Mais do mesmo no segundo governo Lula

Os primeiros sinais indicam um segundo governo Lula sendo mais do mesmo. Toda enorme disputa verbal entre “desenvolvimentistas” e “monetaristas” se resumem a dois preços interligados: o nível dos juros e o câmbio.

Os “desenvolvimentistas” gostariam de uma taxa Selic menor e ações que impedissem a valorização adicional do câmbio. As “monetaristas” defendem um ritmo pequeno de queda de juros e pouca atuação no mercado de câmbio.

O segundo governo Lula provavelmente ficará com a segunda posição, a de manter a cautela e o crescimento manietado. Do lado do câmbio, haverá a manutenção do ritmo de aumento das reservas cambiais, para tentar segurar a apreciação adicional do real.

Note que no próximo ano prosseguirão as pressões de apreciação adicional do real. Foram afastados temores em relação a uma reversão da economia mundial; a liquiidez internacional continua abundante; e deverá prosseguir o ritmo de queda do risco Brasil. No plano comercial, a manutenção do ritmo de crescimento da China garantirá as cotações de algumas commodities brasileiras, e do nível do superávit comercial. Com esse acúmulo de fatores, só uma ação muito firme do governo nos juros, e medidas extra-mercado permitiriam uma desvalorização mais efetiva do real.

Sem essa desvalorização, o nível da atividade econômica ficará condicionada ao consumo das famílias, às margens ainda existentes para ampliação do crédito, e algum efeito antecipado do boom que se prevê na área de energia.

Reformas, se forem aprovadas, terão efeito apenas no médio prazo. Por tudo isso, não espere nenhuma mudança consistente no rumo do governo Lula. Apenas mais do mesmo, enquanto a crise internacional não chega.

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