Letícia Sallorenzo
Mestra em Linguística pela Universidade de Brasília (2018). Jornalista graduada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro
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Firehosing: modo de usar contra o PL 2630, por Letícia Sallorenzo

As Fake News te seduzem porque elas se aproveitam de vulnerabilidades cognitivas que todo mundo possui, em maior ou menor grau

Firehosing: modo de usar contra o PL 2630

por Letícia Sallorenzo

Eu devia estar escrevendo meu projeto de doutorado que tá atrasadésimo, mas como o tema de meu estudo é justamente o Firehosing e como ele vem sendo aplicado, acho que posso transformar este texto daqui, posteriormente, num artigo científico – ou mesmo aproveitar parte dele no meu projeto de doc.

Primeiro, deixa eu lembrar aqui procêis o que é Firehosing. Eu já falei desse troço algumas vezes, mas faço questão de repetir.

É um processo de planejamento, produção, disseminação e ratificação de informações indevidamente tratadas como verdadeiras por quem as propaga, de forma a induzir em quem as consome sensações negativas, contrárias a um alvo eleito.

O Firehosing é um método extremamente funcional de propaganda (aqui entendida como a propagação de informações de fonte tendenciosa ou enganosa), usadas para promover ou dar notoriedade a uma causa política ou ponto de vista específico. O termo propaganda, neste caso, é pejorativo, e como tal deve ser entendido) e desinformação.

A metodologia do Firehosing é tão radical e extrema quanto a ideologia de quem a aplica, a ponto de a delegada da Polícia Federal Denisse Rocha, que investigava a quadrilha do chamado Gabinete do Ódio, descrever em seu relatório que “para além de uma relação de causa e consequência e de suas repercussões criminais [da disseminação de desinformação], o que distingue as condutas sob apuração da mera manifestação de opinião é o nítido propósito de manipular a audiência distorcendo dados, levando o público a erro e induzindo-o a aceitar como verdade aquilo que não possui lastro na realidade.”

A melhor e mais sucinta conceituação do que é Firehosing, em Língua Portuguesa, está na ordem de prisão do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos, emitida em 5 de outubro de 2021. Seu relator, o ministro Alexandre de Moraes, ao descrever a atuação da “suposta organização criminosa” de Allan dos Santos, cita que:

“A suposta organização criminosa, no entender da PF, conforme elementos de provas já colhidos, baseia-se na transmissão de informação com as seguintes características:

1) em “alto volume” e por multicanais, implicando em variedade e grande quantidade de fontes;

2) rápida, contínua e repetitiva, focada na formação de uma primeira impressão duradoura no receptor, a qual gera familiaridade com a informação e, consequentemente, sua aceitação;

3) sem compromisso com a verdade; e

4) sem compromisso com a consistência do discurso ao longo do tempo (i.e., uma nova difusão pode contrariar absolutamente a anterior sem que isso gere perda de credibilidade do emissor)”

Acabo de descrever um método muito eficaz e funcional e propagação do que se convencionou chamar de Fake News, mas os estudiosos do assunto preferem chamar de desinformação: as Fake News nada mais são do que mentiras que chegam pelo celular e têm o objetivo de te fazer de otário. Desculpa, mas alguém tem que jogar isso na cara das pessoas.

As Fake News te seduzem porque elas se aproveitam de vulnerabilidades cognitivas que todo mundo possui, em maior ou menor grau – quem as possuem em maior grau são as pessoas mais susceptíveis às Fake News. Elas são o instrumento com o qual pessoas / organizações inescrupulosas se aproveitam de seus medos, inseguranças e incertezas. Usam seus medos, inseguranças e incertezas contra você e a favor de quem as propaga. Lembrando que o objetivo é te fazer de otário – e, óbvio, se dar bem. Ou, como resume primorosamente o Conrado, do saudoso desenho da Turma do Fudêncio:

Firehosing em ação contra o PL 2630

Agora que você já entendeu direitinho módiquê se trata o Firehosing e sabe que você é o Conrado da história, vamos ver esse trem em ação. Não sei se vocês observaram, mas rolou (e ainda tá rolando) um firehosing pesado esta semana.

Lembra do lance das “informações indevidamente tratadas como verdadeiras por quem as propaga, de forma a induzir em quem as consome sensações negativas, contrárias a um alvo eleito”?

O alvo eleito em questão é o PL 2630. Por que? Porque trata-se de um projeto de lei que, uma vez aprovado, vai regular as big techs, ou seja, as empresas por trás das redes sociais que a gente tanto usa: Facebook, Google (do Youtube), TikTok etcetc.

