A consciência de Jair Bolsonaro é branca, negra ou inexistente?, por Fábio de Oliveira Ribeiro

Por Fábio de Oliveira Ribeiro

O racismo é um fato no Brasil. Ele tem crescido de maneira assustadora desde o golpe “com o STF com tudo”. A desigualdade econômica entre brancos e negros também é um fato. Ela tende a aumentar agora que o Estado brasileiro, controlado por neoliberais e escravocratas, começou a reduzir os investimentos nos programas sociais que atendiam os mais pobres.

Bolsonaro foi eleito enfatizando a segurança e diz que não é racista. Mas ele não foi capaz de dizer qualquer coisa sobre a insegurança em que vivem as comunidades pobres, predominantemente negras, que são assoladas pela violência policial sistemática. No imaginário do Sieg Heil Führer tupiniquim os presídios insalubres, desprovidos de assistência médica e superlotados predominantemente de negros não constituem um problema humanitário. Os quilombolas estão apavorados. Eles sabem que perderão o direito de viver em paz e de praticar agricultura de subsistência nas terras que ocupam desde tempos imemoriais.

Os discursos de Bolsonaro sugerem que durante o governo dele o racismo estrutural naturalizado se tornará uma política pública. A exclusão social e racial será acompanhada de um previsível aumento dos motins dos excluídos no campo e nas cidades e, por via de consequência, à explosão do encarceramento dos vândalos*. Os novos clientes do sistema carcerário – um coração de mãe em que sempre cabe mais alguém, como disse Bolsonaro – serão predominantemente negros.

Inspirados pelas teorias racistas, no final do século XIX, os governantes do Brasil decidiram importar camponeses europeus pobres para branquear a população do país. Na segunda década do século XXI, sob o comando de Jair Bolsonaro o Estado será obrigado a negrificar os defensores dos direitos dos negros (e dos índios também) para poder confina-los em campos de concentração ao lado das vítimas raciais do Reich bananeiro.

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O Sieg Heil Führer tupiniquim gosta de bater continência para a bandeira dos EUA. Ele disse que pretende fazer o Brasil voltar a ser como era há 50 anos. O Ministro das Relações Exteriores que Bolsonaro nomeou é um fã incondicional do american way of life. Por isso no dia da consciência negra resolvi citar autor norte-americano que há exatos 50 anos ousava acreditar que a exclusão racial e a opressão policial/judicial não eram a maneira correta de administrar uma sociedade pluriétnica.

“…a imposição efetiva da lei é apenas um começo. A história oferece muito pouco consolo para os que pensam que os agravos e o desespero podem ser subjugados pela força. Compreender não é consentir; mas a falta de compreensão é a mais certa garantia do fracasso. Os motins não são crises que possam ser resolvidas tão rapidamente quanto o deflagrar daqueles. Constituem uma situação que tem coabitado conosco há 300 anos, agora agravada e intensificada sob a pressão da vida moderna.

Nem o problema desaparecerá por si mesmo. Vinte milhões de negros americanos, cinco milhões de mexicano-americanos, cerca de três milhões de porto-riquenhos e meio milhão de índios são uma realidade. As favelas são uma realidade, como a vadiagem e a pobreza, a falta de educação e a moradia indigna e destroçada. Esperanças frustradas e desilusões são uma realidade. Sobretudo, a consciência da injustiça e a determinação apaixonada de lhe por fim são realidades irrefutáveis. Assim, poderemos enfrentar as nossas dificuldades e lutar por superá-las com imaginação e dedicação, sabedoria e coragem; ou poderemos voltar-lhes as costas – levando a efeito a repressão, aumentando substancialmente a dor humana e a discórdia civil, e deixando um problema de proporções muito mais ameaçadoras e terríveis para os nossos filhos.” (Luta por um mundo melhor, Robert F. Kennedy, editora Expressão e Cultura, Rio de Janeiro, 1968, p. 46)

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Nas últimas duas décadas o deputado Jair Bolsonaro se notabilizou por ser um inimigo mortal de qualquer programa de inclusão social. Durante os governos Lula e Dilma Rousseff ele não era parte da solução e sim uma fonte de problemas. Bolsonaro votou contra as cotas nas universidades públicas. Há alguns dias ele disse que os investimentos em educação universitária (dos pobres e dos negros) são dinheiro jogado no lixo.

Quando assume o cargo, todo novo presidente do Brasil adquire um poder imenso. Ele pode escolher se irá melhorar ou piorar as relações entre os brasileiros brancos e os “outros” brasileiros. Ao que tudo indica, Bolsonaro já escolheu não representar e/ou oprimir negros, mestiços e índios. Tudo o que ocorrer nos próximos quatro anos serão consequência desta escolha.  

 

*vândalos = vocábulo usado pela imprensa para se referir as demonstrações violentas ou não das vítimas da exclusão social. Os verdadeiros vândalos eram brancos. Portanto, ao chamar negros e mestiços brasileiros de vândalos a imprensa realiza um branqueamento conceitual que impede a Justiça de tratar os racistas que militam no jornalismo com o rigor da Lei nº 7.716/1989.

 

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3 comentários

  1. A teoria marxista permite

    A teoria marxista permite entender como funciona a sociedade, a divisão de classes, a exploração social do trabalho, etc, etc. Comunisno lembra marxismo, por isso a demonização daquele, como também a demonização de Paulo Freire.  A classe política já está domesticada, ela não coloca a questão da pemanente exploração dos excluídos, não de uma forma objetiva. Portanto, está claro que Bolsonaro tem consciência do que está fazendo e que classe ele representa.

  2. Não é racista evidentemente é

    Não é racista evidentemente é outro fakenews que sai da boca desse infeliz, né, caro Fabio? O sujeito que afirma que filho seu jamais namoraria “neguinha” porque foi bem educado e não é chegado a promiscuidade. Isso faz tempo, ele mudou? Pois bem, recentemente já na campanha afirmou que num quilombola o “afro-descendente”* lá pesava no mínimo não sei quantas arroubas.

    Portanto, o dia de comemorar a consciência negra é também o dia de perguntar aos “afro-descentes” que votaram no dito cujo afinal onde está a consciência negra deles? E é para procurar dentro de si, não no whatsapp

    *algo me diz que o coiso usar esse termo “politicamente correto” foi deboche

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