Além disso, a Petrobras é a única que vai mais que triplicar suas reservas, passando de 16 bilhões de barris para 48 bilhões de barris. Nenhuma empresa triplica suas reservas sem grandes investimentos em exploração e sem aumento da dívida.

Figura 2

Conforme mostrado na Figura 3, as reservas da Petrobras são muito maiores que as reservas dessas outras empresas. Dessa forma, é interessante a Figura 4 que mostra a relação entre a dívida e a reserva.

Figura 3

Conforme mostrado na Figura 4, apenas a ExxonMobil apresenta uma relação dívida/reserva menor que a da Petrobras.


 

Figura 4

Conclui-se, então, que a Petrobras apresenta uma dívida absolutamente compatível com suas reservas potenciais e com sua possiblidade de crescimento da produção, que no Plano de Negócios e Gestão 2014-2018 era 4,2 milhões de barris de petróleo por dia – mmbpd em 2020. A alternativa para a Shell, por exemplo, foi comprar a BG para se tornar parceira da Petrobras no Pré-Sal e aumentar suas reservas e sua possibilidade de aumento da produção. Isso ilustra bem o potencial do Pré-Sal brasileiro. Infelizmente, a atual diretoria da Petrobras reduziu a estimativa de produção da Petrobras para 2,8 mmbpd.

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10 comentários

  1. José Serra está certo num

    José Serra está certo num ponto.

    Para ele o dinheiro da Petrobras é e continuará sendo apenas virtual.

    Real mesmo será a montanha de dinheiro que ele receberá da Chevron para liquidar nossa petrolífera e suas reservas no litoral.

    Simples assim.

  2. Por isso a necessidade de

    Por isso a necessidade de manter o regime de partilha.

    Manter o ritmo de exploração adequado ao preço.

    Não adianta acelerar a exploração com a empresa sem caixa para suprir pelo menos 30%, estipulado pela lei, e o lucro baixo.

    O preço do petróleo não permanecerá nesses patamares.

    Haverá tempo para investir.

    O problema é o governo querendo fazer superavit por causa da dívida.

  3. Comparar dívida atual, cujos

    Comparar dívida atual, cujos juros são cobrados hoje, com reservas de petréleo, cujo custo de exploração ainda é incerto e são necessários muitos investimentos para se viabilizarem.

    Que coisa mais absurda.

    Não é porque o Serra escreveu bobagem que isso dai é certo.

    • E como você chegou a

      E como você chegou a conclusão de que nada das dívidas de hoje está sendo investido para justamente explorar estas reservas ???

      A realidade é que estas dividas foram feitas justamente para explorar as reservas que você quer esquecer e tirar da equação… Alienado !

  4. $$$ !

    A dívida por barril de petróleo produzido da Petrobras é mais alta porque, os piores ladrões que a assaltam desde o século passado (especialmente sob a égide do rapinante fhc) estão soltos. E como ratos articulam secretamente pelos subterrâneos, à maneira como agem os criminosos.

    Essa reportagem do sanguessuga, é para tentar desviar a atenção daqueles que querem que seu nome seja investigado na tal lava jato. ( basófia ao estilo de ditador como fh, de que a melhor defesa é o ataque)

     

     psdb, o maior partido de oposição ao Brasil, segundo declaração dos mesmos!

  5. O Daniel lá em cima diz que

    O Daniel lá em cima diz que não pode comparar a dívida da Petrobras com as reservas de Ppetróleo. Mas as dívidas não serão quitadas imediatamente, tem prazo. Até a emissão de papeis com prazo de 100 anos com um juros mais alto, foi feito para ser quitado antecipadamente. Entao podem ser comparadas sim. As reservas da Petrobras são então utilizadas como lastro, como o ouro no caso do tesouro de um país. E no fundo o que se tem interesse em vender é o petróleo, a Petrobras é só o troco. Alguém acha que as estrangeiras estão interessadas nos trabalhadores brasileiros???

  6. Carta aberta aos

    Carta aberta aos senadores…Manifesto de um cidadão: (PLS) 131/2015. “Prezados senhores senadores, venho através deste, como cidadão, me manifestar a respeito do Projeto de Lei do Senado (PLS) 131/2015 de autoria do senador José Serra, que extingue a obrigatoriedade de participação da Petrobras como operadora única na exploração de campos do pré sal. Em sua justificativa, o senador agride a Petrobrás, afirmando ser ela uma “empresa endividada, que apresenta sérios problemas de gestão, está inundada por denúncias de corrupção e com enorme dificuldade de geração de caixa”.

