A dura verdade sobre o “modelo sueco”, por Hans Bergstrom

Bloqueio de “baixa escala” fala sobre a sociedade em si, mas também pode ter determinado taxas mais altas de mortalidade ante os países vizinhos

Foto: Reprodução/Reuters

Jornal GGN – A forma como a Suécia decidiu combater o coronavírus, ao rejeitar um bloqueio nacional e manter um fechamento em “baixa escala”, rendeu elogios dentro e fora do país. Mas também contribuiu para o país ter uma das taxas mais elevadas de mortalidade por Covid-19 no mundo, superando até mesmo os Estados Unidos.

“Durante os estágios iniciais da pandemia, o governo e a maioria dos comentaristas adotaram o “modelo sueco” de maneira orgulhosa”, diz Hans Bergstrom, professor de ciência política da Universidade de Gotemburgo, em artigo publicado no site Project Syndicate.

Bergstrom ressalta que o primeiro-ministro do país, Stefan Löfven, “fez questão de apelar à autodisciplina dos suecos, esperando que eles ajam com responsabilidade, sem exigir ordens das autoridades”.

Contudo, o governo do país não estruturou um modelo que fosse consistente para enfrentar a pandemia com base apenas no senso de responsabilidade cívica e, de acordo com o articulista, “as ações foram moldadas pelos burocratas e depois defendidas como se fossem o testemunho da virtude sueca”.

O modelo mostrou-se falho por pelo menos três razões: sempre haverá pessoas livres em qualquer sociedade e, quando o assunto é uma doença de alto contágio, poucas pessoas poderão causar um grande impacto.

“Além disso, as autoridades suecas apenas gradualmente tomaram conhecimento da possibilidade de transmissão assintomática e de que os indivíduos infectados são mais contagiosos antes de começarem a apresentar sintomas. E, terceiro, a composição da população sueca mudou”, pontua o articulista, ressaltando que 25% da população sueca é de descendência não-sueca, após anos de imigração da África e do Oriente Médio.

“É muito cedo para uma avaliação completa dos efeitos do “modelo sueco”. A taxa de mortalidade por COVID-19 é nove vezes maior que na Finlândia, quase cinco vezes maior que na Noruega e mais de duas vezes maior que na Dinamarca”, diz Bergstrom. “Agora que o COVID-19 está correndo desenfreado por lares de idosos e outras comunidades, o governo sueco teve que recuar. Outros que podem ser tentados pelo “modelo sueco” devem entender que uma característica definidora é um número maior de mortes”.

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1 comentário

  1. No texto, onde está escrito “ressaltando que 25% da população sueca é de descendência não-sueca” o autor provavelmente quis dizer “ressaltando que 25% da população sueca é de ASCENDÊNCIA não sueca”. Deve ter sido um erro de tradução.

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