Lula denuncia corrida armamentista que retira recursos sociais e ambientais 

Renato Santana
Renato Santana é jornalista e escreve para o Jornal GGN desde maio de 2023. Tem passagem pelos portais Infoamazônia, Observatório da Mineração, Le Monde Diplomatique, Brasil de Fato, A Tribuna, além do jornal Porantim, sobre a questão indígena, entre outros. Em 2010, ganhou prêmio Vladimir Herzog por série de reportagens que investigou a atuação de grupos de extermínio em 2006, após ataques do PCC a postos policiais em São Paulo.
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O presidente discursou em evento empresarial que antecipa a Cúpula América Latina-Europa, que começa nesta segunda (17), em Bruxelas

Presidente Lula no relançamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial. | Imagem: Reprodução/Twitter/Lula

A ação da Europa na guerra da Ucrânia lança sobre o mundo o manto da incerteza e canaliza para fins bélicos recursos até então essenciais para a economia e as questões sociais. A corrida armamentista, resultado deste conflito, perpetua a guerra e dificulta o combate às mudanças climáticas. 

Em seu discurso na abertura dos eventos empresariais que antecipam a Cúpula América Latina-Europa, programada para começar nesta segunda-feira (17) em Bruxelas, na Bélgica, o presidente Luís Inácio Lula da Silva se referia aos US$ 2 trilhões gastos no mundo com armas a partir da guerra na Ucrânia. 

Sem citar nominalmente o Ocidente, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), União Europeia e os Estados Unidos, diferente de outras ocasiões, Lula talvez nem precisasse dar nomes aos bois: o telegrama acabou enviado aos respectivos endereços e entendido pela comunidade global. 

Levantamento 

Segundo o Instituto de Pesquisas pela Paz, de Estocolmo, autor do levantamento que chegou aos US$ 2 trilhões em armas, em fevereiro de 2023 a Ucrânia já havia recebido em ajuda ocidental mais de US$ 100 bilhões. Este valor supera o oferecido por países ricos aos emergentes para lidar com mudanças climáticas. 

Lula chamou à responsabilidade os governantes, empresários e trabalhadores para “reconstituir o caminho da prosperidade, da retomada da produção, dos investimentos e dos empregos”. O discurso do presidente, respaldado por números e realidade objetiva, reflete também um impasse estabelecido.

Impasse: guerra na Ucrânia 

Nas negociações sobre a declaração final, informa o jornalista Jamil Chade, os europeus querem que a declaração final cite a “guerra de agressão” contra o território ucraniano, denunciando abertamente a Rússia pelo ataque. Mas governos latino-americanos se recusam a aceitar os termos. 

A opção da América Latina é de que a declaração apenas mencione a “guerra na Ucrânia”, sem apontar Moscou como culpado. O Brasil também é contrário às referências de uma “guerra de agressão”. Diante das posturas continentais díspares, a diplomacia nacional tentará costurar uma posição intermediária. 

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