Coluna Econômica: nos próximos dias, o mercado testará o Banco Central e o Tesouro

Nas próximas semanas, a falta de clareza de Bolsonaro em relação à política e à economia provocará maior volatilidade nos mercados. Mas nada que sugira mudanças drásticas.

Os últimos movimentos políticos indicam que Paulo Guedes foi definitivamente destronado do posto de comandante da economia. Nesse tempo todo, abusou das posições ideológicas, do suposto poder que exercia sobre Bolsonaro, dos blefes de que, qualquer desrespeito às suas ordens, significaria o fim do mundo.

Perdeu-se no dia em que se colocou no mesmo nível de Jair Bolsonaro, com a frase desastrosa que acreditava em Bolsonaro da mesma forma que Bolsonaro acreditava nele – como se o seu aval ao presidente tivesse o mesmo peso do aval do presidente a ele.

Antes disso, seu personalismo dificultou o quanto pode as tais reformas no Congresso, conduzidas pelo presidente da Câmara Rodrigo Maia. Indispôs-se com a Câmara, com os colegas de Ministério, perdeu-se na falta de objetividade das propostas, na dispersão típica de quem não tem experiência em cargos executivos.

Daqui para frente, o jogo ficará assim:

1. O comando político e econômica ficará com o general Braga Neto e com o MInistro do Desenvolvimento Regional Rogério Marinho. Haverá recursos tanto para a renda básica de 300 reais quanto para as obras do Pró-Brasil.

2. Guedes ficará alguns dias absorvendo a derrota e conformando-se com os limites impostos: os recursos não poderão sair de corte em outros programas sociais.

3. Haverá algum tipo de pressão do mercado, como a posição da UBS não recomendando títulos públicos brasileiros.

Ontem, o Banco Central transferiu R$ 324 bilhões ao Tesouro, fruto da valorização das reservas cambiais, para fazer frente à rolagem da dívida, impedindo que fique à mercê das grandes instituições. Além disso, o BC prorrogou as operações de swap com o Federal Reserva, garantindo um estoque adicional de dólares.

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Nos próximos dias, BC e Tesouro serão testados. Além do jogo de braço em torno da dívida pública, o mercado começará a utilizar as perspectivas de recuperação da economia para especular em torno da inflação futura.

A contra-ofensiva de Bolsonaro será reforçar o pacto com Rodrigo Maia pelas reformas, acelerar a privatização e as concessões previstas no PPI (Programa de Parceria para Investimentos). Com isso haverá uma queda de braço adicional, entre os campeões do mercado de títulos e os fundos interessados em avançar nos negócios abertos pela desregulação, privatização e parcerias.

Nesse imbróglio político, ainda há as investigações sobre filhos de Bolsonaro e o julgamento da chapa Bolsonaro-Mourão pelo Tribunal Superior Eleitoral, com a participação de Ministros do Supremo Tribunal Federal que já avançaram suas preocupações com as óbvias intenções totalitárias de Bolsonaro.

Nas próximas semanas, a falta de clareza de Bolsonaro em relação à política e à economia provocará maior volatilidade nos mercados. Mas nada que sugira mudanças drásticas.

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1 comentário

  1. Isso vai ser interessante. O grupo representado por Guedes deseja que todos os recursos do país sejam direcionados para o pagamento de juros da dívida pública, enquanto Bolsonaro para tentar se reeleger precisa abrir o cofre e atender os miseráveis (ele pretendia deixar os miseráveis morrerem, mas os miseráveis votam).

    E o grupo representado por Guedes é um dos dois pilares que sustenta Bolsonaro no poder e encobre os crimes dele (o outro pilar sendo o exército).

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