A resiliência de Jair Bolsonaro nas pesquisas de opinião é mais um capítulo decisivo do fim de uma era no mercado de informações: o poder dos grupos de mídia, o mais relevante ator do mercado de informações durante todo o século 20. Foram mais influentes do que as religiões, os partidos políticos, os sindicatos, as associações empresariais.

Em ambientes cartelizados, ganhou poder de derrubar presidentes, recorrendo a um mesmo modelo de atuação: um massacre diário de notícias negativas, de acusações de toda ordem, de denúncias falsas ou irrelevantes, influenciando radicalmente aspectos psicológicos e sociais do país, criando um clima clima tão opressivo que a reação social passa a ser explosões de ódio, manifestações de rua, caça aos inimigos.

Foi assim na campanha contra Getúlio Vargas, contra Jango, no impeachment de Fernando Collor, na campanha do mensalão, na campanha pelo impeachment de Dilma Rousseff, em todos esses casos atuando com enorme eficácia.

Agora, tem-se outro cenário.

Antes, as ondas de formação de opinião seguiam o que se chamava de “efeito pedra no lago”.

O primeiro time – Globo, Folha, Estadão, Veja, em outros momentos, o Jornal do Brasil, Correio da Manhã – criava a narrativa. No momento seguinte, essa narrativa era encampada pelas rádios e TVs. E se espalhava pela imprensa regional e de outros estados, através das agências de notícias dos jornalões ou pelo efeito-demonstração. Mesmo veículos não alinhados com os grupos maiores eram induzidos a aderir às teses, para não se indispor com seu próprio público.

É interessante acompanhar a maneira como os grupos de mídia refinaram seus métodos, depois da fase do jornalismo de esgoto – as agressões sem tamanho, factoides e aberrações do estilo Veja. Passado o mensalão, o jogo foi outro. Os jornais passam a aprimorar a técnica. Em todo texto, em vez da agressividade irrefletida, qualquer referência ao PT, por exemplo, vinha acompanhada de menções às acusações de corrupção em textos aparentemente isentos. O mesmo ocorria com toda menção a Lula. Era tal a repetição do estilo que não havia dúvidas de uma orientação técnica geral.

Na cobertura, em vez das ficções da Veja, passam a recorrer ao jogo de narrativas das sentenças do Supremo e das manipulações da Lava Jato. Junte-se a perda de dinamismo da economia, para se ter o caminho aberto para o golpe.

O último vagido do monstro foi nas campanhas pelo impeachment, diretamente organizados pela mídia, não apenas convocando o povo para as manifestações, como dando falsas dimensões a qualquer agrupamento de defensores do impeachment.

Agora, tem-se um bombardeio incessante contra Bolsonaro.

Mais que isso, baseado  em casos concretos, na responsabilidade objetiva de Bolsonaro pelas mortes na Covid-19, no envolvimento de filhos com corrupção, no aparelhamento de todos os níveis do Estado, na minimização da tragédia nacional. Tudo a seco, sem a necessidade da enorme ginástica mental e jurídica utilizada para criminalizar as pedaladas de Dilma. E o nível de aprovação de Bolsonaro não cai.

Não há maior sinal da falência dos grupos de mídia, como agentes absolutos de influência na opinião pública.

Antes, os grupos de mídia pautavam as discussões públicas. Em torno de suas narrativas, havia as discussões contra e a favor. E havia um exercício preguiçoso de criar “influenciadores”, em geral intelectuais ou sub-intelectuais em permanente disponibilidade, artistas de renome etc. Era um exercício primário, mas eficiente. O jornal defendia determinada narrativa e trazia, como reforço, uma fonte que endossasse a tese defendida, silenciando as vozes contrárias. E as fontes iam repetindo indefinidamente o discurso protocolar, em uma mediocrização ampla da cobertura, graças ao estilo acomodado que caracteriza os cartéis.

Agora, em vez da “pedra no lago”, o que existem são bolhas de vários formatos, mas independentes em relação aos grupos de mídia. O bombardeio diário de notícias negativas foi aprimorado nas redes sociais, pelo uso dos algoritmos, ambos da mesma natureza. Mas a versão moderna com uso intensivo de tecnologia fazendo o discurso chegar direto no seu público, através das redes de WhatsApp, dos algoritmos do Facebook, dos influenciadores do Youtube, em muitos grupos com laivos de estupidez se fortalecendo mutuamente.

