Lockdown vem aí? Governadores endurecem medidas contra coronavírus

Alagoas e Pará não descartam lockdown. No Maranhão, São Luiz e cidades vizinhas vão viver uma quarentena mais rígida a partir de 5 de maio

Jornal GGN – Era 29 de abril de 2020 quando a economista Laura Carvalho postou no Twitter: “Ou os governadores fazem lockdown AGORA ou estamos nos conformando com uma quarentena que serviu apenas para que os mais ricos evitassem o colapso no sistema privado de saúde. Enquanto isso o SUS colapsa e os mais pobres morrem aos milhares até chegarmos ao pico via imunidade.”

Maio então chegou, e o Brasil virou o 10º país com mais casos de coronavírus no mundo (97,1 mil confirmados) e o 7º da lista em número de vítimas fatais (6,7 mil mortes).

A escalada da pandemia de coronavírus em solo nacional tem levado governadores e prefeitos a revisarem as medidas de mitigação adotadas até agora para “achatar a curva” de contágio.

Governadores que antes sinalizavam com a flexibilização da quarentena agora começam a repensar a promessa. Outros ameaçam endurecer as regras por causa dos baixos índices de distanciamento social.

No Maranhão, o lockdown já saiu do papel na capital São Luís e cidades vizinhas, que viverão sob regras mais rígidas a partir do dia 5 de maio. O decreto com detalhes saiu neste domingo (3).

O governador do Pará, Helder Barbalho [foto], decidiu seguir os mesmos passos do colega Flávio Dino. No Twitter, anunciou: “Reforço o meu apelo para que permaneçam em casa, essa é a única ação efetiva para proteger você e sua família. Agradeço a todos que estão fazendo a sua parte, mas se até terça-feira (5) o isolamento não for respeitado, aplicaremos o lockdown.”

Em Alagoas, Renan Filho também indicou que o lockdown é “tendência” no Estado. “Vou conversar com o prefeito de Maceió, Rui Palmeira. Amanhã estaremos em plantão permanente, conversando com representantes dos hospitais privados, públicos, com segmentos da área de medicina, para que a gente modere o tamanho da medida que a gente vai tomar em Alagoas”, disse o governador.

Em São Paulo, João Doria anunciou há cerca de duas semanas a flexibilização de setores da economia a partir de 11 de maio. Mas, para isso, o Estado deveria manter uma taxa de isolamento social entre 50% e 60%. Ao contrário disso, a média tem ficado abaixo dos 49%, o que indica que o governador pode recuar e adiar a reabertura gradual e heterogênea que vem planejando.

A Prefeitura de São Paulo até começou a bloquear vias de maior tráfego para fazer “conscientização” de quem continua circulando pela capital sem necessidade. Pelas declarações de Bruno Covas, não deixa de ser um ensaio do Departamento de Trânsito, para o caso de ser necessário endurecer ainda mais a quarentena.

A visão dos governadores e prefeitos preocupados com o pico do coronavírus, sinalizando que é preciso fechar um pouco mais antes de pensar em reabrir a economia, destoa da postura do governo Bolsonaro, que defende a retomada imediata.

Não há receita de bolo para um país continental como o Brasil. A frase era dita com frequência pelo ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta e continua muito repetida pelo sucessor Nelson Teich. Mas o que se vê desde o final da última semana é um movimento em direção ao lockdown em regiões com maior densidade populacional e preocupação com o provável descontrole sobre a evolução da pandemia.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora