Datafolha mostra queda de 15% dos otimistas com a economia no governo Bolsonaro

Esta é a primeira vez que instituto capta uma piora nesse tipo de expectativa no início de um primeiro mandato de presidente da República. Brasileiro também está mais pessimista em relação ao desemprego, inflação e poder de compra

Guedes ao lado de Bolsonaro no Fórum Econômico de Davos Foto: Agência Brasil/PR/Alan Santos

Jornal GGN – Segundo a pesquisa Datafolha mais recente, o otimismo da população com a economia voltou a cair. As vésperas da posse de Jair Bolsonaro (PSL), em dezembro, 65%, acreditavam que a situação econômica do país iria melhorar nos próximos meses. Em novo levantamento, o instituto mostra que 50% hoje avaliam dessa maneira – registrando uma queda de 15% nos primeiros cem dias de governo.

O Datafolha entrevistou 2.086 brasileiros a partir de 16 anos em mais de 130 municípios entre os dias 2 e 3 de abril. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Entre os que acreditam que haverá piora na economia brasileira, o proporção aumentou de 9% para 18% no mesmo período. O Datafolha destaca que essa é a primeira vez que o instituto capta uma piora nesse tipo de expectativa no início de um primeiro mandato de presidente da República.

O levantamento mostra ainda que a expectativa sobre a situação econômica futura dos próprios entrevistados também foi afetada negativamente. Em dezembro, 67% tinham esperança que sua vida financeira passaria por melhoras, agora 59% continuam otimistas. Já os que acham que haverá piora nas condições financeiras pessoais nos próximos meses subiu de 6% para 11%.

A primeira vez que o Datafolha coletou dados sobre a expectativa do brasileiro em relação à economia do país foi em dezembro de 1997, no primeiro mandato do então presidente Fernando Henrique Cardoso. Desde então, os registros sempre mostraram uma alta no otimismo antes da posse de novos governos.

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O instituto pontua ainda que não registrou nenhuma queda do otimismo em relação à economia após a posse dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, e Dilma Rousseff, em 2011. As vezes em que isso aconteceu, foram após as posses nas reeleições, incluindo na de Fernando Henrique.

No levantamento mais recente, além de esperar que a situação do país e a sua própria irá piorar, o brasileiro está pessimista em relação ao desemprego, inflação e poder de compra.

O Datafolha mostra que para praticamente metade (47%), o desemprego vai aumentar, contra 29% que tinham essa mesma opinião antes da posse de Bolsonaro. A proporção dos que acreditam na melhora no índice de desemprego caiu de 47% para 29%.

A confiança de que haverá uma queda da inflação recuou de 35% em dezembro para 22% em abril. Enquanto os que consideram que haverá alta na inflação passou de 27% para 45% dos entrevistados no período.

Em relação ao poder de compra, em dezembro 43% acreditavam que iria aumentar. Hoje são 34% que estão otimistas em relação ao poder de compra. O levantamento do Datafolha mostra ainda que 33% acreditam hoje que haverá piora em relação ao poder de compra, contra 18% que consideravam isso em dezembro. Por outro lado 30% avaliam que haverá estabilidade (eram 36% em dezembro).

Aumenta os que acreditam na piora da economia do país

Ao analisar o passado, 29% dos brasileiros avaliam que a situação econômica no país piorou nos últimos meses, enquanto 20% consideram que houve melhora e 51% que a situação ficou estável.

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O Índice Datafolha de Confiança, que leva em conta cinco parâmetros (desemprego, inflação, contas pessoais, situação do país e poder de compra) sofreu redução, com a queda do otimismo do brasileiro em relação à economia, assim como as avaliações do orgulho de ser brasileiro e do Brasil enquanto país para morar.

Segundo a entidade, cada um desses dois índices é calculado subtraindo-se menções negativas das positivas. Para evitar dados negativos, é adicionado no resultado o número cem: acima de cem indica otimismo, abaixo, pessimismo.

O Datafolha afirma que de dezembro para abril, o índice geral caiu de 148 pontos para 124. Isso quer dizer que confiança geral do brasileiro continua positiva e melhor do que o registrado em 2017, quando o índice de confiança esteve sempre negativo.

“O nível mais baixo do indicador foi registrado em março de 2015, momento agudo da crise política e econômica que levou ao impeachment da presidente Dilma Rousseff no ano seguinte: 76 pontos”, pontua o Datafolha.

Em relação à política, em dezembro a maioria dos brasileiros (58%) acreditava que a corrupção iria diminuir. Hoje 35% continuam acreditando nesse cenário. Ao mesmo tempo, passou de 19% para 40% (dobrou) a proporção dos que avaliam que a corrupção irá aumentar.

Eleitores de Bolsonaro mantém otimismo

Entre os eleitores de Bolsonaro, 54% acreditam que haverá queda na corrupção e 25% que houve aumento. Já entre os que votaram em Haddad, 59% ponderam que haverá o aumento da corrupção e 15% que vamos assistir a um recuo.

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O Datafolha também mostra que entre os eleitores de bolsonaro, a crença de que a economia vai melhorar permanece em 68% do grupo. Entre as pessoas que votaram no presidente 72% esperam progresso em sua vida.

Já entre os eleitores de Haddad, 30% confiam que haverá melhora na qualidade de vida, 35% que haverá piorar e 44% são otimistas em relação a própria vida, enquanto 19% ponderam que a qualidade de vida irá piorar.

A polarização segue em temas mais específicos. Para 43% dos eleitores de Bolsonaro o desemprego vai diminuir, contra 34% que acreditam que haverá aumento nesse índice.

Entre os eleitores de Haddad, 64% avaliam que a tendência é o aumento no desemprego, enquanto apenas 13% acreditam em queda.

A inflação empatou as opiniões entre os eleitores de Bolsonaro: 33% acham que ela vai cair e 31% que vai subir. Entre os eleitores de Haddad, 62% preveem alta e 9% acreditam em queda da inflação.

Os evangélicos também são mais otimistas do que os católicos em relação a situação do país e a própria vida econômica. Enquanto 57% dos evangélicos acreditam que o país vai melhorar economicamente, 48% dos católicos pensam da mesma forma. Entre os evangélicos, 67% esperam que a vida financeira irá melhorar no futuro, contra 56% dos católicos.

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