Ao suspender investigação a Richa, Gilmar desagrada Lava Jato

Reprodução

do Congresso em Foco

Gilmar Mendes garante o privilégio de não ser investigado a tucano, diz procurador da Lava Jato

A decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de suspender inquérito contra o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), foi bombardeada por procuradores da Operação Lava Jato em Curitiba. “É absurda a suspensão da investigação do governador Beto Richa pelo ministro Gilmar Mendes. É o velho sistema de justiça criminal disfuncional mostrando as garras da impunidade”, criticou o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa no estado. “Agora temos mais que o foro privilegiado, Gilmar reconheceu o privilégio de não ser sequer investigado”, resumiu o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima.

Em sua decisão, Gilmar alegou que a delação foi homologada por um juiz de primeira instância, o que contraria o foro privilegiado do governador, que é o STJ. O ministro argumentou também que o acordo concedeu benefícios ilegais ao delator, livrando-o de condenação por crimes não ligados ao caso.

“O Ministério Público local não apenas invadiu, por duas vezes, a competência da Procuradoria-Geral da República e do Superior Tribunal de Justiça, mas também o fez oferecendo ao acusado benefícios sem embasamento legal, gerando uma delação pouco confiável e não corroborada por outros elementos, a qual foi reputada suficiente para a abertura das investigações contra o governador do Estado”, sustentou o ministro.

“A manutenção do trâmite de investigação sem um mínimo de justa causa contra o governador do estado compromete não apenas a honra do agente público, mas também coloca em risco o sistema político”, justificou o ministro em seu despacho.

 

Procurador da Lava Jato reagiu a decisão de Gilmar Mendes

Em seu perfil no Facebook, Carlos Fernando contestou os argumentos de Gilmar Mendes:

“O simples fato de um colaborador dizer que o dinheiro da corrupção era destinado para a campanha do governador Beto Richa não implica que o acordo devesse ser feito no STJ. Esse fato por si não implica pessoalmente o governador, mas justifica claramente que se deve proceder uma investigação a respeito. Infelizmente Gilmar Mendes impediu a continuidade da investigação – ao que parece em contrário ao próprio STJ, o que significa que o conhecimento ou não dessa corrupção pelo governador não pode ser investigada. Não investigar uma autoridade com base em uma corrupção admitida por um colaborador é absurdo. Não se trata apenas de foro privilegiado, mas de estabelecer um privilégio de não ser sequer investigado”.

Esse não foi a única decisão polêmica tomada por Gilmar nessa segunda-feira (18). Ele também determinou a volta da advogada Adriana Ancelmo, ex-primeira-dama do Rio de Janeiro, para a prisão domiciliar e rejeitou a denúncia da Procuradoria Geral da República contra o senador Benedito de Lira (PP-AL) e os deputados Arthur Lira (PP-AL), Eduardo da Fonte (PP-PE) e José Guimarães (PT-CE).

 

 

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