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A contribuição portuguesa

Por João V., de Portugal

Essa formação primeva deu origem a um povo mameluco e agressivo, os bandeirantes, que caçavam índios, estenderam as fronteiras do Brasil e foram responsáveis pela riqueza de Portugal."

Portugal nunca foi rico. Houveram sim portugueses ricos, Reis e fidalgos mas não o país. A dimensão de Portugal simplesmente não permitia que, em face das potências europeias, tivesse homens suficientes para simultaneamente defender as colónias - nomeadamente o Brasil - e desenvolver a indústria burguesa. Teve que escolher. Se Portugal tivesse optado por desenvolver as indústrias burguesas (manufacturas, etc) a partir das matérias primas que recebia das colónias as demais potências burguesas concerteza que atacariam as colónias para evitar que Portugal pudesse concorrer com elas em condições mais vantajosas. Seria quase certo que o Brasil não teria chegado a 1822 com a dimensão continental que tem. Teria sido, quase de certeza, retalhado entre portugueses, ingleses, franceses, holandeses, espanhóis...

A dimensão de Portugal obrigou-o a escolher entre desenvolver a burguesia urbana comercial e manufactureira e a manutenção do Brasil. Não poderia ter ambos. No sec. XIX surgiram em Portugal inclusive vozes muito críticas desta opção, que julgaram responsável pelo sub-desenvolvimento a que o país tonha chegado. Talvez em certa medida tivessem razão...Em todo o caso, sobrou o Brasil com o tamanhão que tem e fica esse contributo para a história do mundo...

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É ISSO AÍ GALERA GENTE FINA!

 

Ora pois, pois.

A Peninsula Iberica, nos idos do sec XV, era a interface entre a Europa e a cultura árabe, além de contar com numerosa população de judeus. Além disso era  região onde permanecera muito forte a influência da cultura e leis romanas. Invadida e dominada por bárbaros germânicos, (godos e visigodos), que trouxeram o feudalismo e seus castelos, foi dominada em grande parte por arabes e mussulmanos do norte da Africa.Ainda se encontrava na guerra de reconquista para a subjugação do islâ, quando sobreveio a superação da idade média, e do feudalismo, e a formação monarquias fortes, inclusive devido à própria existência das guerras - Guerra da formação de Portugal, à custa de Castela, e guerras pelo subjugação dos dominioos árabes. Situava-se a peninsula em uma posição boa para aventurar-se ao mar, e a Africa estava alí à mão. As rotas da Europa para o extremo oriente estavam dificultadas pelo domínio otomano de Constantinopla. As noticias e possibilidades do oriente eram acessiveis dado o contato com a lingua e os conhecimentos árabes. Daí a iniciativa das navegações era um passo. A Europa Central, a Itália, eram ainda conglomerados de pequenos ducados, condados, pequenos, ou minusculos estados, sempre em guerra uns com os outros, e mesmo isso acontecia com a França e a Inglaterra, e Portugal e Espanha já tinham assentado governos centrais firmemente estabelecidos. ( consultar Alexandre Herculano, Historia de Portugal, ou Oliveira Martins,  História de Portugal).

Iniciadas as navegações, com a abertura da rota marítima para a India, Indonésia, China por Portugal, e a chegada ao Brasil, e a conquista do México e do Perú, pelos espanhois, coube a Portugal um território onde só muito tarde se descobriu ouro. Mas Portugal não poderia perdê-lo, pois havia sempre a possibilidade de encontrar afinal o Eldorado. Para mantê-lo, havia que fazer aquí alguma coisa, e isto foi a fabricação de açucar, mediante a plantação de cana. Porém a cana exigia trabalho duro, e Portugal mal tinha gente para ocupar o seu pequeno país. Daí, a escravização de indigenas, e, depois a importação de africanos. Por motivos que não nos acodem, os portugueses não tinham nenhum problema de criar familias com as indigenas e as negras, e foi assim que se povoou o Brasil, predominantemente com mestiços.

Então, se analisarmos bem, veremos que a tão caluniada colonização do Brasil, por Portugal, na verdade, por razões estritamente economicas, ou de interesse, foi uma verdadeira povoação com uma nova cultura - Tratava-se de instalar uma "agro-industria", de exportação, já que o açucar era exportado para a Europa.

Só quase duzentos anos depois do descobrimento achou-se ouro em quantidade exploravel, mas aí já tinhamos uma população, já haviamos combatido e expulsado franceses, ingleses e holandeses, e já haviamos estendido a fronteira ao Rio da Prata, e à Amazonia. O pais estava delineado, e se esboçava uma consciencia nacional.

Posteriormente, no inicio do sec. XX, por razões de miséria na Europa, recebemos milhares de europeus, entre os quais um grande contingente de portugueses, que sempre foram imigrantes exemplares e de tremenda utilidade ao pais. Também recebemos árabes, japoneses, alemaes, italianos, espanhois, etc. Já tinhamos identidade cultural forte, e se incorporaram a nossa cultura, a ponto de hoje termos Presidenta e Vice "oriundi", sim senhor. Deus é brasileiro.

 

Somos sim uma raça mestiça. Enoja-me que no último censo, que não respondi, não havia lugar onde me situar pois que os quesitos cor e raça estão misturados, inventaram uma coisa chamada parda que não sei se é cor ou raça, que não permite a nós caboclos outrora chamados mamelucos nos situarmos. A hiprocrisia do politicamente correto importado dos USA pelo FHC e outros colonizados, faz a tentativa de nos dividir em sua sociedade bi-racial que não somos. Somos sim mamelucos, caboclos,mulatos, cafuzos, brancos, negros e amarelos. Mas jamais uma sociedade bi racial onde os hipócritas politicamente corretos insistem em chamar mulatos de negros.

 

Gente ...

Que discussão chinfrim e anacrônica. Cito dois problemas. Designar um país ("Portugal") como sujeito: "Portugal" escolheu.."Portugal" fez... Segundo: Os bandeirantes "estenderam" as fronteiras do "Brasil". Isso arrepia qualquer historiador e qualquer apaixonado por História. Além disso buscar raízes culturais a partir de conceitos como "raças formadoras da nacionalidade" (ao menos é o que me parece ao "exaltar" a figura dos portugueses) é uma de um arcaísmo intelectual...Somos hoje moldados social e culturalmente muito mais por conta de uma CULTURA europeizada através dos alicerces do Iluminismo e  de uma cultura calcada no liberalismo americano do pós Segunda Guerra, do que essa herança portuguesa, que obviamente é expressa na língua e na religiosidade. Sei também que essa discussão veio nas turbulências de uma discussão anterior acerca da herança italiana. Também aquela (discussão) baseada em ignorâncias e anacronismos. O blog, a meu ver, acerta em colocar em cena esses temas.Mas gostaria  de ver opiniões mais abalizadas. Chama um historiador pra falar acerca disso. Que tal?Abraço

 

E onde está esse iluminismo europeu no samba, nas festas do Espírito Santo, onde está ele na cultura sertaneja, onde está o iluminismo europeu no movimento antropofágico, no espiritismo brasileiro, nos "africanismos",  nos ritos e mitos dos índios. Você julga que é o racionalismo iluminista, europeu, do sec. XVIII que move estes extractos culturais, que é esse racionalismo que define e move a alma profunda do povo brasileiro?  

 

Se formos pelo que você disse, nenhuma cultura é iluminista. Também não há iluminismo no blues, no vodu, no jazz. Ou no vira lusitano. Ou na tarantella. Ou nas gaitas de fole irlandesas. Nenhuma manifestação folclórica é "iluminista". A cultura não se restringe aos seus aspectos folclóricos. 

O Brasil tem sim ENORME influência do iluminismo no campo do pensamento. Desde José Bonifácio de Andrada e Silva ,pelo menos.

 

 Uai João...

