TV GGN 20h: Por onde virá o golpe de Bolsonaro: pelo Congresso ou pelas armas?

Confira o comentário diário de Luis Nassif sobre os últimos acontecimentos na política e na economia nesta terça-feira, 02 de fevereiro

Sobre a votação no Congresso: “Estava vendo um comentário no Twitter: o sujeito falando que o Temer, com a pior popularidade da história, conseguiu garantir o comando do Congresso; o Bolsonaro, caindo pelas tabelas, conseguiu garantir o controle do Congresso. E a Dilma não conseguiu. Aí entram as barganhas, efetivamente”

Sobre o cenário de covid-19. Doria diz que vai flexibilizar as regras de isolamento em São Paulo por ter registrado melhoria. Porém, a média dária semanal mostra que SP registra 11.312 novos casos (75,01% acima de 14 dias atrás) e 231 novos óbitos, 2,36% a menos. “Em 28 dias, você teve um aumento de 60,3% nos novos casos e de 57,47% nos novos óbitos. Você tem 95% da população paulista em regiões de saúde com mais de 30% de crescimento em 14 dias”.

Na análise do nível de ocupação dos hospitais de referência por região, cinco hospitais com mais de 75% de ocupação (o que é perigoso) e 10 hospitais com ocupação entre 50% e 75% de ocupação. As maiores ocupações de UTIs são vistas nas regiões de Bauru, com quase 90%, Franca (85,61%) Taubaté (79,55%), Marília (78,57%) e Ribeirão Preto (78,47%)

Na análise dos dados brasileiros, a média semanal de casos registrados chega a 50.009 casos, com os registros na região Norte/Nordeste em franco crescimento nos últimos 14 dias.

“Tivemos um dados relevante de que a Lancet validou a eficácia da Sputnik V em 91,6%. Esse é outro ponto: como é da Rússia, tentaram minimizar a vacina e o governo brasileiro não encomendou (…) O Brasil tinha, lá trás, uma regra definida no âmbito da OMC que essas vacinas, remédios que mexem com milhões de vidas, você pode licenciar compulsoriamente. Mas o Brasil, com esse pessoal, acabou ficando fora”.

Sobre o Rodrigo Maia, Nassif diz que o deputado “é uma estátua de gelo”: “Quem quiser entender o jogo político desde a campanha do impeachment, coloque um foco. Tudo é mutável, tem uma coisa que é imutável: os negócios da privatização. Os negócios da privatização determinam toda a lógica política, toda a lógica de apoio a Bolsonaro, toda a lógica de decisões do Supremo Tribunal Federal. Esse é o ponto central”.

“O resto é detalhe, a morte de 200 mil brasileiros de vez em quando provoca algum frenesi, as besteiras do Bolsonaro provocam alguma reação verbal. E quando Bolsonaro ameaça o Supremo, o Supremo aperta um pouquinho mais”.

Segundo Nassif, “o Rodrigo Maia sempre foi um deputado apagado. Filho de um cacique, genro de outro cacique (…) Então, em um certo momento aparece como estadista. Ele é até bom de prosa, e a imprensa levantou o balão. Qual a diferença dele e do Paulo Guedes? Nenhuma. A rixa entre os dois, é que os dois estavam em uma baita disputa para ver quem entregava as reformas primeiro para o mercado. E o Maia é muito mais organizado do que o caos mental do Paulo Guedes”

“Quando veio o impeachment, teve uma baita corrida entre o Serra e o Eduardo Cunha – um no Senado e outro na Câmara – para ver quem assinava primeiro a revogação da Lei da Partilha da Petrobras”

“O Bolsonaro, por que ele é tolerado e suportado? Porque ele entrega, ele está entregando as privatizações e só não entrega mais porque o Guedes é muito ruim efetivamente. Ele se sustenta a partir de fantasias que o mercado estimula. Reforma administrativa. Tem que ter reformas. A reforma é a cloroquina”.

“As reformas não vão interferir em nada no nível de atividade. Pelo contrário: as últimas, a reforma trabalhista e tudo, derrubaram ainda mais o mercado de consumo na medida em que jogaram milhões de trabalhadores na informalidade. O trabalhador na informalidade não pega crédito. O crédito ocorre quando ele tem endereço e quando ele tem emprego fixo. O emprego fixo é garantido pela carteira de trabalho. Então, não recupera em nada”.

