3 de junho de 2026

ANARRIÊ, nada como olhar para trás, ALAVANTÚ, à frente para o quê? – XXIII, por Rui Daher

Poderiam olhar pra frente, repetirem tudo o que fizeram no passado e de nada se arrependessem e mais repetissem tudo
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ANARRIÊ, nada como olhar para trás, ALAVANTÚ, à frente para o quê? – XXIII

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por Rui Daher

Principalmente, se você estiver próximo de completar 80 anos de idade. Que cazzo vai olhar para a frente? Futuro, qual, quanto, quando. Se conseguirem me digam, tô louco pra largar o viver de meu cotidiano legalista.

Lastimo os que largam tudo o que for objeto de prazer para poderem se preservar diante do que virá pela frente. A filosofia, quando malévola, os convence a participar do grupo dos contra hedonistas e, assim, justificar uma série de religiões e seitas planeta afora, que mais geram crueldades, guerras e conflitos do que alegrias, paz e convívio humano livres.

Como diz o jargão popular “esse cara morreu só esqueceram de avisar”.

Por exemplo, por que não, desde que consensual, o amor livre, aberto, matreiro, sem levar em conta se Deus, no meu caso a Natureza e Darwin, legalizou (qual instância foi incumbida do julgamento?) só a machos contra fêmeas, depois de batizados, crismados, comungados, casados, para poderem fazer amor e reproduzir essa bela espécie humana? Há seitas derivativas em que nem mesmo cortar os cabelos as mulheres podem.

Somente vale o vice-versa? E os vice-vice e versa-versa, não? Se no passado o fizeram, felicito-os e invejo aos que deu bom ou deu mal. Estes últimos, pelo menos, aprenderam a não errar de novo.

São vários os quesitos do mal futuro. Olhem pra frente e parem com as bebidas alcoólicas e comidas pesadas e gordurosas porque assim indicam os doutores médicos ou as religiões. Prescrições, ambas, a justificarem altos honorários e internações ou, os que, mesmo sem terem as armas de Jorge da Capadócia, angariam seguidores às suas crenças mercadológicas.

O que me faz escrever esta crônica que também poderia ter o título “Crônica de mortes não anunciadas”? Somente nos últimos quinze dias meu coração levou três dessas surpresas. Achei muito. Em nenhuma delas houve aviso prévio. Sobraram três “o quê, não diga?” Bobagens que saem quando não há nada inteligente e adequado a dizer.

No meu caso, quando soube de Gal Costa, foi assim. Mas ela era uma magistral celebridade, como tantas de minhas paixões que estão idosos como eu prontos para partirem sem saberem de mim comum.

Nos três casos citados acima ninguém célebre, mas o primeiro em tempo de amizade de 20 anos de negócios; o segundo, da admiração por um moleque, filho de diletos amigos meus, que apesar de adversidades a todas vencia; e o terceiro, velho como eu, que em festas, enquanto todos os convivas se divertiam, sentava-se à minha frente, na copa contígua à cozinha. Era lá que as taças de bons vinhos riam dos incautos abstêmios que perdiam os odores que chegavam do fogão às nossas alegrias.

E assim é. Poderiam olhar pra frente, repetirem tudo o que fizeram no passado e de nada se arrependessem e mais repetissem tudo o que a chatice daqueles que sugeriam fazer o que seria bom para si próprios e não pra vocês.

Façam tudo o que lhes der prazer sem coonestar o bem de seus capatazes, sicários de suas vontades, ‘cagadores de regras’ de suas alegrias presentes e Anarriês e que nada sabem de seu futuro e Alavantús.

!nté! Chamem o SAMU! Com a sirene abaixo.

Rui Daher – administrador, consultor em desenvolvimento agrícola e escritor

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