10 de junho de 2026

Miriam Leitão e a síndrome do escorpião, por Luis Nassif

Miriam voltou a ser macarthista, usando o seu jornal para acusar Pochmann do pior crime que um pesquisador poderia cometer

Na fase mais pesada do macarthismo tupiniquim, Miriam Leitão não vacilou em liquidar com um jovem funcionário do governo, que, usando um computador da rede do Palácio, ousou conspurcar sua biografia na Wikipedia com um link apontando erros de análise. Fez um escarcéu, dizendo-se vítima de uma organização petista que atuava diretamente do Palácio. Dilma foi na conversa e o jovem teve a carreira comprometida.

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Depois, criou uma fakenews, dizendo-se agredida por um grupo de sindicalistas que, em um vôo, fazia um coro contra a Globo – mas sem sequer mencionar seu nome. Chegou a afirmar que eles passavam por sua poltrona e davam safanões. Tudo isso sem despertar uma reação sequer dos demais passageiros, algo impensável, ainda mais em se tratando de uma figura pública e do fato de que sua reação indignada ocorreu uma semana depois da suposta agressão. E não veio amparada em nenhum vídeo que comprovasse as agressões.

Agora, repete a estratégia ad terrorem para reforçar as críticas de Malu Gaspar a Márcio Pochmann.

Márcio foi alvo de críticas quando dirigiu o IPEA (Instituto de Pesquisas Econômico Aplicadas) ao pretender que opiniões, estudos e declarações passassem pelo crivo da presidência. Uma atitude criticável, sim, ainda mais em um think tank da importância do IPEA.

Mas Miriam não se conformou em fazer a crítica correta, talvez julgando que não teria muito impacto. E retornou ao estilo lavajatista de desumanizar os adversários, transformá-los em grandes vilões, assassinar suas reputações, como nos tempos dos embates de ódio que resultaram na Lava Jato e no Bolsonarismo. 

Então voltou a ser a Miriam macarthista, usando o seu jornal para acusar Pochmann do pior crime que um pesquisador poderia cometer: a manipulação das estatísticas, se vier a assumir a presidência do IBGE.

É uma crítica covarde – porque valendo-se do poder de divulgação do maior jornal brasileiro – para tentar exterminar um adversário de ideias. E comprova que o lavajatismo é parte irreversível da alma de certo jornalismo tupiniquim. O bolsonarismo se transformou no maior limpador de biografias do jornalismo. Passada a fase do silêncio obsequioso, volta-se ao velho padrão de exterminar inimigos.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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10 Comentários
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  1. José de Almeida Bispo

    25 de julho de 2023 3:16 pm

    “Uma vez Flamengo, sempre Flamengo!”
    Kkkkkkkkkkkkkkkk
    Todos os jornalistas que merecem perdem perdão foram perdoados durante o processo. Por verem a arapuca em que estavam caindo; por bem pesar o material que tiveram em mãos, todos – muito poucos – foram capazes de mudar de atitude. A Sra. Miriam, não.
    Portanto, agora, sem surpresas. Só mais uma supremacista disfarçada em seu poderio.

  2. Fábio de Oliveira Ribeiro

    25 de julho de 2023 5:11 pm

    No futuro alguém terá que contar a história de como essa mulher mediocre conquistou um espaço tão grande e uma proeminência midiatica imerecida. Mirian Leitão sempre se coloca ao lado do projeto da Rede Globo de manter o Brasil tolamente dependente dos EUA. Ela ajudou a derrubar Dilma Rousseff, depois chorou lágrimas de serpente venenosa quando começou a ser perseguida por Bolsonaro e sua quadrilha. E a esquerda desavisada se colocou ao lado dela como se alguém tão comprometida com o clã Marinho fosse realmente capaz de defender e praticar princípios democráticos. Se Mirian Leitão quer esmagar Márcio Pochmann ele só pode ter feito algo IRREPREENSÍVEL.

  3. Luiz

    25 de julho de 2023 6:55 pm

    Genial são seus comentários tatibitate na CBN por volta das 7h30min contrapondo as palavras assertivas vibrantes dos âncoras. Parece que fala sobre temas políticos e econômicos aos goles de café quente. Engraçadíssimos para quem se acha…

    1. Arestides Fronza

      26 de julho de 2023 10:45 am

      Ao falarem mal do malfalado, dizem mais sobre si mesmos do que sobre o malfalado.

  4. Paulo Dantas

    25 de julho de 2023 7:49 pm

    Me lembrou o “pré-crime” do Minority Report.

    Querem governar só porque ganharam as eleições !?

    Vou propor uma emenda à CF transferindo para a GloboNews o poder de nomear ministros.

  5. Kelli

    26 de julho de 2023 8:36 am

    Se ela fez essas colocações sobre esse economistas deveria ter feito as mesmas a Campos Neto por querer censurar Galipolo e todos os diretores , ou não? Deveria, também, fazer uma coluna para comentar os erros técnicos que Campos Neto comete ao falar de economia em suas entrevistas.

  6. José de Almeida Bispo

    26 de julho de 2023 8:42 pm

    E hoje Josias de Souza escancara a preocupação tucano-raiz com a nomeação de Pochmann: O Governo Lula governa; e, ao governar prefere Pochmann a um burocrata tucano dos quadros “técnicos” do IBGE. Ponto. Esse é o problema.

  7. Waldir Rodrigues

    26 de julho de 2023 11:45 pm

    A seleção de hipócritas do sistema Globo estão atacando o Márcio pochamann em vão e de uma forma escandalosa, a formosa libertinagem de expressão!

  8. Rossi

    28 de julho de 2023 4:00 am

    Nassif,se esqueceu do seu conceito de jornalista “sela”?!Ou o “pum” do P.H.Amorim?

    1. Luis Nassif

      28 de julho de 2023 7:12 pm

      Utilizei para a Malu Gaspar.

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