Até respeito a sua posição sobre política internacional, disputa de poder entre nações e outras coisas. Mas o meu comentário era no sentido de entendermos a identidade e memória como princípios fundantes de um povo. E para isso a História é um dos melhores caminhos. Não desconheço o sincretismo cultural brasileiro. Aliás quer algo mais iluminista do que isso? Reconhecimento da diversidade? Mas atual ainda do que o intenso debate que se faz acerca de temas como o papel da educação e dos direitos humanos? Somos iluministas na essência João! Abraço e grato pela educação e inteligência com que estabeleçe o dialogo.

 

Caro Marlon,

"Somos iluministas na essência João!"

Tenho muitas reservas quanto a esta posição, assim colocada, tão taxativamente. O iluminismo, essencialmente, lançou o tema da auto-determinação por via do uso da razão, mas não esqueçamos que a razão iluminista é ainda o entendimento, quer dizer, a categorização do real por abstracções da razão. Em certa medida, é verdade que esta ideia tomou forma na academia e desenvolveu-se na ciência moderna, ciência moderna essa que é, julgo, a grande herdeira do iluminismo, tal como a fenomenologia no campo da filosofia que marcou decididamente o sec XX - Husserl e Heidegger. Embora Heidegger já seja mais do que um extensão do iluminismo. Na verdade pode ser mesmo já um ultrapassar das fronteiras do seu paradigma, porque ele já não trata de categorias ou até conceitos mas de existenciais, que enquanto tal são prévios à categoria e ao conceito, prévios, mesmo, à vontade enquanto auto-determinação fundada na razão.

Depois, ainda no campo da história das ideias, não podemos esquecer o existencialismo, onde a razão iluminista é ultrapassada pela proposta de um ser humano que se auto-determina,  e aqui participa do ideal iluminista, mas em face e em luta com forças globalizantes, para usar um termo actual, entre elas o racionalismo, tendentes à uniformização e ao ditado do abstracto sobre o concreto, ultrapassando, aqui, portanto, a proposta iluminista. A luta dos povos por se diferenciarem uns dos outros concorre com o ideal da união dos povos uns com os outros. O iluminismo acreditava que a razão uniria os povos, precisamente porque é universal e abstracta e temos aí a ONU como herdeira desta ideia. Mas os conflitos dentro da ONU mostram, desde logo, como esta abstracção iluminista não é assim tão dominante, porque a luta pela diferenciação permanece.

Eu não diria, portanto, que somos iluministas, diria que herdamos algumas ideias iluministas - entre elas, quase esquecia, a própria democracia política - mas não julgo que tenhamos descartado o mito e o simbólico, a emoção, o desejo e as formas "irracionais", quer dizer, inapreensíveis pelo discurso do entendimento,  da nossa mundividência.  

Abraço,

João.

 

Marlon,

A âmbito das considerações que coloquei situa-se naquela ampla esfera da luta pelo poder. E nesta esfera o primeiro motor é o próprio poder: como conservá-lo, como ampliá-lo, se possível ou como perdê-lo o menos possível, se necessário... Julgo que antes de falar de iluminismo é preciso levar em conta os instintos mais básicos da política, nomeadamente da política internacional, onde a disputa pelo poder é entre nações,  estes instintos podem e devem civilizar-se cada vez mais,  mas não desaparecem.

 

Meu pitaco: 

Portugal é a primeira nação de quem se pode dizer moderna no contexto histórico;

Uma nação comercial por gênese, desde suas heranças: celta, fenícia, judia e moura; logo, não guerreira ou seja, sem hábitos de tomar o dos outros à força;

Construiu o primeiro grande império comercial da história humana facilitando a permuta e portanto o desenvolvimento entre culturas tão diversas como os polinésios, os bantos e os tupis bem como indianos, chineses, árabes, etc., etc.:

Tornou-se império intercontinental sem sequer dispor de gente pra operar sua marinha mercante, quanto mais o todo da mesma marinha e uma máquina burocrática maior do que a romana, sem esquecer a necessidade de força militar dissuasiva;

Deu o azar de em 1578 ter no comando um jovem impetuoso, arrogante até, que com seu sacrifício também sacrificou a história de seu povo - de certa forma, a nossa também;

