Império norte-americano se esfacela em velocidade inesperada, diz economista

Em artigo, economista diz que sanções podem representar “tiro no pé” norte-americano e estimular influência China-Rússia na Eurásia

Image by Gerd Altmann from Pixabay

A queda do império norte-americano está em andamento, e a velocidade com que está ocorrendo é mais rápida do que se poderia esperar.

A afirmação é do economista Michael Hudson, professor da Universidade de Missouri, em artigo publicado no site Eurasia Review, ressaltando a declaração de diplomatas que o país está “atirando no próprio pé” ao se referir ao seu confronto com a Rússia e seus aliados.

“Por mais de uma geração, os diplomatas mais proeminentes dos EUA alertaram sobre o que eles achavam que representaria a ameaça externa final: uma aliança entre Rússia e China dominando a Eurásia”, diz o articulista.

Hudson lembra que as sanções econômicas dos Estados Unidos e o confronto militar acabaram unindo Rússia e China, e estão levando outros países à sua órbita emergente da Eurásia, e acreditava-se que o poder econômico e financeiro americano seria capaz de evitar essa virada. O que não aconteceu.

O dólar tem sido a moeda de referência nas negociações do mercado e entre bancos centrais desde 1971, e esse predomínio permitiu aos Estados Unidos impor políticas neoliberais no resto do mundo sem a necessidade de força militar.

Contudo, o articulista lembra que as sanções impostas pelos EUA e seus aliados junto a países como Rússia, China e Irã gerou enormes custos de oportunidade (perdidas) aos aliados.

Na visão de Hudson, o confisco do ouro e das reservas estrangeiras da Venezuela, Afeganistão e Rússia, além da apropriação de contas bancárias de estrangeiros ricos “acabou com a ideia de que as participações em dólares (ou ativos em libras esterlinas, ou em euros nos países da OTAN) são um porto seguro para investimentos” quando as condições ficam instáveis.

E o caso da Rússia é ainda mais singular: em meio às sanções que acabaram levando o país a produzir produtos que inicialmente eram importados (como queijos), o economista alerta que o país está descobrindo (ou está perto disso) de que não precisa de dólares como lastro para a taxa cambial do rublo.

“Seu banco central pode criar os rublos necessários para pagar os salários domésticos e financiar a formação de capital”, diz Hudson, ressaltando que os confiscos norte-americanos podem levar à Rússia a dar fim à filosofia monetária neoliberal em seus mercados.

E o efeito das sanções pode ser reverso: ao confiscar o dólar, o euro e a libra esterlina dos bilionários russos, os investimentos no mercado de Londres podem ser mais arriscados inclusive para outros países sujeitos à sanção norte-americana.

Leia Também

Trigo já subiu 46,2% no mundo e até preço do pão francês pode disparar. Veja por que

O liberalismo das cavernas, por Nathan Caixeta

A economia russa e as sanções econômicas, por Luís Nassif

7 Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Nem tanto; nem tampouco.
    O império anglo-americano vai se esfacelar como ocorreu com Roma. Numa velocidade bem mais que o Império Romano; mas não tão depressa como prega os alarmistas.
    Infelizmente pra nós da periferia que continuaremos pagando até que não haja mais ninguém pra receber, porque, depois de Alarico saquear Roma será a vez d”os turcos invadiram Bizâncio”.

  2. A crise do império não é senão a crise do capitalismo. As ameaças de violência refletem a situação insolúvel a que atingiu uma forma de civilização que só pode encontrar soluções num processo profundo de transformação.

  3. Estamos nos aproximando do momento mais agudo da transição para um mundo multipolar. O grande problema é sabermos se será ao estilo 1984, em que três grandes blocos, todos autoritários, fazem e desfazem alianças para manter o mundo em guerra permanente e as massas empolgadas com as “vitórias”, ou se vamos passar a um novo nível de civilização, com o fim do domínio colonialista finalmente.
    Há, é claro, a possibilidade de que não acabe nem de um jeito nem de outro, com os EUA, dada a natureza de sua elite, do tal “estado profundo”, deslanchando uma guerra de destruição total, na vã esperança de emergirem como os grandes vitoriosos.

  4. Talvez não na velocidade desejada, tipo assim, eu poder apreciar…
    Mas, falando sério, o império anglo-estadunidense se desmilingue e, pasmem, leva consigo o restinho de credibilidade do outrora inquebrantado supremacismo europeu. A velha Europa, tão arrogante, a reboque dos yakees; sem líderes, sem pensadores. Totalmente acéfala Europa.

  5. Enquanto os negócios globais são lastreados em dólar, os EUA emitem moeda sem parar e com esta prática sufocam e tornam reféns países pelo mundo afora. Na toada de desviar o olhar enviesado (forçado) para os lados ocidentais, ou seja, para o Tio Sam, esqueceu-se de olhar para outras alternativas que, se realizadas cooperativamente e sem a perspectiva de alguém que manda e outros que obedecem, tem tudo para dar certo, quem sabe no médio prazo. Vamos torcer por que de fratricidas já estamos cheios.

  6. O ANTICRISTO deverá surgir na Europa, segundo as profecias bíblicas. O mundo está sendo preparado para isso, tanto no aspecto geopolítico e econômico, como social. A Europa, e o restante do mundo, clamam por um líder mundial que “resolverá” todos os problemas e trará a “paz”, até que a repentina destruição sobrevenha. Serão atendidos.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Seja um apoiador