Na briga entre Gilmar e Janot, só resta torcer pelo empate, por Janio de Freitas

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Foto: Lula Marques/AGPT
 
Jornal GGN – Em sua coluna de hoje (11) na Folha de S. Paulo, Janio de Freitas escreve sobre o embate entre Rodrigo Janot, procurador-geral da República, e Gilmar Mendes,  ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). As grosseiras com que eles se comunicam podem ser a negação das falsas mesuras das togas, diz Janio. 
 
Apesar da disputa, tanto Gilmar quanto Janot contribuem ativamente para a partidarização tanto do STF quanto da Procuradoria, movimento que foi realçado nos últimos dias. 
 
Janio cita, como exemplos, o juiz que fechou o Instituto Lula – “por coerência pessoal, o juiz deveria fechar a Petrobras”  – e a mudança da data do depoimento do ex-presidente a Sergio Moro. “Nenhuma polícia precisaria de sete dias para planejar barreira de estrada e o cerco a um prédio”, afirma.

 
Leia a íntegra da coluna abaixo: 
 
Da Folha
 
 
por Janio de Freitas
 
A expressão, como tantas outras de igual utilidade nas conversas inúteis, desapareceu soterrada pela infinidade de modismos: “sinal dos tempos”. De repente me ocorre o temor de que tudo o que estamos vendo com assombro seja, sem que o saibamos, a modernidade de que falamos sem saber o que de fato é, ou pode ser.
 
Quem sabe a ação partidarizada de inúmeros juízes e procuradores da República, o apelidado Partido da Justiça, é a moderna ruptura com a hipocrisia do apartidarismo entre togados?
 
As grosserias com que Gilmar Mendes e Rodrigo Janot se comunicam podem ser a negação moderna das falsas mesuras emanadas das togas. Recusa que inclui até o meio termo vigente no Congresso, com os desaforos intercalados por “vossas excelências” mútuas. Mendes e Janot não se enfrentam como facções da partidarização judicial.
 
É certo, porém, que o procurador-geral é crítico da proximidade de Gilmar com Temer, por exemplo. E o ministro se exalta com investidas do Ministério Público em certas áreas empresariais e políticas. Ambos são contribuintes ativos da partidarização no Supremo e na Procuradoria da República. Realçada, outra vez, nos últimos dias.
 
Os argumentos lançados pelo juiz que fechou o Instituto Lula são aplicáveis, até com mais justeza, à Petrobras. Se no instituto foram tramadas negociatas, como presume o juiz brasiliense, na estatal essa atividade está mais provada que em qualquer outra parte do país. E há muito mais tempo e volume.
 
Ao menos por coerência pessoal, o juiz deveria fechar a Petrobras. Assim como os restaurantes, hotéis e escritórios preferidos pelas tratativas da corrupção de políticos, administradores públicos e empresários. O juiz, no entanto, ficou nos limites da regra: criação de fatos contundentes nas vésperas de atos da Lava Jato para a incriminação progressiva de Lula.
 
A transferência do depoimento de Lula, do dia 3 para o 10 de maio, feita por Sergio Moro também foi pouco criativa na motivação invocada: era preciso mais tempo para organizar o policiamento necessário às manifestações previstas. Nenhuma polícia precisaria de sete dias para planejar barreira de estrada e o cerco a um prédio.
 
O adiamento foi para esperar a pesada e contraditória delação de Renato Duque contra Lula e as de dirigentes da empreiteira OAS, carreando de quebra as delações de João Santana e sua mulher.
 
A fragilidade das motivações expostas não resiste às evidências. Ainda mais quando uma militante da direita extremada faz as vezes de juíza. Caso de Diele Zydek, que proibiu a montagem em Curitiba dos manifestantes esperados. Escrevo enquanto Lula depõe e a expectativa das manifestações não sugere suas perspectivas.
 
Mas as restrições adotadas em Curitiba, só elas, sem dúvida já agrediram a liberdade de manifestação pública. Esses abusos estão crescendo em número e em ação. Manifestações políticas dependem dos lugares onde ocorram.
 
A restrição à sua liberdade começa por deslocamento forçado da área que lhes é permitida. Depois vem a violência policial, trazendo como uma das consequências o estímulo às arruaças e depredações.
 
Na briga entre Gilmar Mendes e Rodrigo Janot, só resta torcer pelo empate. São dois modernos mal compreendidos ou dois retrógrados demais. E seria bom se não representassem o movimento que ameaça o Judiciário de equiparar-se à desmoralização dos seus dois coadjuvantes nos Poderes. 
 
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5 comentários

  1. Era o Moro que precisava dos 7 dias para desconclamar as Moretes

    Se o Moro não tivesse desconvocado a Coxinhada, a Polícia iria precisar não de 7 dias mas de 7 meses para planejar barreira de estrada e o cerco a um prédio.

     

  2. Que vença o menos pior

    Se a pos-modernidade for o comportamento de brucutu que tem por ora Gimar ora Janot…. acho melhor continuar sendo das antigas. Vovoh tem razão, diz ela que o povo anda tão mal-educado, que tem até medo de sair de casa. Vovoh não viu nada. Se ela fosse um dia ao pleno do Supremo, acho que ai sim, ela tomaria um susto tão grande que nunca mais sairia de casa.

    Janio de Freitas, um dos mais charmosos jornalistas da nossa imprensa, é um craque.

    Ao GGN, contiue escolhendo bem as fotos do Gigi. Ele fica uma graça com esses biquinhos 😉

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