“E tem a reforma administrativa (…) Pega o setor público. Eles fazem uma tramóia que é tratar a questão do custo da folha de pessoal do governo de uma forma uníssona – ‘olha aí, gasta mais com pessoal do que com educação e saúde’. Desonestidade. Os maiores gastos de educação e saúde são justamente com pessoal. São professores, são médicos, são agentes sanitários. Então, se você tira da educação o salário dos professores, você tem pequenos gastos de manutenção”, explica Nassif.

“Quando você fala nesse tipo de reforma, quem você tem de pegar? Tem que pegar a elite do funcionalismo, o pessoal que ganha mais do que o teto, por exemplo. Então eles acenam muito e, na hora de fazer o pacto, você acha que eles vão cortar subsídios de desembargadores, de ministros do Supremo, da alta burocracia da CGU, da AGU? Evidente que não”, afirma o jornalista.

“Assim como na questão da Previdência, você faz um baita carnaval, cria aquela baita pressão, depois vai fazendo arranjo político daqui e dali, e sobra para quem? Sobra para o bagrinho – e pior: sobra para aquele que presta serviço direto para a população, na ponta”.

“O que é uma reforma fiscal verdadeira: é uma reforma que pegue a estrutura de ganhos, de rendas de toda a economia, e imponha um modelo justo”, diz Nassif, ressaltando que “o modelo justo é aquele que reduz a tributação sobre o consumo (que pega só a classe de baixo poder aquisitivo) e vá sobre a renda, que pega o pessoal de alto poder aquisitivo”.

“Essa reforma, que seria a reforma fundamental – que seria sobre patrimônio e sobre renda – não está (…) ‘Se vierem as reformas tá tudo resolvido’. Mentira. Nem que você tivesse boas reformas, o efeito é de médio prazo”, afirma Nassif.

“O ponto central, que é você enfrentar a recessão, enfrentar a crise agora, enfrentar a fome agora, o governo não tem uma estratégia sequer. E o mercado está pouco se lixando – o Maia era tão relevante que, no dia que ele perdeu a eleição, a bolsa subiu – pois você tem uma integração com as bolsas internacionais. Sai notícia de vacina aqui, notícia de recuperação de alguma economia ali”.

“A bolsa nunca foi termômetro (…) O jogo da Bolsa consiste em que você crie uma expectativa – por exemplo, reforma da Previdência. Se deu declaração boa, a bolsa sobe. Se deu declaração ruim, a bolsa desce. E os espertos, os grandes investidores, eles ficam esperando. Quando está pra sair a reforma da Previdência, eles vendem as ações lá no alto, ganham um baita lucro e daí as ações caem de novo”

“Por onde virá o golpe do Bolsonaro? Esse (Arthur) Lira, a comparação mais boazinha que vi sobre ele é que é o novo Eduardo Cunha. Já tentou dar um golpe ontem logo de cara”

“Esse Congresso vai segurar o impeachment do Bolsonaro enquanto o Bolsonaro tiver condições de governabilidade e continuar entregando para eles emendas parlamentares, cargos no governo e todo o desmonte ocorrendo. E o pessoal falando das reformas”.

“A coisa mais difícil que tem é você criar estruturas de organizações sociais (…) O economista cabeça de planilha é uma besta, ele não entende valores intangíveis. O valor que isso tem para geração de riqueza não está nas estatísticas da economia”

“E isso nós tínhamos em vários setores. Na Educação, montamos um modelo federativo; Saúde, tínhamos o melhor sistema de saúde do mundo (…) Uma continuidade que independia de partido político. E tudo isso está sendo desmontado”

“Essa destruição está se dando em todos os níveis (…) Era um país em plena construção, um trabalho terrível que vem lá da redemocratização, começa com os ensaios do FHC, avança com o Lula, avança com a Dilma. É uma construção de um ativo nacional, e esse pessoal vem e destrói esse ativo nacional”

“E o que acontece com o Bolsonaro? Não vai ser o Congresso ou a Câmara que vai ajudar ele a dar golpe. O Centrão vai ficar com o Bolsonaro até a véspera de afundar o navio do Bolsonaro”.

Para Nassif, o negócio de Bolsonaro é um golpe armado. “Você pega nos EUA as avaliações do FBI, e você pega o Bolsonaro copiando todos os passos dos EUA, a avaliação do FBI são as ameaças das milícias internas dos EUA. A troco de que que ele (Bolsonaro) vai liberar armas, prejudicar o monitoramento de armas? (…) Ele tirou os fiscais do Porto de Itaguaí – que era uma baita porta de entrada do tráfico de armas. Esse que é o ponto central, o ponto mais assustador”.

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