5 de junho de 2026

CPI das ONGs quer investigar laudos para demarcação de terras indígenas

Aberta em junho, comissão tem como foco investigação de repasses de verbas para organizações com atuação na Amazônia
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

A CPI das ONGs irá retomar seus trabalhos neste segundo semestre com a convocação de representantes de organizações não governamentais, antropólogos, pesquisadores, integrantes do governo e ex-ministros.

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Presidente da comissão, o senador Plínio Valério (PSDB-AM) também pretende ouvir antropólogos sobre os mecanismos de atuação das ONGs na Amazônia.

Segundo o político, existem profissionais que se opuseram ao trabalho das ONGs e foram afastado, enquanto outros (que também devem ser ouvidos) são responsáveis por laudos para embasar a demarcação de terras indígenas.

“Vamos questionar sobre esses laudos que criaram, na ficção, mas que se tornaram realidade, reservas indígenas e áreas de proteção ambiental. Há muitas denúncias de que eles aumentam o quantitativo de indígenas, tornando o mestiço indígena, e espalham esses indígenas nas áreas que eles querem pedir para demarcar”, disse Valério.

Um dos requerimentos aprovados é de convocação da antropóloga Deborah de Magalhães Lima. Doutora em antropologia pela Universidade de Cambridge, ela é integrante do Conselho de Gestão Estratégica do Instituto Socioambiental (ISA). O requerimento já foi aprovado, mas a data da oitiva ainda não foi marcada.

Além da convocação da antropóloga, há vários outros requerimentos aprovados pela comissão. Até agora, foram 96 requerimentos aprovados, a maioria deles com convites, convocações e pedidos de informações a ministros, Ibama, Tribunal de Contas da União (TCU) e BNDES.

A comissão de Plínio Valério também quer ouvir o ex-presidente da Natura, João Paulo Brotto Gonçalves Pereira, citando a compra, pela empresa, de sementes da Cooperativa Mista da Floresta Nacional do Tapajós (Coomflona).

Também devem ser convocados o presidente do Conselho de Administração da Fundação Amazônia Sustentável, Benjamin Benzaquen Sicsu, e o antropólogo francês Bruce Albert, um dos fundadores da ONG Comissão Pró-Yanomâmi.

Instalada em junho, a comissão investiga as atividades de organizações não governamentais financiadas com dinheiro público na região da Amazônia. O responsável pelo relatório será o senador Marcio Bittar (União-AC).

As informações são da Agência Senado.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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