Para quem acompanhou as distorções da mídia tupiniquim nas últimas décadas, pode ser um momento de alívio. Mas não é. E aí se cria um paradoxo cruel, já identificado nos anos 20, com o advento do rádio. Havia uma velha ordem de coordenação de opinião – de uma imprensa pequena, dados os níveis de analfabetismo da época, mas o único ponto de coordenação de informação, além das Igrejas e dos partidos políticos. Com as rádios, quebra-se esse velha ordem e abre-se espaço para novos atores, com discursos mais próximos da malta, clamando aos instintos básicos, e resultando nas diversas formas de fascismo que explodem em vários países.

É o estágio atual do país.

Como se reorganizará o país? Graças à parceria Lava Jato-mídia, os partidos políticos foram destroçados. Graças à aliança MMS (mídia-mercado-STF), desde Michel Temer a representação sindical foi desmontada, os movimentos sociais criminalizados, os conselhos de participação desmontados, as associações empresariais industriais perderam relevância. E, sem ter esses monstros fabricados para manter a tropa unida, a mídia tem que enfrentar, agora, os monstros reais do bolsonarismo, em uma nova quadro tecnológica, em um reino que não tem mais rei.

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28 comentários

    • A água batendo na bunda. O terror só aumenta. Mas já estamos muito bem estabelecidos em Cuba onde nossos Descendentes lutarão por Nosso AntiCapitalismo contra as Nações Imperialistas e Colonialistas !!! (KKKKKKKKK Licença Poética) Só que não !!! Tão na moda !!! Cidadanias, Residências, Fortunas, Filhos, Netos, pais, Sogros, o Totó, tudo devidamente azeitado entre AÇÕES das antes Estatais Brasileiras que Nos mesmos tornamos em S/A’s. Para o Bem da Nação, é claro !!! Mas temos uma última Nota a declarar : A culpa , esta, é dos outros. Do Bolsonaro com certeza !!! E ALUTA CONTINUA, CAMARADAS !!!! Pobre país rico. Mas de muito fácil explicação. Harvard explica.

    • Já se passaram mais de dez anos desde a seguinte declaração da então presidente da ANJ, Maria Judith Brito, em março de 2010:

      ‘A liberdade de imprensa é um bem maior que não deve ser limitado. A esse direito geral, o contraponto é sempre a questão da responsabilidade dos meios de comunicação e, obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada. E esse papel de oposição, de investigação, sem dúvida nenhuma incomoda sobremaneira o governo.’

      Sentiam-se, então, muito poderosos. Agora, depois de tanta manipulação, empulhação e mentiras, a grande imprensa perdeu todo o crédito e o que proferem já não adianta nada para se contrapor ao Demente Genocida.