    A Petrobrás tem, hoje, cerca de R$ 68 bilhões em caixa; a Companhia é líder mundial na exploração / produção de petróleo em águas profundas; em apenas 8 anos já está produzindo, no pré-sal, mais de 700 mil barris de petróleo dia. (1). No Golfo do México foram necessários 20 anos para atingir a marca de 500 mil barris, e no Mar do Norte 10 anos, em período inferior a esse, já estamos produzindo 700 mil barris. E com um fato inegável e que vai na contramão das justificativas apresentadas pelo (PLS) 131/2015: Enquanto no Mar do Norte e no Golfo do México haviam várias empresas explorando, no Brasil a Petrobras é operadora única, e mesmo assim foi muito mais eficiente (2).

    Apenas no primeiro trimestre de 2015 já foram investidos pela Petrobras aproximadamente US$ 5 bilhões de dólares na exploração de petróleo no Brasil (1). Em 3 meses, prezados senadores, a empresa investiu na exploração do petróleo nacional mais do que a multinacional Shell em 15 anos de operação no Brasil. “Desde 1998, a Shell já investiu mais de US$ 4,4 bilhões em sua atuação de upstream no Brasil.” (3)

    Com relação ao citado “endividamento” da Petrobras, é extremamente necessário contextualizá-lo. Ora senhores senadores, este endividamento esta diretamente ligado ao aumento expressivo de investimentos da Petrobras nos últimos anos, investimentos esses que já estão dando retorno, como mostram os dados citados acima a respeito de recordes na produção do pré-sal. Além disso senhores, há uma omissão grave no cálculo do endividamento da Petrobras através do percentual de alavancagem, segundo o PhD na área de petróleo e gás, Paulo César Ribeiro Lima, deveriam ser contabilizados no patrimônio liquido da companhia os barris de Petróleo que foram cedidos a empresa através da cessão onerosa, mesmo utilizando um valor de barril muito menor do que o valor de mercado, pelos recursos estarem ainda “in situ”, inexplorados, o patrimônio liquido da empresa poderia triplicar, diminuindo e muito o percentual de alavancagem e dando uma situação mais realista da empresa hoje.(4) Situação que hoje distorcida, esta sendo utilizada para justificar uma medida que prejudica o país e a empresa.

    Se não bastam esses fatos reais apresentados acima, que desmistificam e contrapõe as justificativas apresentadas para a aprovação do (PLS) 131/2015, ainda temos outros motivos de ordem financeira para o país. Segundo estimativa da Associação dos Engenheiros da Petrobras o país poderá perder cerca de US$ 12 trilhões de dólares ao retirar da Petrobras a responsabilidade pela operação única da exploração do Pré Sal (5). De acordo com o vice-presidente da AEPET, Fernando Siqueira, somente em royalties o Brasil deixaria de arrecadar US$ 1,8 trilhão. Isto porque as fraudes na medição do petróleo extraído e nos custos de produção costumam ficar entre 30% e 50% do que é produzido, algo que não acontecerá se a Petrobrás continuar no controle. “O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), a quem caberia a função de fiscalizar, já se mostrou omisso”, resumiu, acrescentando que a Petrobrás como operadora única garante também o domínio da tecnologia e incentiva a inovação, que garantiu prêmios e recordes à Companhia.(5)

    Como se vê senadores, há uma perda financeira enorme para o Brasil, e não somente financeira, mas tecnológica, pois com a operação única a inovação da Petrobras, já amplamente premiada mundialmente, é incentivada, gerando conhecimento no país, e por consequência empregos de maior qualidade e desenvolvimento científico que é fundamental para a melhora da competitividade do país.

    Tão gigantescas como são, as perdas financeiras e tecnológicas não estão sozinhas. Há um componente estratégico enorme nessa questão. Em primeiro lugar, senadores temos que analisar o mercado mundial de Petróleo para entendermos melhor a questão. Estamos num contexto de baixa nos preços mundiais do Petróleo, muito por conta da inundação do mercado mundial pelo shale oil, proveniente de areias e rochas betuminosas da America do Norte, esse óleo altamente poluente tem custos altíssimos de produção, tanto financeiros como ambientais, muito acima dos custos do pré sal. O custo de extração da Petrobras está em US$ 9,00 por barril no pré-sal (6), enquanto o shale oil tem custo entre US$ 60 e US$ 80 o barril (7). Para o PhD na área de petróleo e gás, Paulo César Ribeiro Lima, este custo é factível pois é possível recuperar a mesma quantidade de barris de óleo por dia no pré sal com muito menos poços, do que normalmente ocorre em outras áreas semelhantes. “Isso aqui é um verdadeiro tesouro”, afirmou. (4)