Então, quem teria o objetivo de induzir em você sensações contrárias a um projeto de lei que, ao fim e ao cabo, vai contribuir para impedir ataques armados contra escolas, automutilação de adolescentes, propagação de discurso nazista e fascista etc? Dica: é quem ganha dinheiro com eles porque não faz nada pois não é obrigada. Acertou quem disse big techs.

Mas como as big techs vão fazer você se voltar contra um projeto de lei cujo objetivo final é proteger você e sua família, e só vai te trazer benefícios? Imaginem Zuckerberg e Musk dizendo hold my campari e observem a sucessão de fatos:

Cronologia dos fatos

25/4 – Câmara aprova a urgência da votação do PL 2630

Motivo: houve uma série de mudanças na composição das Comissões da Câmara. Com essa alteração, a relatoria do PL 2630 poderia mudar de mãos e, dependendo das mãos em que caísse, jogaria na lata do lixo 3 anos de um trabalho que ouviu diversos setores da sociedade, adaptou, estudou, analisou, escreveu, reescreveu, inseriu, removeu e tanto fez pra que o texto não perdesse sua essência.

Nesse dia 25 de abril foi bem divertido ver bolsominions arrancando as calças pela cabeça com Alexandre de Moraes enviando sugestões de alteração de redação ao projeto.

À direita, qualquer argumento negativo que você use é válido. Todo mundo à direita estava contrário ao PL 2630. Mas era pouco. Como Xandão é malvado, geral à direita tem medo dele. Se sente inseguro com qualquer coisa que ele faça. Xandão é o gatilho do medo à direita. Não à toa, ele é estrela máxima da desinformação e das Fake News da direita.

Outro argumento muito fácil de ser engolido pela direita foi o usado por Deltan Dallagnol, de que o PL iria censurar versículos da Bíblia. O que é falso já que o artigo 5º inciso VI da Constituição garante a liberdade de culto e crença: “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias” (o que deixa ainda mais clara a má-fé, com o perdão do trocadilho, do Dallagnol).

É interessante perceber que o discurso da direita é uníssono e homogêneo. Vai todo mundo na mesma direção argumentativa, com pouca ou quase nenhuma argumentação mais elaborada. O ódio se espalha rápido, de forma quase irreversível.

Ainda no dia 25, não percebi nenhuma grande discussão do tema à esquerda. Quem o mencionava, comemorava a vitória de um PL cujo relator é um deputado do PC do B – da base do governo, portanto. Ninguém da esquerda falava em censura. Esse foi mais um motivo pelo qual a guinada das 48 horas seguintes ficou ainda mais escandalosa.

27/4 – Perfis de esquerda começam a atacar o PL 2630

Argumentos (homogêneos, anda por cima) empregados no ataque: o PL 2630 iria promover a censura.

A sobrancelha da analista do discurso que vos fala levantou. Como assim? Essa argumentação discursiva até então era propriedade intransferível da direita! Que que tá acontecendo aqui?

Por que esse movimento me chamou atenção? Por um motivo quase que identitário: debate de esquerda que se preze é um caos argumentativo.

Um perfil de direita, por exemplo, que faça um post no Facebook que diz “Xandão prendeu Allan dos Santos”, vai ter uma série de comentários homogêneos – todos atacando Xandão.

Se um perfil de esquerda faz o mesmo post, vai ter gente defendendo Xandão, gente atacando Allan, gente lembrando que Xandão foi nomeado pelo Temer, gente fazendo pouco caso, gente dizendo “Xandão nunca critiquei”, gente postando gif de Xandão fazendo sinal de degola, gente dizendo q ele é do PCC, um desavisado perguntando “o que você tem a dizer deste vídeo?” do jardineiro paraguaio cortando pé de maconha e uma piadista de marca maior respondendo que “Xandão é sexy até carpindo lote” – tudo ao mesmo tempo agora, como uma boa aldeia gaulesa do Astérix se porrando por causa do peixe do Ordemalfabétix.

Então, a linha argumentativa da direita é uníssona e homogênea; a da esquerda é caótica e multifacetada.

No dia 27, pela primeira vez em onze anos de estudos de Linguística, eu vi um discurso de esquerda com argumentação homogênea. Nesse primeiro momento, diversos perfis de esquerda desenvolveram a mesma argumentação discursiva (falha e furada) da direita. NUNCA ANTES NA HISTÓRIA DESTE PAÍS, gente.

Os tradicionais seguidores desses perfis de esquerda se alarmaram (observem o verbo que eu acabei de usar. É um verbo que descreve um processo sensorial, pouco ou quase nada racional) com a informação, mas a mobilização à esquerda, ainda assim, estava baixa.

Mas calma. Calma que piora.

28/4 – Globo malvada

Vem a segunda parte da argumentação discursiva da esquerda, e aí me caiu os butiá tudo do bolso de uma vez só. O argumento: A Globo se beneficia com o PL do Orlando Silva.

