Natália Pasternak lembra responsabilidade de gestores

Enquanto Jorginho Mello (PL-SC) não ouve cientistas por afirmar que “eles têm um lado”, microbiologista diz que cientistas devem se posicionar

A microbiologista e pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP), Natalia Pasternak. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Jornal GGN – As negativas do senador Jorginho Mello (PL-SC) em ouvir a cientista Natália Pasternak e o médico Claudio Maierovitch por considerar que eles “têm um lado” levou Natália a lembrar da responsabilidade dos gestores públicos na CPI da Pandemia, em andamento no Senado Federal.

“Tenho materiais da imprensa que mostram que tanto a doutora Natália quanto o doutor Cláudio (…) eu não vou entrar no mérito do depoimento, mas a forma política do tratamento. Eles são literalmente adversários do governo Bolsonaro, isso está claro nas manifestações deles”, disse o senador catarinense, usando como base diversas reportagens de sites progressistas.

Quando Natália ia começar a comentar as declarações do senador, Mello a interrompeu: “Eu até não gostaria de tomar o tempo deles, eu não gostaria de saber a opinião deles porque eu já sei que é contrária ao governo, então eu respeito tecnicamente, eu já frisei isso, eu gostaria de dar o tempo para os outros senadores”.

Sobre isso, Natália comentou que não é a questão de ser adversário do governo, uma vez que o Instituto Questão de Ciência, presidido por ela, tem as políticas públicas como base – e que, quando as políticas públicas de saúde não são baseadas em ciência, é preciso se manifestar.

“E assim também todo cientista brasileiro que percebe que, quando a ciência é distorcida para promover curas milagrosas, e a ciência é ignorada no que ela pretende para controle na pandemia, nas medidas que são aprovadas pela ciência, então é uma obrigação do cientista se manifestar porque é um cientista que pode esclarecer essas questões para a população, e para gestores”, pontuou.

Natália ressalta que os cientistas precisam se manifestar quando a ciência é distorcida para embasar políticas públicas erradas. “Então, não é uma questão pessoal com Jair Bolsonaro, é uma questão com a política pública deste governo, que está sendo promovida pelo presidente da República, pela pessoa que ocupa este cargo, e que tem uma responsabilidade porque pediu para estar lá, e precisa então se responsabilizar pela mensagem que passa para a população”.

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