Revisionismo, por Rui Daher

Revisionismo, por Rui Daher

Pestana me liga. Parece aflito. Terá descoberto o quanto a Odebrecht gastou com publicidade na Rede Globo?

– Fala.

– Estou na Redação. Venha imediatamente.

– Do que se trata? Marcelo propinava Arns?

– Nada. Já convoquei o Nestor. Amiga que mora na Itália me presenteou com uma Grappa Corvo espetacular e o Rubinho me prometeu entrevista que irá voltar às pistas.

– Vou pela primeira. O Rubinho deve ter conseguido do Galvão a tarefa de cobrir os buracos no asfalto de Interlagos em conluio com Doriana Júnior, todos muito próximos.

– Vem logo. O Nestor já está aqui.

– Saindo.

– Ah, passa na padaria e pega umas coxinhas.

– Se femininas, fico por lá.

– Vem, porra!  

Na padaria, em frente à Redação, ainda sem cortinas, pois a Lourdes estava de férias, compro dois pacotes de biscoitos de polvilho. Orçamento curto. Coxinhas cobram caro.

– Trouxe tudo?

– O tudo é isso. Ou preferem que eu atrase os salários?

Grappa com biscoitos de polvilho, ao som de Carminho interpretando canções de Tom Jobim, podem entorpecer, mas não a nós, solertes jornalistas.

Nestor fulmina:

– Que merda é essa de tanta autocrítica da esquerda? Viram o que postou a Laurinha, fora do Jânio, a única coisa que se aproveita na Folha de São Paulo?

– Vi, aceitou a minha amizade e de mais sete mil pessoas.

– Parece até que estamos há cinco décadas no poder.

– Pois é. Treze aninhos mancomunados com aqueles bostas do PMDB, o siri e o cacete partidário, pudemos fazer o quê? Ela acha que temos que nos reinventar, confessar que só fizemos merda. Ela escreveu avisando e nós não a seguimos. Neutralidade opinativa, pois não.

– Essa a diferença da moçada em relação a Chauí, a Conceição, o Bresser.

– Talvez, a moça, que competente e de esquerda ela é, esteja pensando na Heloisa Helena, na Luciana Genro, no Rural Wyllys, sei lá. Vejam só, cinco séculos de dominação e 13 anos deveriam promover a transformação?

– Moderninha, mas talvez queira que a gente pare de beber e fazer galhofa.

– Talvez, não tenha lido o suficiente Tarso de Castro e Ivan Lessa. Meninada estudada, séria, né? Precisamos respeitar.

– Mas nós vimos acontecer. Não foi só leitura e audiovisual, cara. Alguém nos respeita?

– Só faltava. Pestana, eu diria que ficamos numa batucada de bambas junto à torcida do Flamengo.

– Mas ela foi bem. Professora da FEA-USP, doutora pela New School for Social Research, amiga do Gregório, escreve na Folha que a usa para justificar neutralidade em contraposição ao Ronaldo Caiado. Há que se respeitar.

– Sim, mas o que ela quer? Uma tomada de consciência de esquerda para a reforma ou para tomada do Poder? Não entendi.

– Porra, Nestor, você acabou com a garrafa que chegou hoje da Itália.

– Não só. Com os biscoitos de polvilho também. E agora?

– Agora concluímos sabendo aonde Laura quer chegar. Justificar que foi crítica e sabia a merda que Lula, Dilma e o PT fizeram.

– A padaria ainda está aberta?   

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3 comentários

  1. calma Rui

    A Laurinha está ofuscada pelas luzes da ribalta e assombrada pela falta de assunto.

    Primeiro porque a guria virou rock star da Economia nativa e está numas, tá sabendo? Acabaram de me contar que está até reunindo a turma da Unicamp para formar uma banda, The Leftist Queen and her Freak’conomists, para se apresentar no Programa do Jô antes que a senilidade galopante ou o fim do prazo de validade tirem o gordo do ar.

    Quanto à clareza dos textos, pô Rui!!! Você está ficando ranzinza e intolerante. Já imaginou o que é ter que escrecer sem parar sobre Economia, dia-após-dia? Uma hora o assunto acaba, a originalidade se vai e resta o velho e bom encher linguiça.  Ora se a moça  conseguir escrever 800 palavras não dizendo nada, ou melhor ainda, dando um curto circuito cerebral no leitor ao estilo arte de Andy Warhol, cara… é iraaadoooo. 

    Essa menina vai longe…

     

       

  2. Caro Boeotorum Brasiliensis,

    Se nosso Blog-Boteco não tivesse com “sérias restrições orçamentárias”, eu contrataria você para compor a equipe de repórteres com o Nestor e o Pestana. Abraços. 

    • Seria uma honra e faria de

      Seria uma honra e faria de graça. Só pelo prazer da companhia.

      O problema é a falta de tempo para assumir mais compromissos.

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