Sub-argumento derivado: é injusto que as big techs sejam reguladas, se a Globo nunca foi nem jamais será regulamentada.

Jesus, Maria, José! Desce aquele urso atônito do desenho do pica-pau!

Pausa rápida aqui pra entendermos o absurdo dessa argumentação:

Não há como comparar redes sociais com mídia tradicional e corporativa. São duas questões bem diferentes.

A Globo é “domesticada”. Ela pode fazer o escambau em termos de manipulação de informação e condução de raciocínio e [insira aqui o seu chavão preferido pra explicar a situação]. Palavra de analista do discurso que vem estudando isso com afinco desde 2012.

Mas a Globo é uma empresa com CNPJ constituído e endereço conhecido. Se você quiser processar a Globo (inclusive, jogue no Youtube “Direito de resposta Brizola X Globo” pra você ver que beleza que é), você consegue. Trata-se de empresa com proprietários públicos, notórios, e que têm RG, CPF e endereço conhecidos.

Ademais, a Globo é uma empresa que atua no ramo de radiodifusão. É regida pela Lei Geral das Telecomunicações. Eu amaria ver as big techs regidas por essa mesma lei, mas não rola.

As chamadas big techs, por mais que tenham endereço conhecido, e CNPJ constituído em território brasileiro, e todas essas burocracias, não estão submetidas a nenhuma lei que não os seus famigerados “termos de uso”. Trata-se de um contrato xexelento que você “assina” e que transfere pra você toda a responsabilidade pelo que você faz nas redes sociais – e as isenta de tudo o que você faz.

Se você propaga nazismo, pedofilia, tráficos (de drogas, mulheres, órgãos ETECÉTERA), além da já conhecida e propalada desinformação (que você pode chamar de Fake News ou simplesmente “é minha opinião e pronto!”), elas dizem não ter nada a ver – mas têm. São o veículo que propaga isso tudo. E é essa responsabilidade que o PL 2630 tá jogando no colo delas.

Percebam: são dois departamentos diferentes. Se a Globo pode fazer o que faz e “segue impune”, o caso dela e de todas as outras emissoras brasileiras é caso de lei complementar regulamentando algo que está previsto na Constituição. É outro território. Não tem nem comparação.

Se a Globo propagar nazismo ou defender tráfico de órgãos e de mulheres, perde a concessão. Simples assim. Há certos limites que não é de bom tom ultrapassar, sabe?

No caso das big techs, não se trata de liberdade de expressão versus censura. Nunca se tratou. Se trata de combate ao crime. Se trata de ameaça à sociedade – COMO UM TODO, e não parte dela. Se você parar pra pensar direitinho, vai perceber que a manipulação da Globo é uma ameaça a PARTE da sociedade. As big techs ameaçam sociedades INTEIRAS, países INTEIROS.

Firehosing aplicado com sucesso

De repente, vimos que o PL 2630 se tornou um assunto propagado nas redes de esquerda e de direita em:

– Alto volume (muitos comentários a respeito disso)

– Multicanal (várias pessoas / canais de Youtube, Facebook, Twitter etc) diferentes falando ao mesmo tempo,

– Rápida, contínua e repetitiva: várias pessoas repercutindo e encaminhando o que já havia sido propagado, o que contribuiu na formação de uma primeira impressão duradoura no receptor, a qual gera familiaridade com a informação e, consequentemente, sua aceitação. (Isso nos conduz a praticamente um ciclo Tostines: o alto volume e o multicanal levam ao rápido, contínuo e repetitivo, que levam ao alto volume e ao multicanal, que levam…)

– Sem compromisso com a verdade e sem coerência com a lógica dos fatos ao longo do tempo: e aqui chegamos num ponto bem sensível. Esta semana, as big techs conseguiram manipular a esquerda. E o fizeram com má-fé e dolo, muito dolo. Usaram argumentos furados e infundados e, quando nada mais funcionou, descobriram o nosso Calcanhar de Aquiles.

Cognição vulnerável à esquerda

Lembram que eu disse que as Fake News trabalham nossas vulnerabilidades cognitivas?

Pois.

Na semana que passou, eu vi com meus próprios olhos a Globo (que, por incrível que pareça, é inocente não só no que diz respeito ao PL 2630 como no que diz respeito a este processo de manipulação) ser transformada numa imensa vulnerabilidade cognitiva do campo da esquerda.

Entendam: a gente ri de quem defende que cloroquina é um remédio eficaz contra Covid, ou de quem defende que a Terra é plana. Temos argumentos racionais para derrubar essas duas ideias.