Não foi bem-sucedido na restauração de seu império tendo que ceder demais às nações que já lhe pilhavam à vontade, especialmente Holanda e Inglaterra, quase perdendo até "a jóia da coroa": a província açucareira, hoje o Nordeste brasileiro(*);

O fiasco das minas de prata(**) adiou de forma trágica o sonho de recuperação da autonomia;

Vinte e cinco anos depois quando veio o ouro das Gerais - aqui, sim, pelos paulistas - já estava dominado na prática pelo novo super-império que se formou, em grande parte, sobre os escombros do seu;

Enfim, restou administrar a coisa pequena; deixar os anéis para preservar os dedos. Portugal não desenvolveu a indústria porque não tinha mais fôlego para peitar a cada vez mais perigosa Inglaterra que, a exemplo do que faria à China depois em relação ao ópio, impôs ao império português a sua política industrial. Trocar ouro por pedaço de pano.

Também quase nunca nos identificamos com a Lusitânia simplesmente porque no momento maior da migração, esta foi feita semi-clandestinamente pelos cristão-novos, durante o domínio espanhol, ou já sob escolta das naus inglesas. As tentativas do soerguer por Pombal morreram com sua deposição.

Sem ufanismo ou qualquer tipo de puxamento de brasa à minha sardinha, já que sou brasileiro, porém calcado no que pude conhecer da história que fui atrás: Portugal é a nação responsável pelo avanço civilizatório observado desde meados do segundo milênio. O resto são detalhes. Tudo começou nas canoinhas do Infante D. Henrique.

(*) Em 1711, segundo André João Antonil em Cultura e opulência do Brasil por suas drogas e minas, em plena eferverscência nos riachos de Minas, o açúcar rendia ao ano: 2.535,142$800; o fumo, 344.650$000; ouro, 614.400$000; couros, 201.800$000.

(**) De forma mais sucinta, o drama da prata está aqui, em Paulo Setúbal, o Romance da prata. (E por que não?), aqui também.

 

Você viu bem, a meu ver, a questão inglesa. Portugal na era imperial tinha dois grande inimigos, a Espanha e a Inglaterra, que por sua vez já eram inimigos entre si. A dimensão de Portugal, também aqui, não lhe permitia de modo nenhum abrir duas frentes. Teve de escolher entre Espanha e Inglaterra. A escolha natural foi a Inglaterra, porque escolher Espanha era perder a independência e escolher a Inglaterra era perder dinheiro...

 

A cada vez que mergulho na papelada antiga (hoje em bits) meu caro João, mais me apaixono pela minha origem lusitana, sem esquecer a mistura com afros e indígenas. Sobre D. Sebastião, se não retiro uma única vírgula do que afirmo, como tu, também me afeiçoo pelo personagem, especialmente quando percebo sinais, por ecos, de sua presença no espírito nordestino interiorano do Brasil - o menos contaminado com novidades até cinco décadas atrás - de onde descendo. É impressionante a força do jovem Rei. Da mesma forma imagino o drama vivido por aquelas cortes naqueles tempos como, por exemplo o vivido por D. João III (seu predecessor, hehehehe) a administrar a confusão pos-restauração. De uma das suas atitudes administrativas uma delas está ligada diretamente à minha cidade: o primeiro cartório dela foi dado a João Manuel do Cabo, em 1700, que fora o condutor da infeliz D. Catarina Henriqueta de retorno a Portugal, depois do malogrado casamento com Carlos de Stuart e sua situação em Londres. Este que foi um dos acordos que feriu o império de morte mais uma vez, porém, do qual era impossível fugir. Antes os anéis que os dedos.

Saudade... essa coisa lusitana que pega a gente, mesmo diante daquilo pelo qual não exatamente passamos.

 

 

A propósito ainda deste estranho amor ou admiração por D. Sebastião, apesar dos custos que teve para o país talvez esta espécie de contradição seja eco do que disse Agostinho da Silva: que os portugueses reúnem em si "tranquilamente, variadas contradições impenetráveis, até hoje, ao racionalizar de qualquer pensamento filosófico."