      • Marco A. (terça-feira, 15/12/2020 às 00:41),
        A mídia sempre contou com esse cálculo errado que se faz do poder dela. Eu sempre digo que a se as pessoas não dissessem gratuitamente que a mídia é poderosa para moldar a opinião das pessoas, a mídia pagaria caro para que elas dissessem isso.
        Eu cheguei a criar a imagem de Roberto Marinho aparecer com a rede Globo na Idade Média via um canal que ele tinha com Deus e passasse a divulgar que Deus falou para ele que a Terra era redonda. Ele rapidamente perderia toda a audiência. Daí que eu sempre digo: “não é a mídia que faz a opinião pública. É a opinião pública que faz a média.”
        Vou indicar aqui alguns links que eu queria levar para junto do post “A legitimação penosa do Supremo Tribunal Federal, por Luis Nassif” de segunda-feira, 14/12/2020 e que pode ser visto aqui no blog de Luis Nassif no seguinte endereço:
        https://jornalggn.com.br/noticia/a-legitimacao-penosa-do-supremo-tribunal-federal-por-luis-nassif/
        Gosto de Luis Nassif, mas vinha mais no blog dele para o contestar. Prefiro criticar os que são de esquerda porque gostaria que a esquerda se posicionasse do lado certo e considero o meu o lado certo: eu outras palavras, “áureo é o meu termo”.
        No post “A legitimação penosa do Supremo Tribunal Federal, por Luis Nassif” Luis Nassif faz duas considerações que eu considero equivocadas. Ele considera que o STF tentou praticar uma boa ação em definir como constitucional a reeleição de Maia, quando na verdade seria uma abertura a todo tipo de decisão que agora poderia ser contra Bolsonaro, mas lá na frente seria a favor de Bolsonaro ou outro da espécie dele.
        Para mim, a declaração de constitucionalidade da reeleição dentro de uma legislatura seria um crime tão grave que eu prefiro acreditar que o STF fez teatro como de outras vezes ele tem feito. Se tiver tempo estenderia sobre a minha percepção da ação teatral do STF em comentário que se tiver tempo farei junto ao post “A legitimação penosa do Supremo Tribunal Federal, por Luis Nassif”
        O outro equívoco de Luis Nassif é deixar entender é que a decisão final contrária à reeleição decorreu do poder da mídia. Ele não diz assim explicitamente, mas de forma camuflada como se pode ver de parte de parágrafo dele transcrito a seguir:
        “Houve uma reação hipócrita da mídia, diz ele. . . . . E Luiz Fux e Luis Roberto Barroso são extremamente suscetíveis à voz das ruas, quando canalizadas pela Globo (aí, a observação é minha).”
        Talvez lá no post “A legitimação penosa do Supremo Tribunal Federal, por Luis Nassif”, eu venha a fazer alguma crítica. Por que fazer questão de deixar a frase “Houve uma reação hipócrita da mídia” por conta do interlocutor e a acusação ao Luiz Fux e Luis Roberto Barros só por conta do próprio Luis Nassif? Ainda mais que certamente Luis Nassif concorda com tudo que o interlocutor fala.
        Bem voltando ao tema do poder da mídia, Luis Nassif tem disso: como jornalista gosta de vangloriar do poder da mídia que afinal é poder dele também. Eu considero que este poder é pequeno.
        Então para mim a mídia não tem o poder que a mídia se atribui utilizando palavras dos que combatem a mídia pelo poder que ela tem. A meu ver esse combate seria muito mais proficiente se fosse dirigido contra outras coisas. Lutar contra o poder da mídia é uma luta quixotesca contra moinhos de vento.
        E nesse sentido eu deixo aqui os links em que há comentários meus afirmando isso. O primeiro link é para o post “A cegueira branca do Estado e o gigante iluminado” de quinta-feira, 20/06/2013, e de autoria do Professor da Escola de Sociologia e Política de São Paulo e da PUC-SP, Rafael Araújo, e pode ser visto no seguinte endereço:
        https://jornalggn.com.br/politica/a-cegueira-branca-do-estado-e-o-gigante-iluminado/
        Eu já sei disso há muito, o certo é que o post, para minha surpresa quando o consultei pela primeira vez, não contém nenhum comentário e realmente não lembro de ter feito comentário junto ao post “A cegueira branca do Estado e o gigante iluminado”. Apenas desde então venho mencionando a exaustão um parágrafo impecável do texto de Rafael Araújo em que ele diz:
        “É verdade que as manifestações revelam um descontentamento da população e uma falência do sistema de representação política. Há uma crise de racionalidade pelo fato do Estado de direitos não ser capaz de cumprir com aquilo a que se propõe. Os articulistas têm repetido isso como um mantra, mas até que ponto trata-se de uma crise exclusivamente brasileira? Até que ponto podemos associar o descontentamento do povo ao descaso e à corrupção? Esse é o raciocínio de superfície que estrutura os meios de comunicação tradicionais e que está por toda parte: nas músicas, filmes e novelas, nos sermões e discursos políticos, nas conversas de bar e de família, nas fábricas e escritórios, nas ruas e praças. Se todo o público que consome notícia pensa dessa forma rasa, como esperar que a velha mídia se comporte de outra maneira? São empresas que precisam de anunciantes, dizem e escrevem o que o espectador quer ouvir e ler. O jogo é esse. As fontes de informação dizem aquilo que se quer ouvir, assim garantem a audiência. Afirmar isso tem um fundo de perigo, principalmente quando estamos em um período de desequilíbrio como agora, porque essa afirmação significa ampliar as responsabilidades também para os receptores.”
        Na mesma época eu escrevi dois comentários junto ao post “O grande momento da cidadania” também de quinta-feira, 20/06/2013 às 08:00, e de autoria de Luis Nassif. Infelizmente este post saiu dos arquivos de Luis Nassif. Eu o vejo apenas no seguinte endereço:
        http://www.unipress.blog.br/o-grande-momento-da-cidadania/
        No link acima entretanto, só aparece o post de Luis Nassif. De todo modo, os dois comentários meus também discordando de Luis Nassif são mais sobre aspectos econômicos e uma frase final chega até a falar sobre a influência da mídia (E eu também não recebi nada pela propaganda, falsa, por sinal).
        O segundo texto é o post “O que os leitores querem: um jornalismo isento ou um espelho daquilo que pensam?” de segunda-feira, 27/06/2016, de autoria de Alexandre Marini e que fora uma reprodução sugerida por Cíntia Alves do artigo do autor publicado no Obsedrvatório da Imprensa com o título “Isenção ou Identificação”, sendo que o post “O que os leitores querem: um jornalismo isento ou um espelho daquilo que pensam?” pode ser visto no seguinte endereço no blog de Luis Nassif:
        https://jornalggn.com.br/midia/o-que-os-leitores-querem-um-jornalismo-isento-ou-um-espelho-daquilo-que-pensam/
        Lá meus comentários aparecem. E outro post em que meus comentários aparecem, embora este seja mais recente é em “Meus dois tostões sobre 2013 e as declarações de Luiz Inácio, por Luis Felipe Miguel” de terça-feira, 07/01/2020, publicado no blog de Luis Nassif no seguinte endereço:
        https://jornalggn.com.br/artigos/meus-dois-tostoes-sobre-2013-e-as-declaracoes-de-luiz-inacio-por-luis-felipe-miguel/
        Há um comentário meu enviado segunda-feira, 13/01/2020 às 23:05, junto ao comentário de Juruna, enviado terça-feira, 07/01/2020 às 13:40. Por sinal, você também fez um comentário junto ao de Juruna.
        Há muitos mais post em que eu apresento os meus comentários. De todo modo, tendo em vista o que você escreveu vale a pena fazer a indicação do post “2010 é o ano da ruptura de qualquer pudor ou verniz, por João de Paiva” de quinta-feira, 24/11/2016, de autoria de João de Paiva e publicado aqui no blog de Luis Nassif no seguinte endereço:
        https://jornalggn.com.br/crise/2010-e-o-ano-da-ruptura-de-qualquer-pudor-ou-verniz-por-joao-de-paiva/
        Eu ando as turras com João de Paiva. Às turras é modo de dizer, pois apenas divergimos, estando do mesmo lado. Como se pode ver no artigo dele que se tornou o post “2010 é o ano da ruptura de qualquer pudor ou verniz, por João de Paiva”, o nosso debate é sobre pontos específicos.
        De todo modo fiz menção a este post de João de Paiva porque ele já no primeiro parágrafo faz remissão também ao texto da Maria Judith Brito em março de 2010. É a mesma remissão que você faz. E creio que embora você seja mais ameno pois apenas diz que a grande mídia sentia-se poderosa, há um engano em imaginar a grande mídia com todo esse poder.
        Clever Mendes de Oliveira
        BH, 16/12/2020

