A moça do Freud, 2 – por Romério Rômulo

digo que sou poesia / camarada do Adelzon / e um certo Carlos Scliar / fez meu retrato em crepom.

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A moça do Freud, 2

por Romério Rômulo

Eu namoro uma donzela
que só me fala do Freud
e pra ficar perto dela
eu tomo muito alcaloide.

digo que sou poesia
camarada do Adelzon
e um certo Carlos Scliar
fez meu retrato em crepom.

meu parceiro Rufo Herrera
o pai do bandoneon
tocou tango em frigideira
só pra mostrar que eu sou bom.

Hélio Delmiro vai fundo
só porque é meu amigo
e Deus quando vem ao mundo
só vem pra falar comigo.

se alguém me dá um fora
e eu fico fora de mim
Nassif chega na hora
armado de um bandolim.

o poeta Tião Nunes
um homem que é só amor
beija meus versos impunes
como se beija uma flor.

pelo que diz Manuelzão
meu companheiro de prosa
eu já cantei o sertão
muito melhor do que Rosa.

quando a vida me descamba
e o meu corpo se enrola
Caçula me faz um samba
pelas regras do Cartola.

Mas se a moça não concede
e eu tenho de saber Freud
ela me manda, não pede
mas vou viver de alcaloide.

Romério Rômulo

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