Quem sabe é verdade que assim o seja...

 

Para uma introdução a Alcacer Quibir:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_de_Alc%C3%A1cer-Quibir

 

Sim, D. Sebastião não percebeu, ou não quis saber,  os limites das forças portuguesas. Portugal não podia estender-se mais, estava já no seu limite, mas assim foi,  foi o Rei para a aventura e custou-lhe caro. Não consigo ainda assim sentir ressentimento,  reconheço os custos para Portugal mas tenho um estranho amor por esse Rei...mesmo quando critico a sua atitude.

 

Isto aqui está uma maravilha.

Saio para ir ao supermercado e quando volto uma frase minha dentro de um contexto que pretendia mostrar a complexidade da formação da identidade paulista quase declara guerra a Portugal.

Portugal, é um caso de "quasímodo hercúleo" que enchia de orgulho meu pai. Prezado JoãoV, desculpe antecipadamente pelo hermetismo, mas é um elogio. 

Sua  influência está presente na América, África, Índia, China e Japão. Portugal só parece ser pequeno de uma visão eurocêntrica.

Mas, no post a referência a riqueza de Portugal queria apenas remeter a descoberta das Minas Gerais pelos vicentinos, os paulistas de então, e a sua importância épica e dicotômica para a formação do Brasil. Alargaram as fronteira, descobriram grandes riqueza e ao mesmo tempo caçaram e escravizaram índios. Casaram com as índias e produziram, segundo Darcy Ribeiro, um povo único. Recusavam se a ser índios já que filhos de brancos, queriam ser portugueses, mas por estes não eram aceitos já que mamelucos. Restou-lhes ser brasileiros. 

Essa é formação primeva do povo paulista. Mas ela foi completamente reformada nos sec. XIX e XX pelas imigrações e migrações internas dando origem a uma identidade ainda em formação.

 

Palavras podem ser como minúsculas doses de arsênico.

Portugal era pequeno em extensão e população, mas também o eram os Países Baixos (vulgo Holanda) e a Inglaterra (com Gales).  Talvez esta tenha ficado um pouco  mais populosa  à medida que dominava  Escócia e Irlanda. Naquela época, com grande população na Europa Ocidental, só mesmo a França e a Espanha. Outros países populosos como a Itália e Alemanha só surgiriam como nações no século XIX.

Acredito mesmo em algo parecido com o que disse Max Weber: Portugal e Espanha ficaram  amarrados culturalmente pelas idéias retrógadas do Catolicismo. A França só escapou em parte deste destino porque, devido ao Edito de Nantes, ainda teve muitos protestantes durante muito tempo, e estes formaram uma burguesia ativa nos primórdios da industrialização. Logo depois que os últimos protestantes (os huguenotes) foram expulsos, houve a Revolução Francesa, e a França foi salva. A luta pela unificação da Itália também foi uma luta contra a Igreja Católica que dominava havia vários séculos uma boa parte da península, e assim a Itália foi salva.

As elites portuguesas e espanholas aceitaram séculos de Inquisição e, quando houve uma real tentativa de modernização, apoiaram-se em décadas de fascismo com Salazar e Franco.

Portugal foi muito rico, sim. Durante mais de um século foi o grande fornecedor de açúcar brasileiro para a Europa. Quando os outros países europeus passaram a produzir açúcar nas Antilhas, descobriu-se ouro em Minas Gerais. Acho que foi Celso Furtado em Formação Econômica do Brasil (acho) que escreveu duas coisas muito interessantes. Primeiro, que o ouro do Brasil pagava as compras de tecidos da Inglaterra, portanto, a aristocracia portuguesa foi o primeiro grande consumidor de produtos da Revolução Industrial e seu grande financiador. Segundo, que a imigração de portugueses para o Brasil devido à exploração de ouro nas Minas Gerais superou durante a época colonial a emigração de espanhóis para todo o resto da América Latina. Nada mal para um país pouco povoado.

