Armando Coelho Neto
Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo.
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Cafua jurídica no Paraná. Mas a Barbie Iuris volta à cena!, por Armando Coelho Neto

A cafua jurídica do Paraná é movida a ideologia e fígado. Seus critérios estranhos respingam no próprio TRF-4, que não se preocupa com imagem

Cafua jurídica no Paraná. Mas a Barbie Iuris volta à cena!

por Armando Coelho Neto

Há exatamente um ano, nesse GGN* foi publicado o texto, “Venda de sentenças da Farsa Jato não pode respingar no TRF4”. O texto abordava um cheiro estranho na Justiça Federal do Paraná, num grito nada solitário sobre possível cumplicidade entre servidores do judiciário, de tão fartos que eram os indícios. Coação, escutas clandestinas, venda de sentenças, uso político da Justiça Federal…

Parece existir mesmo uma cafua judiciária no Paraná. Lula foi preso sem provas e endossada pelo TRF-4. Quem não lembra do desembargador Rogério Favreto? Ele estava de plantão naquela Corte – portanto, autoridade máxima do dia, e, atendendo pedido da defesa, soltou Lula. Após prende-solta, estranhas manobras na PF, JF e TRF-4, a farsa judicialesca curitibana começou a ser desmascarada.

O tempo, senhor da razão, mostrou mais tarde o grau de promiscuidade entre magistrados paranaenses, já que o hoje ex-juiz era afilhado de um dos desembargadores do TRF-4, além de outros compadrios. Mais que isso, foi proclamada a inocência de Lula e, por unanimidade, aquela mesma Corte elegeu o desembargador Rogério Favreto para diretor da Escola da Magistratura.

A cafua jurídica do Paraná é movida a ideologia e fígado. Seus critérios estranhos respingam no próprio TRF-4, que não parece preocupado com a imagem da corte. O estranho viés transparece na Justiça Eleitoral/PR, cujos membros foram capazes de legitimar o trampolim político de um ex-procurador e um ex-juiz, ambos envolvidos em falcatruas inimagináveis, inconfessáveis, escândalos judiciais.

O ex-procurador federal praticou manobras ilegais antes de deixar o Ministério Público Federal/PR. Para fugir de provável punição, pleiteou candidatura a deputado federal e conseguiu se eleger. Embora ilegal sua manobra, o Tribunal Regional Eleitoral fez vistas grossas, tendo o caso ido parar no Superior Tribunal Eleitoral que cassou o mandato. Trata-se de mais um caso de leitura vesga da lei no Paraná.

Noutra interpretação vesga cafuense, o mesmo TRE/PR rejeitou ações ajuizadas pelo Partido Liberal (PL) e pela Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), que acusam o ex-juiz (ainda senador) de vantagem ilícita por abuso de poder econômico e político, uso indevido de meios de comunicação, pois usufruiu de verba e exposição em dois partidos e em candidaturas distintas (Senado e Presidência).

Se o Rio de Janeiro pode dizer, “Yes, nós temos milícia”, o Paraná no passado já dizia “In Fux we trust”. Noutras palavras, “nossos corruptos são mais refinados e temos mais proteção”. O afastamento de uma juizeca arrogante no Paraná além de realçar o fedor do ralo, lava a alma dos que se envergonharam com a postura dela durante oitiva de Lula. Sim, a justiceira “copia-e-cola” ainda está em maus lençóis.

Mas, está em jogo R$ 2,5 bilhões pertencentes à União que teriam sido extorquidos da Petrobras, com ciência da Barbie de Curitiba e dois larápios em ação: um ex-juiz e um ex-procurador. Há suspeita de conluio entre os operadores do sistema de justiça, em circunstâncias obscuras, já que os acordos de colaboração e leniência eram feitos sem transparência, sem base documental e registro de circunstâncias.

Exame preliminar do CNJ diz ter havido gestão caótica no controle de valores oriundos de acordos de colaboração e de leniência firmados com o Ministério Público. Via ações e omissões, faltou zelo quanto destinação a valores e bens apreendidos, falta de critérios legais e sem fundamento, cabendo desta forma aferir, também, as condutas das instâncias superiores que examinaram os recursos.

Mas, nem só de Petrobras vive a cafua paranaense. Tem festa da cueca usada para chantagear desembargadores do TRF4, conforme denúncia de um certo Tony Garcia. A festa teria sido filmada e entregue ao ex-juiz larápio. Chantagem? Para fazerem o quê? Há notícias de vídeos, gravações de conversas e telefonemas, também entregues ao justiceiro da Farsa Jato, cujo destino é desconhecido.

Sem ordem cronológica, o advogado Rodrigo Tacla Duran Duran, suposto operador do sistema de pagamento de propinas da Odebrecht para políticos, diz ter sido vítima de extorsão, num contexto que envolve um advogado que não só seria padrinho de casamento do ex-juiz, mas também sócio da mulher do carrasco da Farsa Jato. Para não ser preso, teria pago US$ 613 mil a um advogado ligado ao ex-juiz. Ora pois!

Palco de notáveis falcatruas, entra na lista pirataria industrial por parte do pai da Barbie de Curitiba. O jornalista Leandro Demori divulgou documentos que implicam um engenheiro químico, pai da juíza. Trata-se de pirataria industrial em prejuízo da Petrobras SIX, subsidiária da estatal. Segundo investigação da Petrobras, houve negociatas com informações privilegiadas surrupiadas pelo pai da juizinha.

Mas, que pena! A Barbie voltou a sorrir, inclusive com voto de um tal Barroso*, aquele que tinha um homônimo (?) no Escândalo Banestado. As supostas ligações da juizeca com a extorsão de bilhões da Petrobrás, ou não existem, ou se existem são menos importantes do que o suposto telefonema do juiz Eduardo Appio para um protegido do TRF-4. Ah! A senha do computador dele era LUL2022. Deve ser isso!

Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo

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2 Comentários

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  1. Excelente, Coelho! Que bom que você nos faz lembrar todos esses fatos para mostrar a facilitação para a Barbie meritíssima! O Barroso alega que ela tem fama ilibada de servidora! Penso que seu curriculum é muito similar ao da Micheque!

  2. Excelente texto Armando! Precisamos mais do personagem supremo nesse retrocesso e apoiar publicamente o posicionamento de Salomão.

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