21 de maio de 2026

Amazônia, 2023: em busca de consensos razoáveis, por Augusto Rocha

A Amazônia de 2023 é uma região de mais esperanças, mas ainda de muitas desigualdades frente ao país e ao mundo.
Marcelo Camargo - Agência Brasil

Amazônia, 2023: em busca de consensos razoáveis

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por Augusto Cesar Barreto Rocha

               As unanimidades são burras, mas os consensos construídos podem apontar a prosperidade. A deliberação razoável para a construção de consensos, sem imposições, com calma, com respeito ao pensamento racional e diverso é superimportante para a Amazônia. Na reforma tributária, conseguimos construir um destes consensos, ao proteger a Zona Franca de Manaus, abandonando a rota destruidora de 2021 e 2022.

               A preservação da floresta também ganhou novos contornos, quando percebemos o desmatamento crescendo em taxas menores, apesar do fumaceiro que experimentamos em Manaus. A retomada de projetos de infraestrutura, como a BR-319 ou a Concessão do Rio Madeira, reacende a esperança de uma realização de investimentos na região.

               A Cop28 que aconteceu em Belém e a sua eleição para sediar a Cop30, em 2025, demonstra outro marco positivo. As reflexões ambientais sobre a exploração do Petróleo na região, sem as intransigentes e impensadas decisões do passado também é um alento. Todavia, mesmo com tantos ares positivos, ainda faltam ações mais contundentes.

               De maneira geral, a transição dos projetos para as execuções sustentáveis não sai do papel ou do plano. Experimentamos uma crescente assimetria da Amazônia frente ao restante do país. Há pouco investimento e uma enorme área. Há bastante exploração não regulada, salvo nos grandes centros. Há ainda uma desinformação enorme sobre a região. O país segue se referindo ao Norte do Brasil como se fosse uma área sem habitantes ou uma conurbação com o Nordeste.

               Há muitas hipóteses sobre a Amazônia e poucos estudos. Muito Google e satélite e pouca incursão no solo ou nos rios da região. Muita percepção remota, sem vivência da realidade. Precisamos começar a transitar da teoria para a prática, do remoto para o presencial, do eu acho para eu investiguei pessoalmente.

               Neste contexto, as oportunidades são muitas e elas precisam ser realizadas como consensos razoáveis, tal qual John Rawls refletia ao afirmar que “o político visa à próxima eleição, o estadista, à próxima geração”, assentando seu pensamento em uma justiça com equidade. Estamos na Amazônia ainda atrás deste conceito, pois por aqui fala-se em um liberalismo da destruição e não da liberdade para a equidade. A expectativa de consensos levará a uma superação das lutas violentas e das vitórias pela opressão. Temos por aqui uma grande oportunidade de superar as diferenças sociais e políticas.

               A Amazônia de 2023 é uma região de mais esperanças, mas ainda de muitas desigualdades frente ao país e ao mundo. Enquanto a busca pela equidade não for a tônica da região, de tal forma que todos tenham acesso verdadeiro às mesmas oportunidades, não teremos uma prosperidade real. Enquanto os investimentos por habitante e por quilômetro quadrado forem menores do que no restante do país, seguiremos a aprofundar as diferenças regionais.

               Que 2024 surja renovado de esperanças e construções de consensos mínimos sobre a Amazônia. Que encontremos uma caminhada pela equidade, que demandará esforços onde não sejamos percebidos como atrasados ou condenados ao atraso, mas como iguais que precisam superar as curvas da história e dos rios, atrás de uma sustentabilidade verdadeira e de um caminho menos destrutivo da natureza, aprendendo com os erros do passado nacional que destruiu e destrói tanto para tão poucos.

Augusto Cesar Barreto Rocha – Professor da UFAM.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para dicasdepautaggn@gmail.com. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

Augusto Cesar Barreto Rocha

Augusto César Barreto Rocha é Professor Associado da UFAM. Possui Doutorado em Engenharia de Transportes pela UFRJ (2009), mestrado em Engenharia de Produção pela UFSC (2002), especialização em Gestão da Inovação pela Universidade de Santiago de Compostela-Espanha (2000) e graduação em Processamento de Dados pela UFAM (1998).

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