A economia não é tudo, por Boeotorum Brasiliensis

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Por Boeotorum Brasiliensis

Comentário ao post “Xadrez da construção de um projeto nacional

A Economia conecta-se com a Política e esta com a visão de futuro compartilhada por uma sociedade e, consequentemente, com a missão das instituições dando o frame onde se definem e aplicam as políticas de Estado. Não é possivel dissociar qualquer projeto dessas ciscunstâncias e é vital entendermos corretamente como aí se inserem a Economia, a Teoria Econômica e as Políticas Econômicas.
 
A Economia é ciência social e as políticas econômicas, sejam qual forem, são ciência social aplicada. Como ciência social, apoia-se em dados e informações obtidos por pesquisa, por indução cria hipóteses, por dedução formula teorias. Contudo, diferente das ciências exatas, não permite ensaios e provas inequívocas que as comprovem. O grande laboratório é a sociedade e, pela multiplicidade, complexidade das variáveis e pela vastidão do próprio campo de aplicação, não permite traçar inter-relações com precisão científica. Isto é, as observações continuadas dos efeitos econômicos previstos em teorias permitem determinar padrões de comportamento bastante estáveis que passam a ser considerados leis. Todavia, mesmo esses padrões são relativos e passíveis de distintas leituras e interpretações a depender da estrutura socioeconômica do local observado e do próprio observador.

 
A teoria econômica cria, assim, parâmetros normativos que nos dão referência para o modelo ótimo de estrutura e funcionamento da economia. Esses parâmetros, ao serem comparados com dados econômicos reais de dado local observado, são usados para determinar o quão distante os seus fundamentos econômicos estão das balizas determinadas como “ideais” pela teoria. Neste ponto entra a política econômica. Impositiva, sua formulação e aplicação se voltam ao ajuste entre o que é e o que deveria ser conforme preconizado em teoria.
 
Aqui reside o X da questão e o ponto onde as atenções da sociedade devem se concentrar.
 
O primeiro aspecto da situação é registrar que tanto mais distante das balizas os fundamentos econômicos se encontrem maior será o impacto sobre essa sociedade.
 
O segundo tem a ver com os desejos e necessidades indicados como prioritários por essa sociedade. Devem ser levados em consideração ou, melhor, adotados como metas pelos formuladores e agentes promotores da política econômica sob o risco de divorciar a estrutura socioeconômica e sua dinâmica do interesse dessa sociedade, transformando-se em uma visão messiânica e/ou mecanicista que contraria àquela dos a quem pretende servir.
 
Enfim, nós, como membros, atores e pacientes desta sociedade e da política econômica aqui aplicada, devemos ser consultados e os desejos e as necessidades que apontarmos como prioritários devem ser considerados e respeitados nos ajustes levados a cabo na economia. O pressuposto válido e o único que confere e regula a representatividade, poder de representação para agir em nosso nome e os limites da autonomia concedida é aquele restrito aos termos de outorga dado pela sociedade à autoridade econômica.
 
Para tanto, o único instrumento possível para se estabelecer com legitimidade um plano econômico para a Nação, prevendo e detalhando medidas, identificando e mensurando impacto socioeconômico e, principalmente, estabelecendo objetivos e metas sintonizados com os objetivo e metas dos cidadãos é um Plano de Desenvolvimento Nacional. Sem isto, não se sabe para onde vamos, como vamos, por que vamos, quando chegaremos, que benefícios nos trará e quanto isso nos custará como povo, como nação e como país.
 
 

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