  1. Para além do fim do poder da mídia, a resiliência de Bolsonaro representa, em minha opinião, o fim de um outro mito: o de que o brasileiro é generoso, solidário, progressista e justo; em uma palavra, “cordial”.
    Quase 60 milhões não são, a julgar pela última eleição presidencial.
    Além disso, no que diz respeito à mídia, é hora de avaliar, quanto aos resultados dessa última pesquisa, que pode estar nascendo um novo anti: o antiglobismo.
    Irônico, em se tratando da principal impulsionadora do antipetismo: as Organizações Globo.
    Que, na carona, vai levando o Estadão e a Folha para a mesma trincheira sitiada.
    Bem, o fim da mídia tradicional é um fato. Resta a dúvida quanto ao que vem a seguir.
    Eu não tenho qualquer dúvida: será muito pior.
    Como já disse outras vezes aqui mesmo no GGN, o que vem aí é um Big Brother de dimensões gigantescas, algo com que o pobre George Orwell nem sequer alcançou imaginar.
    Evidentemente, a influência do Google/Facebook – ou que nome essa praga venha a ter, no futuro, venha ou não a ser forçada a desdobrar-se em quatro, cinco, seis irmãs (sete?) – não se propaga como a inocente “pedra no lago” descrita pelo Nassif.
    Ela é o próprio lago. E a pedra também.
    Ela está no meio de nós.
    Somos nós mesmos, body snatchers de nós mesmos que somos.
    Não, não, o povo (seja lá o que isso for) brasileiro não é generoso, solidário, progressista e justo.
    “O quê de realidade por trás disso, que as pessoas gostam de negar, é que o ser humano não é uma criatura branda, ávida de amor, que no máximo pode se defender, quando atacado, mas sim que ele deve incluir, entre seus dotes instintuais, também um forte quinhão de agressividade. Em consequência disso, para ele o próximo não constitui apenas um possível colaborador e objeto sexual, mas também uma tentação para satisfazer a tendência à agressão, para explorar seu trabalho sem recompensá-lo, para dele se utilizar sexualmente contra a sua vontade, para usurpar seu patrimônio, para humilhá-lo, para infligir-lhe dor, para torturá-lo e matá-lo. Homo homini lupus [O homem é o lobo do homem]”

    Bolsonaro, é claro, pode ser explicado pela velha e boa psicologia de botequim.