    Como dita a lei da oferta e da procura, quanto maior a oferta menor o preço, e com o preço do barril girando em torno de US$ 60, o shale gas fica inviabilizado. Ora senadores, se estão inviabilizadas as principais reservas a disposição das grandes petroleiras internacionais, é lógico que eles se voltariam as reservas brasileiras. E seria do nosso interesse jogar ainda mais petróleo no mercado neste momento através da abertura da exploração a empresas estrangeiras ?? A reposta é óbvia demais para ser ignorada senadores, ao fazer isso estaríamos diminuindo ainda mais o preço do barril e perdendo boa parte do importantíssimo dinheiro de nossas reservas petrolíferas ao monetizá-lo de forma precipitada e incorreta.

    Temos que controlar o ritmo da exploração de nossas reservas para monetizá-las de forma correta e gerando o maior beneficio financeiro possível senadores. Essa é uma lição estratégica básica aprendida a 40 anos atrás pelos países árabes quando da criação da Opep no chamado choque do Petróleo. E é uma lição que estaremos ignorando completamente ao aprovarmos o (PLS) 131/2015. É estratégico para o Brasil que o governo dite o ritmo da produção de petróleo, algo que somente a Petrobrás atuando como operadora única iria cumprir.

    Essa é uma verdade que não pode ser ignorada, e o exemplo da Indonésia é extremamente claro para exemplificar a questão estratégica do controle do ritmo da exploração. O país asiático abriu totalmente suas reservas a exploração por empresas estrangeiras, e hoje importa petróleo, depois que suas reservas foram quase que completamente exauridas pelo ritmo não controlado da exploração das multinacionais. O México também é outro exemplo de exploração predatória que prejudicou o país. Nas palavras do professor da UFRJ, Carlos Lessa, “A Indonésia foi membro da Opep, exportou a US$ 2 o barril; com o esgotamento de seus campos, passou a importá-lo, em julho de 2008, a US$ 147 dólares o barril. O México viu ¾ de suas reservas de petróleo desaparecerem, após a renegociação de sua dívida externa. Houve a exploração predatória dessas reservas e o México corre o risco de se transformar em importador de óleo.” (8)

    Com tudo que foi explanado senhores senadores, acredito que fica cristalino que a aprovação do (PLS) 131/2015 não se justifica e compromete o debate democrático, na profundidade que o tema merece. Não há necessidade de se realizar novos leilões porque os campos em operação e em desenvolvimento são suficientes para atender e desenvolver o mercado interno e ainda exportar quantidade suficiente de Petróleo para garantir a monetização inteligente e benéfica de nossas reservas. Uma que reverta a maior parte de recursos possíveis para a educação e saúde, conforme aprovado pelo congresso.

    Logo, não há necessidade ou ganho em se alterar a lei. Esta pauta atende apenas ao interesse das multinacionais do petróleo que viram suas reservas não convencionais se inviabilizarem.

    E o que é mais estranho prezados senadores, é que houve vazamentos de relatórios da inteligência dos Estados Unidos da América, que sugeriam que conversas a respeito do atendimento de interesses destas multinacionais por políticos brasileiros já acontecem há algum tempo (9). Com certeza, os congressistas brasileiros que apoiarem tal projeto, depois das vastas contrarrazões expostas aqui, estarão sujeitos ao juízo da opinião pública a luz dos vazamentos citados acima.

    Se não bastasse tudo o que foi colocado, a AEPET ainda listou outras questões objetivas que tiram qualquer dúvida a respeito da necessidade de manter a Petrobras como operadora única do pré-sal no documento “As 14 principais razões porque a Petrobrás deve ser a operadora única do pré-sal”. (10)

    1: http://investidorpetrobras.com.br/pt/central-de-resultados/1t15.htm2:http://www.petrobras.com.br/fatos-e-dados/mais-uma-conquista-no-pre-sal-https://www.portosenavios.com.br/noticias/ind-naval-e-offshore/20987-shehttp://jornalggn.com.br/noticia/o-custo-da-extracao-no-pre-sal-e-o-verdahttp://site.aepet.org.br/noticias/preview/12599/Pas-perde-at-US-12-trilhhttp://exame.abril.com.br/negocios/noticias/petrobras-preve-queda-no-cushttp://br.reuters.com/article/businessNews/idBRKBN0JT1VK201412158:http://www.presal.org.br/artigos.php?id=1709:http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/wikileaks+eua+estavam+preocupados+chttp://jornalggn.com.br/sites/default/files/documentos/as_principais_raz… Meus mais sinceros cumprimentos, Atenciosamente, Paulo Cezar

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