Mas aqui do lado esquerdo da força, a Rede Globo é ponto de exploração de nossos medos e inseguranças.

Sim, eu sei que a Globo destruiu a reputação de Leonel Brizola. Sim, eu sei que  Globo apoiou a ditadura. Sim, eu sei que a Globo incensou o Moro e a Lava Jato, promoveu a prisão do Lula e o impixe da Dilma. Sim, eu sei que “o povo não é bobo – abaixo a Rede Globo”. Não estou passando pano – nem jamais irei passar – para esses fatos. Mas, racionalmente, na ponta do lápis, dada a mera análise dos fatos, temos que a Globo não tem nada a ver com o PL 2630.

Mas eu estou diante de um fato novo, e trago até vocês: a partir desta semana que passou, a palavra Globo virou um imenso gatilho à esquerda. Dizer a uma audiência do campo progressista que “a Globo vai se beneficiar de X” é motivo suficiente para lançar X à fogueira e promover o rebaixamento e/ou condenação de X. Não precisa pensar, basta sentir ódio da Globo. Isso é muito ruim pro campo da esquerda, por vários motivos:

– somos vulneráveis a uma mentira bem contada

– somos manipuláveis

– temos um ponto especialmente sensível, que nos vira no Jiraya: a Globo

– paramos de raciocinar e agimos com o fígado tanto quanto os bolsominions de direita.

Estou aqui extremamente assustada com o que estou escrevendo, mas não vou deixar de escrever só porque isso me assusta!

A saraivada de mentiras e manipulações que assistimos neste final de semana com relação ao PL 2630 deixa ainda mais patente a urgência e a necessidade dessa lei.

Vejam só a doideira: o PL das Fake News é vítima de Fake News – até mesmo da esquerda. A suposta proibição de uso de notícias de sites, jornais, textos, áudios, revistas, vídeos, nos ditos canais de Jornalismo, estão nos artigos 31 e 32 do PL, que cita, em seu próprio texto, a necessidade de consulta a Lei 9.610/98, a lei de direitos autorais e conexos, que proíbe o “roubo” de materiais de terceiros.

É letramento midiático que chama

Precisamos compreender (racionalmente) que a Globo não é malvada 100% do tempo. Precisamos saber ler todos os contextos e movimentações e mudanças de comportamento de atores políticos importantes como a Globo, e assim entender as mudanças de humor e de discurso ocorridas ao longo do tempo e conforme o sabor das conveniências.

A Globo não impediu a eleição do Lula ano passado. E é preciso saber ler os momentos em que a Globo deve ser cobrada e chamada às falas (até porque eu sinceramente me pergunto se os jornalistas de lá entendem a relação de causa e consequência entre a queda do PT em 2016 e os 700 mil mortos por Covid). Mas, definitivamente, o PL 2630 não é um desses momentos.

Por ora, vamos apenas acompanhar a votação do PL 2630, que não vai censurar ninguém, não vai desmonetizar ninguém, não vai privilegiar nada nem ninguém. Só vai punir quem hoje se esquiva de seguir as leis por não terem obrigações legais. Só vai dar mais protagonismo à sociedade brasileira, só vai fortalecer a democracia e o Estado Democrático de Direito e, por tabela, vai fazer empresas transnacionais que detêm o monopólio de nossas sensações e percepções psicológicas terem responsabilidade por seus atos e posturas.

Silêncio proposital

Fique à vontade para observar que eu passei ao largo de comentar razões ou motivações desses perfis de esquerda de reproduzirem um modus operandi de extrema direita. O nome disso é responsabilidade jurídica.

Mas vou comentar o fato de que alguns jornalistas de canais de esquerda que aderiram ao ataque ao PL 2630 simplesmente não haviam lido o texto do PL, e tomaram uma aula do deputado Orlando Silva em lives no Youtube. É muito triste, como jornalista, constatar que o jornalismo morreu também à esquerda.

A extrema direita e as big techs puseram a esquerda contra o PL das Fake News.

A extrema direita continua pautando o debate nas redes sociais, e a esquerda cai feito pato na pauta deles.

Com o agradecimento especial ao Carlito Neto – O Historiador
por revisar esse texto e ver se eu escrevi alguma besteira.

Leticia Sallorenzo – Mestra em Linguística pela Universidade de Brasília (2018). Jornalista graduada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1996). Graduaçao em Letras Português e respectivas Literaturas pela UnB (2019). Tem experiência na área de Comunicação, com ênfase em Jornalismo e Editoração. Autora do livro Gramática da Manipulação, publicado pela Quintal Edições.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. A publicação do artigo dependerá de aprovação da redação GGN.

Letícia Sallorenzo

Mestra em Linguística pela Universidade de Brasília (2018). Jornalista graduada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro

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