    Não é preciso recorrer a Freud – autor dessas linhas que citei, e que parecem descrever, ipsis litteris, o Bozo e seus seguidores.

    Não sou freudiano. Mas a verdade dessas palavras, me parece, é difícil contestar.

  2. Nassif, às vezes eu tenho dúvidas de continuar a ler tais conteúdos.
    Explico: são de uma pobreza conceitual que dá pena.

    Ora, a resiliência do Bolsonaro não é “dele”, mas antes e acima de tudo do conservadorismo, que aqui e em todo mundo sempre foi hegemônico e historicamente resistente, ao contrário dos sentimentos progressistas.

    Será que você mesmo acredita nestas coisas que você escreve, isto é, que há (ou houve) um espírito ou um período de iluminismos em algum canto do planeta?

    Uai, um mundo onde 98% dos habitantes não soma a renda de 2% dos demais, e pior, onde dentre estes 2% está 1%, que reúne somados a renda de 50% dentre aqueles 98%, você acredita mesmo que este mundo seja dominado por algum senso de civilidade?

    Ou será apenas que esta noção falsa de uma civilidade (também falsa) não era exatamente o domínio da mídia sobre a narrativa que você agora reclama ter acabado?

    Por que a pergunta que cabe é: Todos estes estamentos de opinião e de lutas políticas se dedicaram a que?
    A melhora de alguma coisa?
    Ao fim das desigualdades e do sistema que lhe dá causa, ou ao menos, já que você e outros tantos julgam tal tarefa coisa de louco, ao menos as desigualdades foram contidas?

    Não, creio que não. Só existiram para anestesiar a real visão das coisas como elas são…

    E o que houve quando havia algum movimento político dedicado a tal projeto?

    Violência política, simbólica e real…tudo com o consenso cúmplice de largas faixas populacionais, tão inclinadas a ceder “logo, logo” aos cânticos anti-comunistas, xenófobos, etc…

    Eu admiro sua ingenuidade, e falo sério…só isso me faz ler tais textos com um pouco mais de paciência….

    Bozo não é uma exceção, meu caro, é a regra…desde 1889, os ingredientes de força nunca se afastaram da tutela do poder…O STF de hoje faria o mesmo com Olga Benário.

    No mundo todo, a mesma coisa…
    Uns com mais agudeza, na medida do tamanho de suas desigualdades e atritos sociais daí decorrentes, uns mais, outros menos, mas sempre com algum tipo de “inimigos números 1”, que sempre são os que ameaçam o estamento das desigualdades.

    Agora, em um trecho você se desmascara:

    “(…)Com as rádios, quebra-se esse velha ordem e abre-se espaço para novos atores, com discursos mais próximos da malta, clamando aos instintos básicos, e resultando nas diversas formas de fascismo que explodem em vários países.(…)”

    Como se a violência destilada pelas “maltas” não fosse a razão direta da sede insaciável e desumana da malta dos ricos…
    Ou seja, até o Nassif enxerga a barbárie apenas pelos filtros das elites.

    Dizer o que mais? Dá só vontade de chorar…

    Qual será o basic instint mais perigoso?

    Do Zé das Couves ou dos Setúbal?
    Do red neck do Arkansas ou de Wall Street?

  3. Será um momento único para que a mídia possa voltar a ter um diálogo com os fatos. Não acredito que os terá, pelo que temos visto e pelo domínio de pequenos grupos na comunicação do país. A esperança é que através da mídia alternativa, esse diálogo com os fatos possam ser estabelecidos e que a sociedade canse-se logo do caminho sem luz que tomou. O grande desafio é que esse nível de informação chegue a periferia. É lá que poderá haver a transformação da nossa sociedade, o que será a grande virada que partidos políticos (principalmente os progressistas), movimentos sindicais e sociais precisam fazer. Enquanto isso, bombardear com fatos as informações que possam alcança-la. Resta um desafio maior: isso custa dinheiro. Quem financiará essa fonte de informação alternativa? Os estudiosos e envolvidos devem buscar a solução.

  4. Boa tarde, Nassif. Permita-me acrescentar um visão a essa realidade. Quanto à cobertura negativa ao governo que não falo o nome, nem escrevo, não percebo essa intensa cobertura negativa, mas um jogo de morde e assopra, pois esse desgoverno entrega o que o mercado quer e a mídia defende. Então, o que falta é o compromisso com o país, que já deixou de existir faz tempo. A grande mídia perdeu seu compromisso com a verdade e a informação, passando a criar uma narrativa mais amena para não melindrar seu maior anunciante e ainda, os haters que haviam nos buracos mais profundos da sociedade, incluindo a mídia têm hoje um sentimento de representatividade que os estimula e chancela suas ações de ódio e preconceito.

