Para Bannon, Bolsonaro é a chance de se espalhar o nacionalismo de direita

Ao Estadão, Bannon disse que expatriados brasileiros intercederam pela família Bolsonaro em Nova York

Reprodução MSN

Jornal GGN – Steve Bannon, que foi o estrategista de Donald Trump nas eleições e que deu orientações para a campanha de Jair Bolsonaro no Brasil é o principal articulador do populismo de direita no mundo. O personagem concedeu extensa entrevista a Beatriz Bulla, correspondente do Estadão em Washington e faz as avaliações de Bolsonaro e da direita atual.

Bannon entende que o Brasil será fundamental para os EUA equilibrarem o poder da China e que Bolsonaro é a chance de se espalhar o movimento de direita pela América do Sul. Coloca o muro na fronteira do México, prometido em campanha por Trump, como fator fundamental para definir a posição do presidente americano para 2020. Considera ainda que o Partido Democrata dos EUA teve uma radicalização importante. 

O ex-estrategista é quadro da Cambridge Analytica, que foi alvo de acusações por usar indevidamente dados de milhares de usuários do Facebook para interferir na eleição americana de 2016. Quando as denúncias foram noticiadas, Bannon precisou sair da Casa Branca, em 2017, perdendo parte do prestígio nos EUA, inclusive com Trump.

Daí voltou seus esforços para a Europa, aproximando-se dos nacionalistas de direita na Itália e na Hungria. Do Brasil, em 2018, encontrou-se com Eduardo Bolsonaro três vezes e, com o sucesso da empreitada, voltou seus olhos para a América do Sul.

Ao Estadão, Bannon disse que expatriados brasileiros intercederam pela família Bolsonaro em Nova York. Não que não tivesse percebido o personagem, e o analisou e fixou nele por representar bastante a base de Trump. Acho que o populismo é o futuro da política, agora se é conservador de direita ou se se é de esquerda está o cerne da questão. Para ele a diferença maior entre os dois está na intervenção do Estado, e quanto menor esta intervenção, melhor. ‘O populismo de direita que foca na classe trabalhadora e classe média é o futuro’, diz ele, e a prova de que o modelo está no caminho certo são as vitórias de Trump, Salvini e Bolsonaro, abrangendo EUA, Europa e América do Sul. ‘Os três se conectam com a classe trabalhadora de uma forma visceral’, acredita ele.

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Ele acredita que a agenda nacionalista pode ser feita sem a intervenção do Estado. ‘Nacionalismo é colocar o seu país primeiro. Nacionalismo não diz que é preciso ter o Estado envolvido nos negócios. No Brasil, especificamente, será uma série de acordos comerciais, de questões de soberania relacionadas à China’, declarou.

Diz que não conversou com Bolsonaro pessoalmente, por ele ser muito ocupado, mas entende que está se saindo muito bem e fala com as pessoas próximas a ele todo dia. Considera o que aconteceu no Brasil como um experimento dele, dedicação dos últimos dez anos. Começou isso nos EUA, passou para a Europa, e agora vê no capitão Bolsonaro como a ideia pode se espalhar mundialmente.

Como recomendação a Bolsonaro, Bannon diz que para ele diria que é preciso manter as promessas que fez às pessoas, daí tudo correrá bem. Demonstrou um certo receio com relação a Guedes, ministro da Economia, mas não tanto.

Acha que a presença de Bolsonaro em Davos foi vitoriosa, já que o local é a capital do ‘globalismo’. Sobre Olavo de Carvalho, o tem em alta conta. ‘A história vai mostrar que ele é um dos grandes conservadores e filósofos. O que ele faz no Brasil, seus escritos estão cada vez mais conhecidos nesse movimento. Acho que ele será mais e mais conhecido a cada ano, não só para o Brasil, mas para o entendimento desse movimento numa perspectiva mundial’, acredita.

Acha que o governo Bolsonaro é uma nova oportunidade para um acordo comercial com os EUA e, de novo, diz que há uma grande preocupação com a China. ‘Haverá muito mais ênfase na hegemonia da China (do que nas questões do Oriente Médio) agora. O Brasil é um dos elementos centrais disso, veremos nos próximos cinco ou dez anos que a relação dos EUA com o Brasil estará no primeiro plano e será uma das relações mais importantes’, conclui.

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‘O Brasil será um dos campos de batalha nisso, porque a China não vê o Brasil por seu capital humano, vamos ser francos. O que eles veem é uma maciça oportunidade de recursos naturais e agricultura’, diz Bannon.

‘Esse conflito global econômico entre o Ocidente… Lembre, quando Trump diz sobre mudanças estruturais é para trazer a cadeia de fornecimento de volta às democracias industriais’, diz ainda. ‘O tipo de capitalismo que eles fazem no Brasil e na África Subsaariana incentiva as elites, controla infraestrutura e recursos naturais através da elite, é um capitalismo predatório dos chineses que têm de ser quebrado’, vaticina.

Leia a íntegra da entrevista aqui.

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1 comentário

  1. Steve Bannon elegeu Trump. Talvez tenha elegido Bolsonaro.
    Isso só prova que ele domina uma tecnologia de manipulação eleitoral.
    Política é outra coisa. Neste terreno, Bannon demonstra viver no mundo da maionese.

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