Aras descobriu 50 mil documentos escondidos da Corregedoria do MP

"Não podemos aceitar, pelo menos na nossa gestão, que haja grupos que tenham processos sigilosos, encobertos por uma fatia do nosso sistema, que só descobrimos agora"

Jornal GGN – O procurador-geral da República, Augusto Aras, revelou ter descoberto recentemente a existência de 50 mil documentos que foram “escondidos” da Corregedoria do Ministério Público Federal. A declaração ocorreu na noite de terça (28), durante um debate promovido pelo grupo Prerrogativas no Youtube.

No encontro com advogados renomeados, Aras também revelou que a força-tarefa de Curitiba tem dados, sem nenhum controle externo, sobre 38 mil pessoas, e falou da possibilidade dessa base ser usada para “chantagem ou extorsão”.

O PGR também foi questionado sobre a polarização dentro do MPF e a falta de punição, pelo Conselho Nacional do Ministério Público, em relação aos procuradores de Curitiba, expoentes do “lavajatismo” – que, para ele, precisa ser corrigido e encerrado.

Aras defendeu no debate a “divisão de tarefas no que toca as atividades de investigação e acusação penal pelos membros do MP.”

Segundo ele, a “experiência das forças-tarefas teve suas vantagens, não se duvida disso. Mas como tudo que ganha o ‘ismo’ no final, o lavajatismo termina por apresentar algumas dificuldades”, que poderiam ser superadas com a centralização da coordenação das forças-tarefas, um modelo que está em desenvolvimento.

Na mesma toada, Aras comentou sobre a divisão dentro do MPF e falta de transparência na Lava Jato. “Não podemos aceitar, pelo menos na nossa gestão [na PGR], que haja grupos que tenham processos sigilosos, encobertos por uma fatia do nosso sistema, que só descobrimos agora, há menos de 15 dias”, disparou.

“Não podemos aceitar ter um ‘MPF do B’ ou coisa parecida. Que tenhamos processos escondidos da Corregedoria, que tenhamos 50 mil documentos invisíveis à Corregedoria e que só agora foram descobertos.”

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Segundo Aras, a Corregedoria vai apurar os responsáveis por omitir os documentos. Além da insubordinação e falta de transparência, ele criticou a falta de isenção nas metodologias da Lava Jato. Ele citou como exemplo a notícia de que a força-tarefa de São Paulo estava distribuindo processos de acordo com a vontade de cada procurador.

“O MPF, mesmo quando acusa, tem que se imparcial ao fazer juízo de valor técnico, não juízo de valor ideológico, pré-determinado ao resultado que não seja o da verdade real”, defendeu Aras.

Apesar de ter participado do debate por 2 horas, o PGR não entrou no mérito das reclamações contra os procuradores de Curitiba nem comentou a morosidade dos julgamentos no Conselho Nacional do MPF.

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1 comentário

  1. Ex-juiz “Moro” transparente que condenou o ex-presidente (Lula) 100% inocente: Continuamos clamando por justiça a ser feita com o criminoso comprovado pela INTERCEPT de glenn Greenwald ex-juiz-“Moro” é descumpridor da CF/88. Ate quando vamos ver este criminoso solto?

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