  5. A resiliência do sujeito que ocupa a presidência da República não é o fim da mídia tradicional, pelo contrário, ele é resultado dessa mídia, de décadas e décadas de manipulação, de defesa de valores que foram vagarosamente mas constantemente sendo colocados na cabeça das pessoas.
    Não de graça esse sujeito ganhou as eleições e mantém-se firme em seu propósito de destruir o país.
    Essa mídia continua apoiando esses valores e,o fato de aparentemente não apoiar o sujeito, tem importância somente de fachada.
    As caras e bocas, a neurolinguística e a semiótica contra o PT,contra o presidente Lula e contra tudo o que representam ou defendem, continuam mais ativos do que nunca,traduzindo-se de fato na verdadeira influência dessa gente.
    Assim, não é correto decretar o fim do poder golpista dessa gente. Ele existe e ,negá-lo, é somente o resultado de sua força camaleônica .

  6. É impressionante constatar que Bolsonaro não seria presidente sem a valiosa contribuição da mídia. Bozo nasce como erva daninha na terra arrasada promovida por ataques incessantes da mídia ao PT, ataques que fermentaram todo o clima de ódio e polarização do qual Bolsonaro soube usar tão bem. Nem Moro e Lava Jato seriam nada sem o apoio da mídia.
    Mas não se aplica veneno em doses tão altas e por tanto tempo impunemente, saindo limpinho dos respingos da crise de credibilidade. A falta de visão dos donos da mídia chega a ser estarrecedora… como assim acharem que poderiam arrefecer todo aquele caldo de indignação mais adiante, encontrando um ponto de retorno para a “normalidade”? Perderam a mão e confiaram demais no próprio taco, isso tudo com a internet já despontando no horizonte, ou seja, o ego suplantou o cérebro. E agora se deram conta de que seus serviços não valem mais nada? Que estão indo junto no mesmo ralo que criaram para engolir o PT?
    E o monstro do Bolsonarismo está aí. E sua força reside na saturação de um povo que ouve há anos notícias sobre escândalos de corrupção. Já não faz mais efeito, o veneno virou lugar comum. E sua permanência é garantida pela impossibilidade de que traidores e traídos se unam para derrotá-lo.

  7. Ora, ora, ora…..o coiso não vai por que a mídia quadrilheira-assasina-mafiosa-corrupta simplesmente o protege, sim protege…… quando no jornal nazional jogaram nas costas dele as desgraças que o povo sofre? Desemprego, perda de renda, falta de assistência básica? Nenhuma vez, só, contrário, a mídia amansa a turma com o discurso furado do empreendedorismo, ou seja, se vc está na pindura, a culpa orla desgraça é completamente sua, infeliz…. outro dia vi um rapaz com uma mochila mas costas pedalando uma bicicleta em meio ao temporal, e pensei, lá vai um empreendedor…..a mídia é sócia da desgraça do povo brasileiro, inimiga do país, algozes dos trabalhadores, não do coiso….. ainda vou esperar um xadrez nesse tom…..uma vez mostraram uma manchete do saudoso jornal da tarde, não por essa manchete estúpida óbvio: o dólar subiu, a culpa é do Lula….. entenderam a diferença?

  8. A palavra midia, por si so, define o complexo de viralata de um pais colonizado.

    No mundo inteiro a palavra e media. Apenas nas metropoles anglofonas a pronuncia e midia, mantida a grafia de origem latina.

    Nao bastasse o pais ser uma colonia, e colonia ao quadrado!

  9. Bolsonaro era para estar bem melhor,parou de meter o pau na Globo,com certeza ouviu mal conselhos.uma pena !!!!
    Obs:Governo Lula,o governo da prosperidade,errou pra cacete hein !!!
    Obs2: PÊESSEDEBÊ É MAL,PÊÉSSEDEBÊ É MUITO MAL,PREVITIZÔ A ÁGUA(Ciro de esquerda aplaudiu)

  10. Bonito o texto, parece algo do Zentrum Católico, na República de Weimar, que sempre explicava tudinho, mas não conseguia conter o avanço do Partido Nazista.
    Manda no Brasil o Presidente da República, que quando não tem os votos necessários no Congresso, sai às compras, liberando emendas de deputados e senadores em troca de votos favoráveis.
    Cadê o candidato da oposição, que vai derrotar Bolsonaro no segundo turno, em outubro de 22?
    É só isso que importa de verdade. Quem será o próximo Presidente da República ??