Só houve algum projeto de desenvolvimento de Portugal durante o governo do Marques de Pombal, mesmo assim baseado em monopólios para os "amigos do rei" e não na liberação de mercados para a burguesia nacional. Era fácil financiar novas atividades com o ouro que vinha do Brasil, mas que ajudou mesmo a comprar tecidos ingleses e a reconstruir Lisboa com grande fausto depois de um terremoto e maremoto que a destruiu. Esta também foi a pior época para o desenvolvimento do Brasil, aquela em que foi proibido aos brasileiros produzir tecidos, vinhos, ferro e ferramentas, além de imprimir livros. O Brasil, segundo os portugueses da época, não poderia produzir nada que competisse com a metrópole (vinho, azeite) nem com os "amigos" ingleses.

O pouco que havia de incentivo à industrialização no tempo do Marquês de Pombal, acabou quando assumiu Dona Maria I, a Louca, e mãe do nosso conhecido Dom João VI. E acabou também o ouro das Minas Gerais.

A minha impressão é que o maior período de decadência de Portugal foi justamente durante a União Ibérica com a Espanha que durou de 1580 a 1640.  Talvez nunca tenha havido nação tão poderosa na Europa moderna quanto a união de Portugal e Espanha desta época, pois também incluiu territórios na Bélgica e Países Baixos (que se rebelaram) e na Itália (Milão,  Nápolis, Sicília) além de colônias riquíssimas na América (México, Peru, Brasil, etc), na África (Angola, etc), na Ìndia, na Ásia (Filipinas, Málaca, Macau, etc). Para franceses, ingleses e holandeses, os Habsburgos (a dinastia que governava Espanha e Portugal) estava prestes a dominar o mundo. Eram ricos, mas pobres de idéiais.

O que havia de mais retrógrado na Europa formou a mais populosa e rica nação ocidental daquela época, somente para afundarem juntos na competição comercial e guerras com a Inglaterra e Países Baixos.

 

"Acredito mesmo em algo parecido com o que disse Max Weber: Portugal e Espanha ficaram  amarrados culturalmente pelas idéias retrógadas do Catolicismo."

Sim, também. A entrada da inquisição em Portugal marca decididamente, a meu ver, entre muitas outras coisas, a própria dinâmica de despovoamento do território nacional para os territórios ultramarinos - vulgo, colónias. Como se veio a perceber os portugueses não eram propriamente inclinados à sobriedade e à castidade de modo que quanto mais longe da inquisição melhor, o que resultou em quanto mais longe de Portugal melhor. Acho que nessa altura, em Portugal, só não ia embora numa caravela quem não conseguisse lugar :-)

 

caracas  ..que gente injusta

que droga descontextualizar os personagens das suas verdadeiras épocas, CONQUISTAS  e histórias, não?

maldito complexo de vira-latas  ..eita geração do politicamente correto  ..dos eternos virgens, livres de tentações, de desafios, anseios ..gente que se acha sem pecados,  candidatos a santo 

..quer dizer que o que vindo todos antigos, nada esta certo?

Tem neguim criticando os portugueses ? ..como se fosse possível a eles ter mão de obra e recursos em abundância pra dominar e pra povoar esta terra 

..como se eles, EM SEU TEMPO, tivessem alternativas, adivinhassem o futuro, e aonde poderiam chegar, com se tambem eles fossem donos das forças que conduziam os seus próprios destinos

..época em que eles, mesmo assim, com MAESTRIA, conseguiram conquistar povos nativos  no papo e na paz (ou todos aqui se esqueceram da história de Tibiriça e sua relevante contribuição pra dobrar os índios arredios ?)

verdade mesmo é que como BRASIL, chegamos aonde chegamos graças a eles num primeiro momento (depois a Rondon por ex.) ..olhamos pra trás e SIM, sim e sim, pelas nossas leis e práticas, faz tempo,  nos purgamos

ahhh  ..mas que coisa estes revisores e pinçadores de fatos  ??!!

