Protestos são retomados no Peru junto à chegada de militares dos EUA

A Jornada Nacional de Mobilização Popular Permanente terá duas datas para protestos em Lima contra o governo Digna Boluarte

O mês de julho no Peru promete ser de intensas mobilizações contra o governo da presidente designada Digna Boluarte e a chegada das tropas dos Estados Unidos para “treinamentos”, cuja entrada foi aprovada pelo Congresso e pelo Executivo em maio.

Um dos dias de protestos coincidirá com a comemoração da Independência peruana, o 28 de julho. Já a outra data, 19 de julho, foi escolhida porque em 1977 o povo peruano fez uma greve que pôs fim ao governo militar de Francisco Morales Bermúdez.

A Jornada Nacional de Mobilização Popular Permanente terá nas duas datas seus pontos máximos de protestos, foi definida por organizações sociais peruanas neste domingo (2). Em Lima, o grupo se reuniu no Primeiro Encontro Nacional de Regiões e Povos Organizados.

Segundo relatos divulgados nas redes sociais, participaram do encontro delegados de todas as regiões peruanas, incluindo Puno, Cusco, Apurímac, Arequipa, Ucayali, Pasco e Junín, entre outros. 

Golpe parlamentar 

Após o golpe parlamentar contra o ex-presidente Pedro Castillo, em 7 de dezembro, o Peru se tornou palco de protestos massivos contra Boluarte, que os movimentos acusam de ser a responsável pela morte de 70 civis durante essas mobilizações.

A chegada ao Peru dos primeiros contingentes das tropas do exército dos Estados Unidos, portanto, tem gerado tensão e receio na população. Os movimentos sociais apontam uma “coincidência inquietante” da chegada dos militares com a reativação dos protestos.

Protestos anteriores 

Essa Jornada Nacional é fruto das mobilizações realizadas a partir de 7 de dezembro, nas quais também foi exigida a libertação do ex-presidente Pedro Castillo. Os participantes destacaram a urgência de recuperar a soberania do povo com a saída de Boluarte e o fechamento do Congresso.

As organizações pedem uma Constituinte, a liberdade dos detidos e justiça para os civis mortos pelo Exército e pela Polícia nas mobilizações. Este novo ciclo de protestos terá como epicentro em Lima, para onde vão representantes de organizações regionais, sindicais, estudantis, indígenas e agrárias.

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Renato Santana

Renato Santana é jornalista e escreve para o Jornal GGN desde maio de 2023. Tem passagem pelos portais Infoamazônia, Observatório da Mineração, Le Monde Diplomatique, Brasil de Fato, A Tribuna, além do jornal Porantim, sobre a questão indígena, entre outros. Em 2010, ganhou prêmio Vladimir Herzog por série de reportagens que investigou a atuação de grupos de extermínio em 2006, após ataques do PCC a postos policiais em São Paulo.

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