    • Pelos outros comentários que faz aqui, é óbvio que o comentarista acima torce pela permanência do Demente no Planalto. Entretanto, muito mais cínico do que este, finge considera-lo indesejável. Mas é um bolsonarista de primeira hora e tenta usar o GGN como um Cavalo de Troia. Todo cuidado é pouco com esse tipo.

  11. Eletrobrás, Petrobras, CEF, BB, Correios, BNDES, Barisul, Banpará, Basa, Ibirapuera, Aquífero Guarani, Amazônia, etc. Enfim, há um rol de patrimônio público e riquezas naturais para comprar barato ou ganhar com a corretagem.

    Quem é a mídia???

    A família bilionária dos Marinhos e suas Offshores?
    A RBS – dos empresários pró privatizações – Sirotsky?
    A Abril e o Estadão do André Esteves/BTG?
    A Folha/Uol dos Frias/Pag Seguro?
    A Record e seu conglomerado de mídia do Bispo Macedo?
    My god!

    Alguém prestou atenção no discurso do “Protetor da democracia” Rodrigo Maia no Lide?
    “Temos muito ainda para vender… Temos que pisar no acelerador!” Poderia ter acrescentado: temos ainda muitos direitos para tirar dos trabalhadores brasileiros, pretos e “quase pretos de tão pobres”.

    Essa turma da “mídia” e cia não está preocupada com a direção que o “carro Brasil” está tomando – rumo a privatização, financeirização, concentração de renda e patrimônio, retirada de direitos, estado policial, etc. Eles estão preocupados é com o motorista Bolsonaro, que é um pouco maluco. Bom era o FHC e sua etiqueta francesa. Seu inglês fluente.

    É só isso que está preocupando essa gente da mídia e sua bufunfa. Eles não estão brigando com o motorista Bolsonaro porque discordam do rumo que seu copiloto Paulo Guedes está dando ao Brasil, mas apenas gostariam de colocar outro motorista, para seguir o mesmo rumo com mais segurança e mais modos. Um discurso de responsabilidade social, respeito ao meio ambiente. Enquanto a farra das privatizações, retirada de direitos e concentração de renda e patrimônio correm soltas. Tem muita coisa para botar no bolso nesse Brasil de riquezas infinitas, incluindo o suor dócil do seu povo.

    • Rafael : “… Eletrobrás, Petrobras, CEF, BB, Correios, BNDES, Barisul, Banpará, Basa, Ibirapuera, Aquífero Guarani, Amazônia, etc. Enfim, há um rol de patrimônio público e riquezas naturais para comprar barato ou ganhar com a corretagem..” Quem transformou estas Empresas Brasileiras do Povo Brasileiro em cassino na Bolsa de Valores de NY, em Privatarias de Lesa-Pátria foram 30 anos entre Partidos pseudo Progressistas PSDB e PT. Acusam o Crime e erram no Criminoso?

  12. O mal usado ilegalmente para conquistar dinheiro, poder e status sempre surge de uma forma rude, brutal e muito injusta. Ele chega tão traiçoeiro quanto covarde e por vezes será medonho o suficiente para nos indignar de tal modo, que nos fará até pensar se realmente não a merecemos, por conta da nossa estúpida cegueira e de uma possível acomodação individualista. Acho necessário retrocedermos até o ponto onde nos dispersamos para refazer as forças, a união, a vigilância, e toda atenção necessária para combatermos e expulsarmos essas forças opostas que se fortalecem e continuam sendo nossas mais perigosas predadoras. Ainda sabendo que anéis, dedos e até alguns braços serão perdidos drasticamente por alguns, também estamos cientes que é o preço mínimo a se pagar. Custe o que custar a justiça tem que ser colocada em seu devido lugar.

  13. Eu acho que o fim do poder da mídia já tinha se estabelecido há mais tempo. Durante 13 anos os governos petistas foram bombardeados ininterruptamente e continuaram imbatíveis eleitoralmente, inclusive com altos índices de aprovação, somente sendo alijados do poder através de um golpe jurídico-parlamentar que derrubou a presidenta dilma em 2016 e tirou lula da corrida em 2018.