Pois quer saber ? eu ainda acho que os portugueses foram corajosos pra cacete  ...e TENHO certeza que 99% dos que aqui hoje escrevem, do conforto de seus lares, 99% cagaria nas calças só de pensar em enfrentar um horizonte desconhecido como eles o fizeram  ..com calor, frio, medo, numa NAl que nem os brasileiros do século XX conseguiram reproduzir

PALMAS as heróis portugueses !!

..eles, que saídos da Idade Média, num tempo em que não sabiam aonde o mar iria acabar (os marujos, digo)  ..aonde não se tinha nem fósforo pra ascender duma maldita fogueira ..saídos de tempos obscuros, em época que se morria até de gripe ou escorbuto  ..vindo pra outras terras, nos deixaram esta pátria pra podermos  crescer,  amar e sonhar..

Bandeirantes  ..e o que tem eles? ..quantos morreram, enlouqueceram  ..meu Deus  ..não seria melhor perguntarmos e SE não fossem eles ?

e agora, o que todos recebem em troca?  ..uma visão míope, distante, fria, cheia de preconceitos em conceitos formulados hoje e levados praquele tempo

francamente  ..bando de mariquinhas re re re

ps - pior é ver só de um lado  ..e ver os índios, sempre bonzinhos  ..estes que ainda hoje matam crianças disformes que nascem de seus ventres  ..estes que mataram e exterminaram também de outros povos antes dos portugueses (vide botocudos, os povos samabaquizeiros)

 

 

 

Carta datada de 19 de julho de 1692 o governador do Estado do Brasil Antônio Luís Gonçalves da Câmara Coutinho escreveu ao rei sobre as extorsões que cometera Francisco Dias de Siqueira nas aldeias de índios reduzidos no Maranhão:

«Os paulistas saem de sua terra e deitam várias tropas por todo o sertão e nenhum outro intento levam mais que cativarem o gentio da língua geral, que são os que já estão domesticados, e não se ocupam do gentio de corso porque lhes não servem para nada; assim que o intento destes homens não é o serviço de Deus nem o de Vossa Majestade e com pretextos falsos, passam de uns governos para outros e se lhes não fazem mostrar as Ordens que levam. Enganam aos governadores, como este capitão Francisco Dias de Siqueira fez ao governador do Maranhão Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho, dizendo-lhe que ia a descobrir aquele sertão por minha ordem, que tal não houve nem tal homem conheço, e com este engano pedem mantimentos, armas e socorro e depois com elas vão conquistar o gentio manso das aldeias e o gado dos currais dos moradores. Com que estes homens são uns ladrões destes sertões e é impossível o remédio de os castigar, porque se os colherem, mereciam fazer-se neles uma tal demonstração que ficasse por exemplo para se não atreverem a fazer os desmandos que fazem. Assim que me parece inútil persuadi-los a que façam serviço a Vossa Majestade porque são incapazes e vassalos que Vossa Majestade tem rebeldes, assim em São Paulo, onde são moradores, como no sertão, donde vivem o mais do tempo; e nenhuma Ordem do governo geral guardam, nem as leis de Vossa Majestade.»

 

http://pt.wikipedia.org/wiki/Bandeirantes

 

 

 

Fado Tropical

Chico Buarque - Ruy Guerra

 

 

 

Oh, musa do meu fado

Oh, minha mãe gentil

Te deixo consternado

No primeiro abril

Mas não sê tão ingrata

Não esquece quem te amou

E em tua densa mata

Se perdeu e se encontrou

Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal

Ainda vai tornar-se um imenso Portugal

 

“Sabe, no fundo eu sou um sentimental

Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dosagem de lirismo...(além da

sífilis, é claro)

Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar, trucidar

Meu coração fecha os olhos e sinceramente chora..."

 

Com avencas na caatinga

Alecrins no canavial

Licores na moringa

Um vinho tropical

E a linda mulata

Com rendas do Alentejo

De quem numa bravata

Arrebato um beijo

Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal

Ainda vai tornar-se um imenso Portugal

 

"Meu coração tem um sereno jeito

E as minhas mãos o golpe duro e presto

De tal maneira que, depois de feito

Desencontrado, eu mesmo me contesto

 

Se trago as mãos distantes do meu peito

É que há distância entre intenção e gesto

E se o meu coração nas mãos estreito

Me assombra a súbita impressão de incesto

 

Quando me encontro no calor da luta

Ostento a aguda empunhadura à proa

Mas o meu peito se desabotoa

 

E se a sentença se anuncia bruta

Mais que depressa a mão cega executa

Pois que senão o coração perdoa..."

