Corregedoria se contradiz só para salvar procurador denunciado por Lula

Foto: Cassiano Rosário/Futura Press
 
 
Jornal GGN – A manifestação que a Corregedoria do Conselho Nacional do Ministério Público emitiu sobre a denúncia que o ex-presidente Lula fez contra o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima guarda contradições. Ao mesmo tempo em que afirma que o membro da Lava Jato não denegriu a imagem de Lula nem cometeu nenhuma violação funcional, recomenda que ele pare de falar de política nas redes sociais e na esfera privada também, pois fazer “juízo de valor” sobre políticos e partidos investigados acaba com a “credibilidade” e “isenção” do Ministério Público.
 
Lula moveu a ação contra Santos Lima após ser citado em duas postagens no Facebook. Uma dizia que é estratégia de defesa de Lula e de outros denunciados atacar os membros da força-tarefa. O outro texto tinha a pretensão de explicar o funcionamento de organizações criminosas e cita o ex-presidente como comandante de uma.
 
Para salvar Lima de qualquer sanção, a Corregedoria afirmou que fez um “acurado exame” e não enxergou nas postagens do procurador “manifestação de preferência ou desapreço dirigido especificamente a um candidato ou a um partido político, a sugerir, ainda que de forma tangencial, eventual exercício de atividades de natureza político-partidária, vedado expressamente aos membros do Ministério Público.”
 
“Na verdade, colhe-se cometários e opiniões pessoais do reclamado acerca de situações de ampla divulgação na imprensa, algumas das quais se encontram judicializadas, inclusive com pronunciamento do Poder Judiciário por meio de sentenças de mérito proferidas. (…) Trata-se de exercício legítimo e constitucional da manifestação do pensamento, sem o condão de atacar, de forma dirigida e pessoal, o reclamante [Lula].”
 
Na mesma manifestação, contudo, a Corregedoria diz que não cabe ao procurador usar a visibilidade que adquiriu com a Lava Jato para fazer comentários sobre os políticos e partidos investigados.
 
“(…) vislumbra-se oportuno e necessário recomendar ao reclamado, especialmente
considerando sua condição e visibilidade como integrante da força-tarefa da Operação Lava Jato, que se abstenha de emitir juízos de valor, por meio de redes sociais e na esfera privada,
em relação a políticos, partidos políticos e pessoas investigadas e/ou acusadas pela referida
força-tarefa, fundamentalmente em ordem a preservar a integridade, a solidez, a isenção e a
credibilidade como valores reitores no escorreito exercício das funções ministeriais.”
 
O despacho do promotor Lucas Danilo Vaz Costa Júnior, membro auxiliar da Corregedoria Nacional, está em anexo.
 
Reclamação Disciplinar nº 1.00659/2017-01
 

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora