Relação ruim com a China trava insumos para vacinas, admite governo

Ataques ao governo chinês aumentam temor entre pesquisadores sobre chegada de material para fabricação de vacinas; assunto foi tema de reunião ministerial

O chanceler Ernesto Araújo (esq.) e o presidente Jair Bolsonaro. Foto: Reprodução

Jornal GGN – Os ataques de integrantes da cúpula bolsonarista contra o governo da China nos últimos meses tiveram seu preço: a relação conturbada do Brasil com seu principal parceiro comercial compromete a chegada de insumos para a produção de vacinas contra a covid-19.

Segundo informações da CNN Brasil, a relação com os chineses foi abordada em reunião do presidente Jair Bolsonaro com ministros no Palácio do Planalto na tarde desta segunda-feira (18) – as incertezas também atingem o Instituto Butantan, uma vez que a vacina CoronaVac foi desenvolvida em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac e precisa do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) desenvolvido na China para produzir o medicamento no país.

Integrantes dos ministérios da Saúde e da Economia também acompanham o tema com cautela, por conta das negociações mantidas entre a Fiocruz e os chineses para a aquisição de IFA para produzir a vacina de Oxford/AstraZeneca no Brasil.

Um dos incidentes que estariam comprometendo as conversas teria sido o ataque do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) ao embaixador chinês em Brasília, Yang Wanming. Na ocasião, o filho do presidente Jair Bolsonaro acusou o Partido Comunista Chinês de espionagem, ao abordar a adesão brasileira à Clean Network, articulada pelos Estados Unidos para banir a Huawei dos serviços de tecnologia 5G.

Depois de estar à frente de ataques contra chineses, o chanceler Ernesto Araújo teria mudado seu posicionamento por conta da vacina, e também tem conversado com os indicados para obter 2 milhões de doses da vacina de Oxford.

 

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