    Minha opinião sobre a influência midiática no Brasil:
    1. Enquanto o PT era imbatível nas eleições e a mídia tradicional o fustigava incansavelmente os blogs progressistas conseguiram municiar o campo progressista com informações não viesadas e isso ajudou a manter uma disputa discursiva, embora não fosse permeável ao grande público e se circunscrevesse aos círculos da classe média (em uma situação na qual as posições foram ficando cada vez mais cristalizadas com cada lado convertido usando os argumentos apenas para defender seu campo, diminuindo a possibilidade do debate). Já as classes baixas votavam sobretudo em razão das substantivas melhorias de vida que experimentaram, não sendo afetadas pelo discurso moralista da grande imprensa;
    2. O poder da mídia tradicional se concentrou na classe média conservadora que acompanha a globonews e canais jornalísticos fechados, lê jornais e ouve rádio no carro indo ao trabalho. A TV aberta não foi capaz de influenciar seus espectadores embora mantivessem o tom da narrativa contra o PT como faz agora contra bolsonaro. A parcela da classe média mais letrada que ela atingiu era justamente um público influente da sociedade e que comprou a narrativa antipetista, inclusive arrastando suas instituições para o vale-tudo contra o PT: judiciário (juízes e promotores), membros das forças armadas, profissionais liberais (engenheiros, advogados, etc.) médicos e demais membros das ocupações médias que se consideram mais informadas justamente por consumirem as narrativas da mídia tradicional (altos e médios diretores de empresas e uma parte da burocracia estatal concursada);
    3. É aqui que entra a sua avaliação sobre a utilização das mídias digitais e que eu acho que está correta. O bolsonarismo entendeu este fim do poder da mídia tradicional (que não afetava a popularidade do PT e sua força eleitoral) e ocupou o terreno não explorado por nenhum dos dois lados (mídia tradicional e blogs progressistas), aproveitando o discurso de ódio e avançando sobre a parcela reacionária das classes mais baixas da população que não consumia e não consome o mesmo conteúdo que a classe média pela globonews, cbn, folha e estadão. Foi assim que a base das polícias, das forças armadas, caminhoneiros, evangélicos, uma parcela da classe trabalhadora e a parcela alucinada e desinformada da população consumiu e está consumindo as narrativas bolsonaristas.

    Adendo 1: Visualizo um conjunto de programas e veículos midiáticos sensacionalistas e conservadores que contribuíram e contribuem para a eleição e aprovação do Bolsonaro e manutenção da sua base: a) Igrejas evangélicas e a influência dos pastores da base (inclusive com compra de apoio via perdão da dividas das igrejas, entre outras benesses financeiras dadas por bolsonaro); b) Programas policiais que insuflam medo, terror e sensação de desamparo na população, favorecendo o discurso punitivista e todos os abusos daí decorrentes; c) Veículos midiáticos como Jovem pan e Veja com seu jornalismo de esgoto, entre outros; e d) Incluo um campo defensor do politicamente incorreto que é aparentemente inofensivo e que vai desde os stand-ups comedys, programas como pânico na tv, danilo gentili, entre outros e que contribuíram para que os preconceitos da sociedade perdessem a vergonha de dizer seu nome.

    Adendo 2. Nunca vamos compreender como o discurso criado por estes veículos legitimam uma cruzada do bem (branco e cristão) que eles defendem contra um mal que cria o caos na sociedade e que precisa ser combatido se não enxergarmos que este discurso se alimenta da desumanização e falta de sensibilidade do brasileiro em relação às terríveis condições de vida de seu próprio povo (inclusive naturalizando e tornando aceitáveis os imorais índices de miséria, violência e mortalidade da nossa sociedade) e que tem como base o racismo estrutural desta sociedade.
    É este racismo que permite a existência de cidadãos de segunda classe, supérfluos, indesejados e descartáveis, tornando aceitável o discurso politicamente incorreto, punitivista e desumano e que legitima o genocídio cometido pelo estado, o encarceramento em massa e a existência de territórios sem lei para os quais o estado pode virar as costas permitindo exploração da sua população (negra) pelo crime organizado.

  14. O homem cordial foi uma alegoria democrático racial que a movimentação política preta desmascarou desde, pelo menos, Lélia Gonzales e Carlos Hasenbalg. Não é razoável não dominar, mesmo que retoricamente, o lobo. O recém falecido Seo Zé é de uma safra de lobisomens ligths que utiliza canudinho de metal nobre (vide Sonho Americano), totalmente ex-machimaginária, desdobrada na tecnologia orwelliana e seus bilhões de sansões “voluntários”. Resta o lúmpen, os párias, os sem-filosofia, e a esperança em seu peso específico quando chegarmos cis-calendas.

  15. O PT e seus governos foram infinitamente mais “resilientes” aos ataques da mídia do que Bolsonaro tem sido. A aprovação a Bolsonaro caiu expressivamente no primeiro ano e meio de seu governo, e só teve uma modesta recuperação nos últimos meses. Mesmo assim não consegue alcançar nem 40% nesse momento em que, com o auxílio emergencial, transfere diretamente para as mãos da população uma quantidade enorme de dinheiro.

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