CPI levanta sigilo de 2,2 mil documentos, a maior devassa para Bolsonaro até agora, e divulga lista de investigados

Documentos sobre compra de vacinas, aquisição de insumos, crise de oxigênio e contratos da Fiocruz estão abertos ao público, diz Randolfe Rodrigues

Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado

Jornal GGN – Após deixar médicos defensores de tratamento precoce e uso off-label de hidroxicloroquina falando apenas com a base governista na sessão da CPI nesta sexta (18), os senadores Renan Calheiros (relator), Randolfe Rodrigues (vice-presidente) e Humbeto Costa (ex-ministro da Saúde) promoveram uma coletiva de imprensa paralela à oitiva e anunciaram o levantamento do sigilo de 2,2 mil documentos obtidos pela comissão. É a maior devassa promovida até agora nas comunicações do governo Bolsonaro envolvendo a resposta à pandemia de Covid-19.

São 1,6 mil arquivos do Ministério das Relações Exteriores, 97 do Ministério da Saúde sobre aquisição de vacinas e insumos, 445 documentos de empresas fornecedoras de oxigênio e quatro contratos da Fiocruz.

“Pelo voto da maioria dos seus membros, a CPI decidiu afastar o sigilo e eles já estão disponibilizados para toda a sociedade brasileira. (…) Desde a noite de ontem estão disponibilizados. Rogamos pelo apoio de vocês [imprensa e sociedade] na pesquisa desses documentos, para trazer mais informações e luz para essa comissão”, disse Randolfe.

O correspondente internacional Jamil Chade escreveu nesta manhã, em sua coluna no UOL, que se trata de “uma das maiores devassas na diplomacia brasileira” em toda a sua história. Os os documentos do Itamaraty “são considerados como uma ‘mina de ouro’ e uma rara prova material de decisões que foram tomadas desde o início da pandemia”, anotou.

Com sigilos levantados até agora, a imprensa já revelou que o governo Bolsonaro recebeu oferta de 86 milhões de doses do Covax Facility, que ainda se comprometeu a devolver o dinheiro de o Brasil mudasse de ideia. Mas o Ministério da Saúde só fechou acordo de 43 milhões.

INVESTIGADOS. A CPI também divulgou a lista de investigados pela comissão parlamentar:

  1. Elcio Franco, ex-secretário do Ministério da Saúde;
  2. Arthur Weintraub, ex-assessor da Presidência;
  3. Carlos Wizard, empresário
  4. Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde;
  5. Ernesto Araújo; ex-ministro das Relações Exteriores;
  6. Fabio Wajngarten; ex-secretário de Comunicação;
  7. Francieli Fantinato; coordenadora do Programa nacional de Imunização;
  8. Hélio Angotti Neto, secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde;
  9. Marcellus Campêlo, ex-secretário de Saúde do Amazonas;
  10. Marcelo Queiroga, ministro da Saúde;
  11. Mayra Pinheiro; secretária de gestão e trabalho do Ministério da Saúde;
  12. Nise Yamaguchi; médica
  13. Paulo Zanoto; médico
  14. Luciano Dias Azevedo, médico anestesista

REDES SOCIAIS. Os senadores também anunciaram a convocação de dirigentes do Facebook e Twitter para explicar o comportamento leniente com as declarações de Jair Bolsonaro nas redes sociais. Na noite de quinta (17), o presidente voltou a dizer que a melhor vacina contra o coronavírus é se infectar naturalmente. “É necessário que esses dirigentes de redes sociais compareçam a essa CPI. Por muito menos, nos EUA, Donal Trump foi banido nas redes sociais. O senhor presidente da República pode falar o que quiser, só não tem direito de atentar contra a ciência e a vida de brasileiros”, disse Randolfe. O requerimento deve ser votado na próxima terça (22/6).

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