Enquanto empresas lucram, famílias sofrem para conseguir comer

Exportação recorde de grãos e aumento de demanda impulsiona lucros do setor alimentício; contudo, inflação da cesta básica chega a 12,1% em 12 meses

Foto: Reprodução

Jornal GGN – As famílias mais pobres tem passado por um período de dificuldades para conseguir se alimentar diante do aumento dos preços de itens básicos, enquanto exportadores, produtores e agricultores comemoram o aumento dos lucros com medidas que incluem menor número de funcionários, incentivos do governo e aumento das exportações.

Dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que o Brasil produziu 257,8 milhões de toneladas no período da safra 2019/2020, sendo a maior parte, soja, milho e algodão. Esse volume é 4,5% ou 11 milhões de toneladas acima do visto na safra anterior.

Em entrevista ao jornal Correio Braziliense, o economista Cesar Bergo, sócio da corretora OpenInvest, diz que empresas do setor de alimentos vem apresentando desempenho acima da média, e houve melhora nos últimos dias por conta da China, que acabou por comprar praticamente todo o estoque de arroz brasileiro. “Mas, a escassez interna e a alta dos preços só aconteceram porque o governo falhou. Não tinha suficiente estoque regulador”, ressalta, afirmando também que o produtor preferiu exportar para aproveitar a cotação do dólar em torno de R$ 5,40.

O pagamento do auxílio emergencial também ajudou, por colocar mais de R$ 170 bilhões em circulação na economia, influenciando o consumo, além do aumento dos preços de insumos e do petróleo que seriam repassados aos preços.

Com a pandemia de covid-19, o mundo registrou alta na demanda por alimentos e, com a cotação do dólar em alta, a inflação dos alimentos atinge diretamente os mais pobres: neste ano, o preço dos alimentos da cesta básica aumentou 6,6% e, em 12 meses, acumula alta de 12,1%, conforme dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

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Enquanto a inflação para os pobres avança, empresas como a Camil, especializada no beneficiamento de arroz e feijão, mais do que dobrou o lucro líquido entre o primeiro trimestre de 2020 e de 2019, passando de R$ 49,8 milhões para R$ 109,5 milhões – o que representa um salto de 120%.

 

 

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1 comentário

  1. “Se eu fosse Deus, daria aos que não têm nada.”
    Eduardo Gudin

    Se eu fosse Deus, tiraria dos que têm muito, isso sim. Começava taxando essas empresas e, aproveitando o ensejo, taxava logo ganhos de capital, bancos, igrejas e fortunas pessoais. Aliás nem precisaria ser Deus para isso, era só ter vergonha na cara. E um estado não tomado por um golpe, de assalto, pela iniciativa privada do dólar…

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