MP-RJ fez com Flávio Bolsonaro o que Moro não fez com Lula: seguiu o dinheiro

MP-RJ vem expondo corrupção e enriquecimento ilícito de Flávio Bolsonaro cruzando dados bancários e movimentações dos investigados

Jornal GGN – O Ministério Público do Rio de Janeiro fez com Flávio Bolsonaro o que a Lava Jato sob Sergio Moro jamais fez com o ex-presidente Lula: o chamado “follow the money”, ou seja, seguir a trajetória do dinheiro investigado para comprovar que o réu foi beneficiado diretamente por um esquema de corrupção.

Parte do trabalho minucioso do MP-RJ está registrado na decisão do juiz Flávio Itabaiana, que determinou a prisão do ex-assessor de Flávio, Fabrício Queiroz, executada pela Polícia Civil de São Paulo na quinta-feira (18).

No documento, consta que o MP descobriu que Queiroz usava dinheiro vivo para pagar despesas pessoais e familiares de Flávio Bolsonaro, como plano de saúde e a escola particular das duas netas do presidente Jair Bolsonaro.

Como o MP chegou a essa conclusão? Primeiro, analisando as imagens de vídeo de Queiroz utilizando o caixa eletrônico de uma agência bancária dentro da Assembleia do Rio. No dia 1º de outubro de 2018, ele pagou dois boletos às 10h21. A pedido do MP, o banco informou que os boletos eram do valor de R$ 3.382,27 e R$ 3.560,28, referentes à mensalidade escolar das filhas de Flávio.

Analisando as contas de Flávio e sua esposa, Fernanda Bolsonaro, os promotores perceberam que nenhum dos dois efetuou saques compatíveis com os valores dos dois boletos em data próxima aos pagamentos feitos por Queiroz.

Depois, o MP obteve com a escola a relação de pagamentos das mensalidades das meninas. Descobriu que a instituição de ensino recebeu um total de R$ 251 mil, mas somente uma parte, R$ 95 mil, saiu das contas de Flávio ou Fernanda.

A diferença de R$ 153 mil corresponde a 53 boletos que foram pagos com “dinheiro em espécie não proveniente das contas do casal”.

A mesma dinâmica ocorreu no pagamento do plano de saúde da família de Flávio. O esquema da rachadinha com Queiroz supostamente bancou 63 boletos que totalizam R$ 108,4 mil.

Seguindo o dinheiro, o MP-RJ pode sustentar que Queiroz não só era o operador do esquema no gabinete de Flávio, responsável por recolher parte do salário dos ex-assessores e funcionários fantasmas, como ainda transferiu parte do “produto do crime” para custear as despesas pessoais do hoje senador.

Na Lava Jato, o follow the money não foi aplicado nos processos de Lula mesmo com pedidos reiterados da defesa. Sergio Moro decidiu que seria “inapropriado”, “custoso”, “demorado”, que “dinheiro é fungível”, que não achar rastros é prova de lavagem bem feita e que qualquer perícia para saber se Lula recebeu dinheiro do esquema na Petrobras seria “inócua”.

A inconveniência para Moro estava ligada à narrativa dos procuradores de Curitiba, segundo a qual Lula recebeu benefícios pagos indiretamente por meio de reformas no apartamento do Guarujá e no sítio em Atibaia, dois imóveis que não pertencem ao petista. No caso triplex, ficou comprovado que a reforma saiu do caixa da OAS Empreendimentos, que jamais teve contratos com a Petrobras. O que restou contra Lula foram as delações premiadas.

Até aqui, a investigação do MP-RJ contra Flávio Bolsonaro mostrou que destoa da Lava Jato nesse sentido. Há produção de provas indiciárias com base em quebra de sigilo telemático, cruzamento de dados bancários, informações do Coaf, entre outras, sem que nenhuma “delação do fim do mundo” tenha sido usada contra Flávio.

Além disso, ao contrário da Lava Jato, o MP-RJ não fez uso político e eleitoral do caso Queiroz, embora estivesse com a faca e o queijo nas mãos.

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