4 de junho de 2026

Dilma, Lula e a CPI

Bom tema para faculdades de jornalismo, de política ou filosofia.

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De tanto explorar o marketing da notícia, o lado mais espetaculoso, de tanto impedir que a verdade objetiva (e muitas vezes sem graça) dos fatos atrapalhem o show, muitas vezes o jornalismo político recorre aos truques e à linguagem das novelas, nas quais imperam sentimentos simples ao alcance do público, como amor, ódio, inveja, mesquinharias, impulsos freudianos. 

Lembra um velho filme em que o personagem se desprega da tela e ganha vida.

Ultimamente a velha mídia tem apostado pesadamente na hipótese (absolutamente improvável) da ruptura Dilma-Lula, baseando-se em outros episódios criador-criatura da política nacional.

Não adiantam sinais em contrário, visitas frequentes de Dilma a Lula.

A própria criação da CPI suscitou interpretações de que Lula estaria a favor, Dilma contra.

Vamos aos fatos:

1. Ambos estão a favor da CPI, doa a quem doer. Significa que se a CPI pegar correligionários, que cada qual pague pelo que fez.

2. Houve divergência inicial na escolha do relator. Lula preferia Cândido Vacarezza; Dilma preferia Paulo Teixeira. A divergência se devia a questões eminentemente práticas. O relator – seja quem for – será alvo de campanha pesada da velha mídia. Vasculharão sua vida, soltarão denúncias, irão expor sua família. Vacarezza é casca grossa, moldado na briga; Teixeira é moldado em uma atuação social exemplar, mas nunca foi da frente de batalha. Eram apenas essas as divergências de opinião.

3. Desde os tempos de sindicato, Lula sabe que presidente que sai não deve inibir o crescimento do presidente que entra. Muitas vezes assessores de Lula flagraram “broncas” que dava em Nestor Kirchner, por se constituir em sombra da esposa. Dizia para ele deixar a esposa ter luz própria.

4. O núcleo duro do Palácio jamais vacilou em relação à CPI. Uma pessoa ou outra, com experiência em outras CPIs, manifestou receio a jornalistas. Mas o núcleo duro jamais teve dúvida da importância de se ir a fundo para romper de vez com a era Veja-Cachoeira e o uso recorrente de dossiês – muitos obtidos de maneira criminosa – na política nacional. A própria escolha de Brizola Neto para Ministro do Trabalho foi uma resposta clara aos que duvidavam da vontade do Palácio.

5. Lula tem sido procurado por emissários de alguns grandes grupos, para que não haja a convocação de jornalistas. Nas conversas há acenos de paz. Ele tem respondido invariavelmente que não vai interferir. Se aparecerem evidências, ninguém pode ficar fora da CPI.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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