4 de junho de 2026

Desmatamento registrado no Cerrado é o menor em 11 meses

Bioma perdeu 51 mil hectares de vegetação nativa apenas no mês de janeiro, segundo dados do SAD Cerrado; Matopiba lidera destruição
O cerrado é um dos cinco grandes biomas do Brasil, cobrindo cerca de 25% do território nacional e perfazendo uma área entre 1,8 e 2 milhões de km2 Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O desmatamento na região do Cerrado atingiu 51 mil hectares de mata nativa durante o mês de janeiro, uma queda de 48% em relação ao apurado em dezembro de 2023 e a menor detectada nos últimos 11 meses, segundo dados do SAD Cerrado (Sistema de Alerta de Desmatamento do Cerrado) desenvolvido pelo IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia).

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Entretanto, a área desmatada em janeiro foi 10% maior do que a apurada em janeiro de 2023, quando 46 mil hectares foram derrubados.

A destruição segue concentrada na região do Matopiba – fronteira agrícola composta por partes dos Estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia –, responsável por 64% de todo o desmatamento de janeiro ocorreu na região, totalizando 33 mil hectares perdidos.

Assim como no último mês, os vazios fundiários – áreas sem posse ou mecanismos de governança definidos – foram a segunda categoria fundiária mais desmatada, correspondendo a 11% dos alertas.

Contudo, a categoria com mais alertas ainda foi a de áreas privadas, com mais de 74% da área derrubada, cerca de 38 mil hectares.

Tocantins lidera o ranking de desmatamento no mês, com a destruição de 10 mil hectares, 40% a mais do que o registrado em janeiro de 2023. No Piauí, em seguida, também foram perdidos cerca de 10 mil hectares de vegetação nativa, patamar similar ao do primeiro mês de 2023.

A terceira posição foi ocupada pela Bahia, que além de ter quatro dos dez municípios que mais desmataram em janeiro, perdeu 9 mil hectares de Cerrado, 2% a menos do que em janeiro passado.

Fora do Matopiba, a área desmatada em Goiás passou de 4,5 mil hectares em janeiro de 2023 para 3,5 mil em 2024, totalizando uma redução de 22%. Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, no entanto, somaram 8 mil hectares perdidos, um aumento de 23% em relação ao que derrubaram em janeiro de 2023.

Segundo Fernanda Ribeiro, pesquisadora do IPAM e coordenadora do SAD Cerrado, a redução na área desmatada se justifica pela adoção de políticas públicas com foco no bioma, mas não se pode afirmar até que ponto a destruição diminuiu de fato.

“Estamos passando pelo período de chuvas no bioma, o que dificulta a detecção de alertas devido a alta cobertura de nuvens nessa época do ano (…)”, comenta a pesquisadora.

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Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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