Considerações sobre os últimos vazamentos, por Carol Proner

A riqueza de detalhes das revelações torna a tese da adulteração cada vez mais distante, já que as tratativas entre juiz, procuradores e terceiros é confirmada pela realidade subsequente aos fatos.

Considerações sobre os últimos vazamentos

por Carol Proner

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Minha avaliação dos vazamentos de hoje (acordei 5 horas antes):

1. Importantíssimo: a Folha de São Paulo aceitou a parceria com o The Intercept Brasil, assumindo a corresponsabilidade e o compromisso em divulgar material recebido de fonte anônima. E isso não é pouco, dada a credibilidade do Jornal e o avanço das teses que criminalizam as divulgações e os jornalistas;

2. Na parceria da Folha com TIB, está claro que essa é somente a primeira revelação de uma série, reforçando o alerta de que não serve de nada negar o que poderá ser confirmado mais adiante. A parceria reafirma que o acervo inclui áudios, vídeos, fotos e documentos compartilhados no aplicativo Telegram desde 2014;

3. A Folha destacou um grupo de jornalistas para trabalhar ao lado do site e confirmar a integridade do material. A Folha afirma não ter detectado nenhum indício de que o conteúdo possa ter sido adulterado, checando até mesmo a comunicação da Lava Jato com vários jornalistas. Os envolvidos não negaram a autenticidade dos diálogos revelados, mas passaram a questionar a integridade, sugerindo que pudessem ter sido adulterados;

4. A riqueza de detalhes das revelações torna a tese da adulteração cada vez mais distante, já que as tratativas entre juiz, procuradores e terceiros é confirmada pela realidade subsequente aos fatos;

5. A cada nova revelação, aprofunda-se a combinação maliciosa entre MP e o Juiz e a comprovação da relação de comando de Moro sobre Dallagnol. Nestas últimas revelações, é nítida a subserviência do procurador e o apoio irrestrito, atuando como um “assessor pessoal”, embora munido dos poderes de Ministério Público Federal;

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6. Nesse sentido, fica evidente o frenético ir-e-vir do procurador para “acalmar as coisas” junto à Polícia Federal (o Delegado Anselmo, que teriam feito “lambança”, segundo Moro), bem como junto à Procuradoria Geral da República (Pelella e o pessoal de lá);

7. Fica evidente, nessas últimas revelações, o comprometimento da autonomia da Polícia Federal (o Delegado Anselmo se explica em relação à divulgação de planilhas publicizadas sem a intenção de comprometer a operação), da PGR (determinado parecer passaria pela revisão da Lava Jato), do Conselho Nacional de Justiça (Deltan diz que vai falar com o pessoal deles no CNJ), da Associação Nacional de Procuradores da República (que seria a articuladora junto ao CNJ);

8. É escandalosa a combinação dos tempos do processo, do prazo de denuncia do MPF para que dois processos (do João Santana e do Zwi Skornicki) pudessem “subir” (ao STF, ao Teori, para, então, desmembrar) com as denúncias já feitas pelo MPF;

9. A preocupação de Moro em acalmar o CNJ aparece claramente, bem como a correspondente atuação de Deltan por intermédio da ANPR.

10. Moro também se preocupa com a atuação do Movimento Brasil Livre – MBL, perguntando ao Deltan se tem contato, chamando-os de tontos pelo protesto em frente à casa do Teori e avaliando que “isso não ajuda evidentemente”. Deltan responde “não, com o MBL não.” Fica em aberto, teria contato com outros?

4 comentários

  1. Uma nova pista: a morte de Teori.

    Eu sei que a maioria das pessoas está ávida por novas informações, pois até agora estávamos apenas com as nossas convicções. O problema é que estamos lidando com uma máfia e não com mais um seriado do Netflix.

    Esta denúncia de hoje (23/06), por exemplo, remete a uma nova pista: a morte do juiz Teori Zavascki. Se alguém tem a memória melhor do que a do Moro, vai lembrar que Teori ia anunciar uma lista de políticos que faziam parte do esquema Odebrecht. Agora deu pra lembrar? Já dá para ligar os pontos e perceber a gravidade da nova prova-denúncia?

    Pois então, a base de dados que foi entregue aos jornalistas do Intercept Brasil possui informações capazes de revelar o modus operandi do esquema jurídico-midiático-parlamentar que assaltou o Brasil. Acredito que só vai deixar de fora o meu vizinho e a elite lá de Livramento! 😉

    Quem achar que ainda é pouco, não entendeu a disputa nacional e internacional que está em jogo. A Folha e alguns jornalistas já estão mudando de lado para não ficar de fora deste importante momento histórico.

    Portanto, mirem-se no exemplo dos jornalistas do Intercep Brasil e vamos participar desta disputa!

    #AcordaBrasil
    #MoroMentiu

  2. Não previam o poder de demolição e destruição de Moro,a Folha sempre levou e leva a melhor , quem sempre levou e leva a pior é o povo , Moro está pronto e planejando disseminar a dissimulçao pelo país

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  3. O Judiciário é o mais corrupto e corrompido dos poderes da República principalmente nas mais altas cortes
    Os MPs formam QUADRILHAS de CHANTAGISTAS para assaltar testemunhas e delatores.
    Isso é HISTÓRICO no Brasil…

  4. a lucidez dos articulistas ajudará a gente a
    compreender melhor tudo o que isso representa,
    como lembra o ricardo, em seu alerta….

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