Os reiterados riscos do “Efeito Orloff”

Há quarenta anos era premiado num festival de filmes publicitários o comercial em que o sósia de um frequentador de bar interfere no pedido de uma bebida que não deixasse o outro sofrer com a ressaca no dia seguinte e se apresentava como o próprio aconselhado “amanhã”.

O sucesso da campanha extravasou os limites da propaganda e se estendeu para a economia e outras grandes temas como metáfora de certo paralelismo comportamental e semelhanças históricas e conjunturais entre Brasil e Argentina, sendo que o que acontecia com esta hoje, poderia ser considerado como prognóstico para aquele dentro de pouco tempo.

De algum modo, é possível considerar que a eleição de uma mulher para a Casa Rosada, antecipou a eleição de uma outra para o Palácio do Planalto, constituindo-se assim em mais um teste positivo  – entre tantos outros – para a validação do chamado “Efeito Orloff”.

Pseudociência e bom humor à parte, parece razoável que se mirem os exemplos da nação vizinha e companheira do Mercosul  para encaminhar precauções importantes quanto ao cuidado devido à jovem democracia brasileira em consolidação.

Muitas vezes referida como um possível modelo para regulação da mídia no Brasil, a “Ley de Medios” implementada pelo governo de Cristina Kirchner, questionada e vitoriosa na suprema corte argentina, por certo ligou o alerta para o “efeito Orloff” da grande mídia corporativa e familiar local.

O recrudescimento da luta midiática contra o governo argentino decorre em grande parte desta peleja que, em princípio, está na pauta do novo mandato da presidência aqui no Brasil. Dessa forma, parece razoável que o alerta para o efeito do dia seguinte seja ligado também pelo governo federal.

No momento, o governo argentino está gravemente pressionado pelo episódio dramático que atingiu uma autoridade do judiciário que ganhou grande notoriedade nos últimos anos atuando institucionalmente de forma acusatória contra ele. Dentro do contexto da luta política renhida entre grandes forças internas e externas, a vítima de uma tragédia que talvez venha a se revelar ser apenas de cunho pessoal e individual, pode ser transformada num mártir de uma alegada resistência democrática de “oposição”. É o que se afigura no momentoso caso argentino, até que investigações idôneas, se é que é possível nessas condições de conflito aberto, desvelem em detalhes os fatos.

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Quando se avalia que, na situação do Brasil, vários personagens que participam e até mesmo conduzem investigações e processos que alcançam, direta ou indiretamente, o governo federal tem perfis individuais controversos, para dizer o mínimo, ou polêmicos e até atrabiliários, a atenção deve ser redobrada visando a diminuir riscos de constrangimento e atitudes individuais hostis, de origem dificilmente identificáveis a posteriori, contra eles.  

Espera-se, no mínimo, que os órgãos de inteligência e segurança do país estejam intensificando suas rotinas de contingência, vigilância e prevenção relativas à segurança pessoal de todas as autoridades e personagens-chave das grandes operações e processos em andamento que tenham o governo federal como parte interessada.

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