10 de junho de 2026

Após 10 anos, TCU aponta legalidade em participação da BNDESPar na JBS

Em sessão extraordinária, ministros dizem não ter encontrado elementos que apontem ilegalidade ou ilegitimidade da operação
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O Tribunal de Contas da União (TCU) reconheceu nesta terça-feira (09/04) a legalidade dos investimentos efetuados pela BNDESPar no frigorífico JBS para a compra das empresas Bertin S.A e Pilgrim’s Corporation.

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O caso é um desdobramento do Acórdão 3.011/2015 – Plenário, que determinou a autuação de quatro processos para analisar operações específicas relacionadas ao BNDES e JBS. A fiscalização atende, originalmente, pedido da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados.

Entre 2007 e 2011 o Grupo J&F recebeu investimentos da BNDESPAR no valor de R$ 8,1 bilhões, o que gerou um benefício econômico de R$ 22,9 bilhões para o BNDES – sendo R$ 14,8 bilhões já recebidos e R$ 8,2 bilhões ainda investidos na JBS.

O processo original de 2015 analisou os aspectos financeiros, os critérios utilizados na escolha das empresas do setor e as vantagens sociais geradas pela operação.

De acordo com o TCU, o apoio à internacionalização da JBS pela BNDESPar integrava a Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) lançada pelo governo federal em 2008 para consolidar o Brasil como o maior exportador mundial de proteína animal; e fazer do complexo de carnes o principal setor exportador do agronegócio brasileiro.

Conforme divulgado pelo BNDES no Livro Verde, entre 2005 e 2016, o sistema BNDES, por meio da BNDESPAR apoiou mais de 17 mil unidades produtoras de proteína animal, com destaque para cooperativas agropecuárias e para grandes exportadoras.

De acordo com dados do relatório do BNDES, o retorno obtido com as ações da JBS foi de 410% entre 2011 e 2021, o que coloca o investimento entre as cinco rentabilidades mais elevadas da carteira da BNDESPar.

“O resultado do investimento realizado, com a valorização das ações e o fortalecimento das empresas apoiadas, com o consequente aumento dos lucros, era justamente o almejado dentro da política pública então praticada, além de estar consentânea com as funções do banco de investimento”, afirmou o ministro Jorge Oliveira.

O voto do ministro revisor também aponta que não há indicativos de que os empregados do BNDES tenham participado de eventuais ilícitos de corrupção ou de influência indevida sobre o banco, ou, ainda, de favorecimento ao grupo JBS. O TCU analisou a participação das 70 pessoas citadas no processo.

A decisão será encaminhada à Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados; Casa Civil da Presidência da República; Controladoria-Geral da União (CGU); Advocacia-Geral da União (AGU), Ministério da Fazenda; Polícia Federal; BNDES; J&F Investimentos S.A e demais interessados.

Histórico

Em 2018, o empresário Joesley Batista delatou às autoridades brasileiras pagamento de propina no exterior a Guido Mantega, que foi presidente do BNDES de 2005 a 2007 e supostamente teria aceitado dinheiro para influenciar nos empréstimos e outros investimentos que favoreceram a JBS.

Depois, quando Luciano Coutinho assumiu o banco, de 2007 a 2016, Mantega teria continuado exercendo influência nas negociações. Coutinho não foi implicado em pagamento de propina.

O delator – que admite não saber como Mantega poderia influenciar o BNDES depois de deixar o comando da instituição – também afirmou que era propina o montante de R$ 500 mil que Antonio Palocci teria recebido a título de assessorar a JBS numa tentativa de adquirir a Pilgrim’s, uma empresa do ramo de alimentos dos EUA.

Em 2019, dois escritórios de advocacia conduziram uma investigação a pedido do BNDES que não tinha encontrado provas de influência de Guido Mantega ou Antonio Palocci nas operações do banco relacionadas às empresas de Joesley Batista, da JBS.

A informação consta no relatório que expõe a metodologia e os resultados da investigação conduzida pelas bancas Cleary Gottlieb Steen & Hamilton e Levy & Salomão Advogados.

A própria JBS foi alvo de auditoria externa para investigar a atuação do BNDES na JBS, e a conclusão foi semelhante – na ocasião, o ex-presidente Luciano Coutinho disse em entrevista que essa auditoria “esclareceu injustiças cometidas contra o BNDES e seus funcionários (…)”.

Como lembra Luis Nassif em artigo publicado em janeiro de 2019, “o BNDES “se tornou mais do que um típico credor preocupado em recuperar o principal e os juros dos empréstimos – ele se tornou o maior acionista minoritário da JBS”, aponta o relatório, que informa ainda que o banco chegou a ter pouco mais de um terço das ações da empresa”.

Repercussão da decisão

Em nota oficial, o atual presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, diz ter recebido a decisão do TCU com “satisfação” a decisão tomada pelo TCU sobre as operações, que geraram lucro de R$ 16,5 bilhões em valores nominais ao banco.

“A relação republicana, colaborativa e rigorosa com o TCU tem sido fundamental para o aprimoramento dos processos e para a garantia da segurança jurídica na atuação do BNDES em diversas frentes, incluindo no mercado de capitais”, diz Mercadante.

O presidente do BNDES também destaca a iniciativa do presidente do TCU, Bruno Dantas, de instituir um Grupo de Trabalho dentro do próprio TCU para estabelecer a melhor forma de atuação do Tribunal em casos que envolvam operações de mercado de capitais dá a medida do novo padrão construtivo e orientativo da relação entre as instituições.

“A iniciativa também orientará a maneira como o Tribunal pode ajudar ainda mais a melhorar a governança dos bancos públicos, e a interação e a complementariedade entre os reguladores de mercado, como Banco Central, CVM, Previc, entre outros (…)”, aponta Mercadante.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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2 Comentários
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  1. Raul Mass

    10 de abril de 2024 7:34 am

    Já para decidir que se poderia fatiar empresas publicas nacionais, para vender, gastaram umas dez semanas.

  2. Anônimo

    10 de abril de 2024 9:23 am

    E assim a farsa da corrupção lava jato vai caindo uma a uma. A ouvidos moucos foi absolvida pelo TCU, o BNDES absovlida pelo TCu. Mas Guido Mantega continua perseguido assim como todos os professores da UFSC que vira seus nomes jogados na lama. E as instituições não se manifestam.

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