5 de junho de 2026

Discurso de Haddad ou, como fazer a mídia de boba, por Luís Nassif

A esta altura, nas mesas de bistrôs da Vila Olímpia, os operadores estão tomando seus drinks e morrendo de rir da mídia.

Prezados colegas da mídia financeira,

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deixa explicar para vocês como o tal mercado os faz permanentemente de bobos, para faturar.

O jogo é mais velho que a Sé de Braga:

  1. Escolha um gatilho qualquer, no caso, o discurso de Fernando Haddad na Febraban.
  2. Comece a comprar na véspera. Pelo efeito manada, os incautos vão atrás comprando e o índice sobe.
  3. Um pouco antes do gatilho, os mais apressados começam a vender os índices. Quando ocorre o fato, os malandros vendem em bloco e o índice volta para o patamar anterior.

O discurso de Fernando Haddad na Febraban foi no dia 25 de novembro. Haddad falou em nome de Lula, mas não na condição de Ministro, pois a indicação ainda não havia sido feita.

Por isso, obviamente, não poderia apresentar nenhuma ideia concreta sobre a política econômica do próximo governo.

O que o mercado faz – contando com a ingenuidade e o efeito Pavlov da cobertura? Cria um gatilho: no caso, o discurso de Haddad. Depois, providencia uma alta da Bolsa no dia anterior. Os incautos entram no jogo. Haddad faz um discurso óbvio de quem, não sendo oficialmente Ministro, não teria porque entrar em detalhes sobre a política econômica. Aí, os espertos passam a espalhar a informação de que o discurso de Haddad desapontou o mercado e começam a vender, no pico, os papéis que compraram antes da alta.

No dia 23, o Índice Bovespa estava em 108.874,23.

No dia 24, véspera, começa a subir e às 12:01 bate em 112.601,76. Registre-se que foi o menor volume negociado no mês, o que mostra que o índice subiu com menos negócios. No dia 25, começa a desova, com quase 20% a mais de voluma negociado que no dia anterior.

O dia 25 abre com  uma queda inicial. Às 10:08 estava em 111.914,94.

Finalmente vem o discurso e o índice cai para 108.976,23, o mesmo nível que tinha antes.

A esta altura, nas mesas de bistrôs da Vila Olímpia, os operadores estão tomando seus drinks e morrendo de rir da mídia.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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8 Comentários
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  1. +almeida

    26 de novembro de 2022 11:10 am

    O que se pode esperar de uma mídia viciada, dominada e não honrada?

  2. Naldo

    26 de novembro de 2022 11:17 am

    Poisé “seo” Nassif, alguém tem que quebrar a perna dessa escumalha, li outro dia que um tal juros futuro está a 15%, aí me lembrei que um certo capiau foi flagrado ligando para certo banqueiro pra perguntar quanto a tal taxa deveria ir, deveria ter sido impichado ali, mas é isso mesmo??? Os caras apostam e depois vão perguntar pra eles quanto o troço deveria ser???? Isso no código penal tem outro nome… E tem sujeito dizendo que não é cassino??? Não é mesmo, por que se fizerem isso num cassino tomam um pau pra entortar a espinha ..

  3. José Rodrigues da Silva

    26 de novembro de 2022 12:19 pm

    Verdade Nassif, o mercado é como o narcotráfico, o importante é ter o viciado sob controle!

  4. Lima

    26 de novembro de 2022 4:34 pm

    Infelizmente, através apenas do GGN, o povo brasileiro não será esclarecido sobre as manobras dos pilantras do mercado financeiro e seus prepostos na política. Volto a dizer através dessas tortuosas linhas que necessitamos da participação de todas as entidades comprometidas com a democracia, sejam associações de bairro, partidos políticos progressistas, clubes de futebol de várzea ou sindicatos, para tirar o povo brasileiro do pântano de ignorância no qual está imerso pela falta de oportunidade de evoluir culturalmente. Ser informado de maneira decente e isenta é uma quimera que já não existe mais no ambiente de comunicação social. Restam os tuites, zapzaps e os pastores das ovelhas perdidas.

  5. ed.

    27 de novembro de 2022 12:28 pm

    Perfeito, com um reparo: a miRdia (à serviço) não é “feita de boba”, ela se faz de boba.
    Ganhando bilhões sem suar, é fantástico que banqueiros falem em “senso de urgência” (de mitigar fome e miséria é que não é). No máximo poder-se-ia falar (©Temer) em “ansiedade crônica”…

  6. José Carvalho

    27 de novembro de 2022 3:34 pm

    O interessante é que o mercado não fica decepcionado com o fato do Brasil ficar anos sem ter crescimento sólido. Na realidade para o mercado especulador quando uma economia é inconsistente e se liquefaz facilmente, ele se sente no paraíso. O discurso ideal no “País de Alice”, seria Fernando Haddad mostrar uma varinha mágica e pronunciar que o mercado vai resolver tudo. Como o País se orgulha de competitividade ímpar e invejável dinâmica em todos os setores, criados por esse esplendoroso mercado. Não está somente nas manchetes e reações publicadas pela mídia, o efeito causado, é essa sacola representada pela economia brasileira, que é falta de conteúdo, de substância o maior problema. Se a economia fosse “cascuda” e esse tipo de atividade apresentasse algum risco de fracasso, a coisa poderia ser diferente. Mas eles sabem que o País é de amadores. Com todo o tempo e oportunidades, trancos e solavancos, ninguém sabe pra onde vai. Um País precisa saber o que é.

  7. Rui

    27 de novembro de 2022 3:39 pm

    Tava pensando que uma diferença flagrante entre o liberalismo e o neoliberalismo é que os são contrários à intervenção do estado no mercado, enquanto os neoliberais são a favor da intervenção do mercado no Estado. Não é à toa que o mercado quer empacar o Ministro da Economia com responsabilidade social a fim de emplacar um Ministro da Economia com responsabilidade fiscal.

  8. sergio

    28 de novembro de 2022 3:46 pm

    KKKKKKK
    Boba??? Achas que não faturam junto com os especuladores???
    Realmente só se forem bobos.

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