Desarmem a bomba, antes que exploda no colo da democracia, por Francisco Celso Calmon

Costurar um cinturão antigolpe com todas as forças democráticas, nacionais e internacionais, para diuturnamente reagir e proagir a todos os passos dessa trama bolsonarista.

Marcos Corrêa/PR

Desarmem a bomba, antes que exploda no colo da democracia

por Francisco Celso Calmon

Jair Messias, um tenente insubordinado no Exército, um presidente subversivo à democracia, uma pessoa distópica, e ungido pelo demo para destruir o Brasil.

Ele é o maior corruptor da República!

Corrompeu militares com aumentos substanciosos, com as mordomias de suas compras, do leite condensado ao Viagra; corrompeu, sobretudo, levando-os para o governo, em torno de 10 mil, tornando-os uma casta salarial; em plena pandemia, cortou 22% do orçamento da Saúde, e fez um aporte de 23% para o Ministério da Defesa.  Ressuscitaram a patente de marechal para outorgar a um defunto torturador e a vivos corrompidos pelo vil metal; sem esquecermos dos 39 kg de cocaína transportados pelo avião presidencial, cujo sargento da Aeronáutica responsabilizado continuou a receber o soldo até mês passado.

O tenente expulso do Exército pelo comando, chegado à presidência por estratégia do general Villas Boas, ressentido e patologicamente vingativo, humilha as Forças Armadas, subornando-as e sequelando indelevelmente a sua propagada moral.  

Corrompeu o Legislativo, com o orçamento secreto; corrompeu o PGR com indicação fora da lista e o mantém com cabresto; corrompeu indiretamente o STF, com assessores militares e com a indicação do terrivelmente evangélico, André Mendonça, e do despreparado, Nunes Marques.

O presidente genocida, desde os seus primeiros meses de mandato não faz outra coisa senão provocar os demais poderes, incitar seus seguidores contra um ou outro, contrariando o princípio constitucional da harmonia entre eles.

Seus áulicos já quiseram fechar o STF e o Congresso, já até simularam ataque com fogos e tanques.

Há uma trama golpista.

Como em todos os golpes anteriores, esse também está anunciado. Analistas já até descreveram como será.

“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: www.catarse.me/jornalggn

Esperar ou antecipar-se a essa tramoia do presidente protofascista?

O que cabe fazer quando o diagnóstico e o prognóstico já estão sobejamente demonstrados?

Cabe impedir!

Como? Cabe definir os antídotos e traçar as estratégias.

Costurar um cinturão antigolpe com todas as forças democráticas, nacionais e internacionais, para diuturnamente reagir e proagir a todos os passos dessa trama bolsonarista.

As FFAA não têm qualquer prerrogativa de se imiscuir no processo eleitoral. A ela cabe o silêncio obsequioso à Carta Magna, não lhe sendo facultado fazer política. Os poderes da República devem, no diálogo e na seara pública, colocar explicitamente os limites constitucionais de sua atuação, não aceitando qualquer malabarismo sofistico que subvertam as regras maiores.

A mídia corporativa, que tem comprometimento com os golpes ocorridos no Brasil, precisa se definir e usar dos seus instrumentos, desta feita, para evitá-lo.

As instituições democráticas precisam de coragem e altivez para cumprir as suas funções, sem tergiversações, não lhes cabe fazer o jogo do Bolsonaro. Cada uma realizando o que lhes compete na própria defesa de suas atribuições e prerrogativas constitucionais, sem ter constrangimento com eventuais reações da cria de ditador.

“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: www.catarse.me/jornalggn

As centrais sindicais, movimentos sociais, militância democrática de esquerda e de centro-direita, cabem ocupar as ruas, civilizada, determinada e preventivamente contra esse golpe que dia-a-dia vem sendo apregoado como quem anuncia um remédio amargo.

Contra-ataque ou a melhor defesa é o ataque?

A contradição que está posta é entre o Estado autocrático, desejado pelo coisa ruim, versus a recomposição do Estado democrático de direito.

Todos os líderes, militantes, instituições – Legislativo, Judiciário, MP, DP, OAB, partidos, movimentos sociais, sindicatos dos empregados e patronais -, meios de comunicação, que forem pela recomposição do Estado democrático de direito, pela restauração da Constituição vigente até o golpe de 2016, inclusive com o compromisso de tornar o seu artigo terceiro realizável, devem cerrar fileiras nesta travessia.

O novo pacto que está sendo costurado precisa ser transparente e ouvir todos os segmentos organizados da sociedade.

A unidade das forças democráticas de esquerda e direita não retira as diferenças existentes entre elas, portanto, elas estarão presentes a cada etapa do processo eleitoral e posteriormente na gestão do governo.

Não devem ser colocadas mordaças em qualquer núcleo pensante da esquerda, porque a democracia não pode ser excludente da dialética dos contrários, muito menos estigmatizar qualquer desses núcleos.

Quem explora e oprime, não ama, está mais próxima do ódio. A burguesia tolera o proletariado, pois lhe é imprescindível à própria existência, mas sem qualquer empatia e condescendência. Quando sente a existência de seus concêntricos privilégios em risco, destila e provoca o ódio.

Nem entre si a burguesia acalenta amor, diferente dos trabalhadores que nutrem a camaradagem e a fraternidade de classe. Enquanto os burgueses vivem de mão fechada – da usura, os trabalhadores se dão as mãos, principalmente nas dificuldades – ninguém solta a mão de ninguém.

Os trabalhadores estão com Lula, o amor vencerá o ódio!

Francisco Celso Calmon, coordenador do canal pororoca e ex-coordenador nacional da Rede Brasil – Memória, Verdade e Justiça

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2 Comentários

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Bruno

- 2022-05-24 08:38:30

Excelente!!

Claudio E. M. Rossi

- 2022-05-23 11:47:04

O Brasil ê um país em processo de democratizacao. Tem tradição autoritária, mas sua instituições tem resistido bravamente. Parabéns pela iniciativa patriótica. VIVA O BRASIL VIVA O POVO BRAILEIRO.

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