 

Guitarras e sanfonas

Jasmins, coqueiros, fontes

Sardinhas, mandioca

Num suave azulejo

E o rio Amazonas

Que corre Trás-os-Montes

E numa pororoca

Desagua no Tejo

Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal

Ainda vai tornar-se um imenso Portugal

Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal

Ainda vai tornar-se um império colonial

 

 

João V., quanto mais eu leio sobre a história, mais eu aprecio minhas heranças portuguesas! Desculpe-nos pois há um monte de tolos neste país que não sabem o que dizem. Acabei de ler um interessante e polêmico livro : 1421, O Ano em que a China Descobriu o Mundo, Gavin Menzies, ed. Bertrand Brasil. Lá se pode visualizar, a partir de outra perspectiva, o oportunismo, a coragem e a inteligência do povo português do século XV em investir na Escola de Sagres.

Já havia compreendido, há algum tempo, as razões de nossa herança cartorial-administrativa como consequência da tentativa desesperada de uma pequena nação, com menos de cinco milhões de habitantes, em manter o legado de sua enorme ousadia nos séculos XV e XVI.

Quem invoca covardia e estupidez, para o que aconteceu em 1808, não consegue perceber o terrível dilema de enfrentar Napoleão e tentar manter a metrópole perdendo o império, ou perder a metrópole e salvar o império que a sustentava. A questão do ouro perdido, foi a aposta de que haveria muito mais a descobrir...

 

a Inglaterra é maior que Portugal?

 

Tentaram a todo custo manter a integridade do país para a descoberta de metais preciosos em seu interior..

(os espanhóis já exploravam já haviam descoberto os recursos em outras bandas do continente)

E quando finalmente descobriram, transferiram os recursos para os ingleses em troca de proteção.

 

Talvez a descoberta da América tenha sido uma maldição para a Espanha e Portugal, mas de qualquer modo sempre faltaria a elite capaz de conduzir o progresso. É como nascer rico, umas famílias se arruínam porque seus filhos acham que não precisam trabalhar, mas há famílias que preservam e aumentam a riqueza que herdaram durante gerações.

 

"Essa formação primeva deu origem a um povo mameluco e agressivo, os bandeirantes, que caçavam índios, estenderam as fronteiras do Brasil e foram responsáveis pela riqueza de Portugal."

Não falei que a imigração em São Paulo começou à força? Foi assim que começou a paulistismo, e agora eles querem renegar tanto a imigração forçada de várias maneiras diferentes ao longo da  história quanto os imigrantes.

A arrogância anda de mãos dadas com a ignorância da própria história.

 

"Não falei que a imigração em São Paulo começou à força?"

Que imigração meu senhor?  Vá estudar um pouco a história do Brasil pra depois vomitar sas idiotices antipaulistas!

As imigrações começaram no final do século IXX, os bandeirantes remontam ao início da colonização no início do século XVI !!

Que antipaulista mais cretino e sem assunto!

Há 500 anos tudo era à força, meu caro! Inclusive desbravar terras selvagens e ampliar as fronteiras do país. 

Olha, menosprezar e achincalhar São Paulo não é tarefa pra cretinos e ignorantes, tem que ser muito culto, inteligente e principalmente desonesto.

 

 

 

 

Oh! Jura, não desvirtua a coisa, não.

Essa frase minha está dentro de um determinado contexto no post "Carcamanos e Comendadores" de hoje (02/01 - 07:00hs).

Vai lá e lê, depois se quiser critique.

 

Palavras podem ser como minúsculas doses de arsênico.

Como assim, os bandeirantes de lá são bonzinhos? Minha convicção é anterior e independente da sua. Elas apenas se cruzaram num determinado momento.